Votuporanga segue média estadual com mais mulheres do que homens

O ‘MAPA DA MINA’

Seade informa: cidades de porte médio, como Votuporanga, Rio Preto e Catanduva, têm mais mulher do que homem, por isso, as mais espertas se divertem em cidades pequenas onde sobra namorado

Nas baladas, ruas, aglomerações e faculdades, a discrepância é visível. Tem mais mulher do que homem. “Está difícil arrumar namorado. Para piorar a situação, existem muitos gays e bissexuais. Parece que está na moda”, diz a promotora de vendas Helen Teotônio, 21 anos. A Fundação Seade estima que existem 15.928 mulheres ‘‘sobrando’ apenas em Rio Preto, ao comparar o público feminino e masculino. Em 103 cidades do Noroeste paulista, o excedente chega a 22.030, o mesmo que um município do porte de Monte Aprazível.

Helen e as amigas, no entanto, descobriram o ‘mapa da mina’. Quando estão a fim de paquerar, seguem para festas, shows e rodeios realizados nas cidades de pequeno porte, nas redondezas. Estão certas. Estão certas. Segundo o estudo, há mais mulheres nas cidades de maior porte, como Rio Preto, Barretos, Catanduva e Votuporanga. Nas localidades menores, tem homem disponível. Riolândia, por exemplo, tem 1.440 homens a mais, a maior no recorte regional. Mas existe ressalva: foram contabilizados os detentos da penitenciária local.

Além das visitas às pequenas cidades, Helen tem conseguido bons resultados ao ‘prospectar’ possíveis parceiros nas redes sociais. Está sem namorado fixo há dois anos. A economista Emília de Toledo Leme, da Prefeitura de Rio Preto, afirma que existem duas explicações plausíveis para o fenômeno. Uma é reflexo do comportamento. “Os rapazes morrem mais cedo, sobretudo em acidentes de trânsito e nas mãos da violência. Elas têm mais longevidade, aposentam-se antes e vivem mais.” Também é fundamental levar em consideração a questão econômica. “Muitas mulheres migram para as cidades maiores em busca de emprego e de oportunidades.”

Em Rio Preto, por exemplo, o mercado é generoso em ofertas de trabalho em clínicas médicas, comércio e shoppings centers. De forma majoritária, são cargos ocupados pelo público feminino. Já nas localidades pequenas, ainda vigora a cultura rural, corte de cana e trabalhos que demandam grande esforço físico, ou seja, ocupações com prevalência de mão de obra masculina.

Essa desigualdade é observada pela veterinária Rafaela Marques, 24 anos, e suas amigas, com idade entre 20 e 30 anos. Todas estão sem namorado. Não é raro formarem o ‘clube da luluzinha’ nas baladas. Como não costuma viajar para cidades da região, Rafaela prioriza as festas da faculdade. Mas relata que é quase impossível encontrar uma pessoa interessada em um relacionamento à moda antiga.

Geise Moreira, 21 anos, tem a mesma reclamação. “Falta homem que presta no mercado. Tranqueira tem aos montes. São poucos os que querem assumir um compromisso. Mas não fico procurando.” Ela tem uma tese, no mínimo, curiosa sobre a questão. “Se tem um cara bonito sozinho em em lugar público, pode apostar: é gay”, diverte-se.

A amiga de Geise, Thaís Teodoro, 17 anos, acrescenta. “Geralmente, a gente sai com um monte de amiga. É raro arrumar até um rolinho.” Para quem pensa em buscar parceiros em outras plagas, fica o alerta: se a situação já é difícil por aqui, piora quando se pensa em àmbito estadual. Na região, a média é de 97,07 homens para cada grupo de 100 mulheres. Já no Estado, o percentual cai para 94,79. Na guerra do amor, está difícil até mesmo encontrar um alvo.

Dica: rock atrai mais homens

A baixa quantidade de espécimes masculinos disponíveis no mercado tem feito parte da mulherada mudar o comportamento na hora de abordar um possível pretendente. “As mulheres estão mais ativas, digamos assim. Não é mais regra só o homem tomar a iniciativa. Elas estão à vontade para mostrar interesse”, afirma o funcionário público Vinícius Isique, 29 anos.

Mesmo com perfil introvertido, Isique conta que não é raro ficar com mais de uma mulher a cada saída noturna. Se o sujeito se enquadrar na categoria ‘sem vergonha’, os números podem ser superlativos. A peculiaridade é confirmada pelo produtor de eventos Leandro Seco, 36 anos. Ele já observou que a noitada está interessante para o homem solteiro. “É grande a proporção de mulher na praça.”

Apesar da abundância de mulheres, o recepcionista Victor Pavão, 20 anos, afirma que é necessário manter a atenção, cautela e o critério para escolher a pessoa certa e assim não se arrepender mais tarde. “Tem muita mulher que busca status ou alguém que lhe traga popularidade. Não está preocupada em conhecer um cara legal. Outras querem selecionar demais”, conta Pavão.

Suas observações são compartilhadas pelos amigos que vagam em busca de alguém. Embora seja seletivo, o recepcionista afirma que, sempre que sai, fica com pelo menos uma garota. Apesar da vantagem numérica, Pavão afirma que o homem não pode pensar que, só porque está ‘em risco de extinção’, basta se apresentar com arrogância, de qualquer jeito e com as cantadas de sempre.

As mulheres, afirma, dificilmente ão se atirar a seus pés só porque se está disponível. Não é assim que funciona. O professor Willie Martinez, 23 anos, é frequentador assíduo de ambientes direcionados a quem gosta de um bom rock. Nesses locais, afirma, o público é majoritariamente masculino. “Poderia ter mais mulheres. Quem sabe, é uma dica para a mulherada aparecer mais. Serão bem-vindas”, afirma Martinez.

Internet faz papel de cupido

A internet se tornou importante mecanismo para homens e mulheres na busca por eventuais parceiros. As redes sociais assumiram o papel que era feito, no passado, pelos parentes mais próximos. “Há 50 anos, nossas tias faziam elogio aos filhos de suas amigas e assim tentavam aproximá-los das mocinhas
da família”, diz a psicoterapeuta e terapeuta sexual Yara Monachesi.

A modernidade mudou a forma de favorecer os encontros. Mas o objetivo ainda é o mesmo: proporcionar o contato entre duas pessoas. “Afinal, o que todos procuram é o amor.” A transformação, no entanto, é muito mais ampla. O mundo ocidental vive um momento de transição quando se fala em relacionamento. E essa mudança está intimamente ligada com a organização familiar.

Segundo a especialista, há um século o relacionamento supunha a presença de um chefe da família. Nesse contexto, a mulher era responsável por cuidar dos filhos, marido e casa. “Tudo era bem delimitado. A mulher ocupava somente o espaço do lar, enquanto que o do homem era extra-muro, o espaço do mundo”, afirma.

A entrada da mulher no mercado de trabalho causou grande modificação. O amor, enfim, adquiriu sua forma atual, ou seja, é menos ligado às necessidades materiais. “O que assistimos, no momento, é à necessidade psíquica de encontro entre duas pessoas que se completam e se harmonizam no âmbito da convivência.” Para Yara, isso talvez explique o grande número de divórcios. “Se a relação não está boa, sempre se pode romper com o parceiro e tentar outra situação.”

Namoro a distância

A advogada Ana Carla Brandolezi, 29 anos, mantém namoro a distância há oito anos. Ela não foi até outra cidade buscar o parceiro, como fazem outras mulheres rio-pretenses. Conheceu por acaso o comerciante Renato Mauad, 29 anos, de Olímpia. Ambos cursaram Direito em uma faculdade de Rio Preto. Na sala de aula, conquistaram mais que os conhecimentos sobre Justiça.

Ana Carla lembra que ela e Renato se conheciam apenas de vista. A partir do terceiro ano do curso, no entanto, ocorreu uma aproximação, que terminou em namoro mais tarde. Quando começaram o romance era bem mais difícil namorar uma pessoa que mora em outra cidade. Não existiam facilidades como rede social, whatsapp e ligação de graça para mesma operadora.

“A gente esperava dar meia noite para telefonar e pagar discagem reduzida. Hoje é bem mais fácil ter um namorado de outra cidade”, lembra. Hoje, Ana Carla e Renato conversam o tempo inteiro, claro, com auxílio dos mais modernos mecanismos. Encontram-se pelo menos uma ou duas vezes por semana.

A única desvantagem, diz Ana Carla, é justamente a distância Mas é algo que pode ser contornado com um pouco de habilidade e disposição para viajar. “É diferente ter um relacionamento assim. A gente tenta adequar as agendas e horários para, sempre que possível, estar juntos”, conta Mauad.

Rio Preto fica a 50km de Olímpia. Apesar de não ser tão longe, é inviável estar junto todos os dias. Os compromissos profissionais diários dos dois impedem tal condição. Os fins de semana, no entanto, são aproveitados sempre como casal. Normalmente, a advogada segue para Olímpia Também se encontram em Rio Preto. E assim escrevem uma história. Diário da Região de Votuporanga

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