Voluntários de Olímpia viajam mais de mil quilômetros para fazer doação

Amigos do Jequiti fazem doação em um dos locais mais pobres do Brasil. Há mais de 20 anos, empresário leva comida e brinquedos para famílias.

Um grupo de voluntários de Olímpia (SP) viaja há mais de 20 anos para uma das regiões mais pobres do Brasil e realiza um grande ato de solidariedade. Com recursos próprios e doações, o grupo leva alimentos e roupas para moradores do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Uma forma de tornar mais alegre o Natal de famílias carentes.

Foram as cenas de pobreza e de abandono que amoleceram o coração do empresário Deusivaldo Rosa dos Santos. Em 1989, ele viu na televisão uma reportagem sobre o Vale do Jequitinhonha e ficou inconformado com a situação daquelas pessoas e decidiu ajudar, mesmo estando a mais de mil quilômetros de distância. “Depois que eu assistir a reportagem eu não consegui dormir mais, a reportagem foi de madrugada e não consegui dormir. Fiquei com a ideia na cabeça de ajudar essas pessoas”, afirma.

Ele arrecadou sozinho os mantimentos e com dois amigos carregou um caminhão pequeno e partiu para uma das regiões mais pobres do Brasil. De lá para cá, ele já passou 25 natais fora de casa, ajudando as pessoas. “A partir daí nunca mais parei de ir, meu Natal é sempre lá, todo ano”, diz.

Deusivaldo faz apenas o que o coração manda e é dessas pessoas generosas, que dedicam à vida aos outros, que pessoas pobres conseguem ter um Natal mais digno. “Acho que poderíamos fazer mais, que mais pessoas fizessem como eu. Aquela reportagem foi uma semente no meu coração”, afirma.

A família e os amigos entraram na dele e começaram a ajudar e formaram ao longo desses anos uma imensa corrente de solidariedade. Agora Deusivaldo nem precisa mais correr atrás: as doações chegam o ano inteiro, de todo canto. “A partir do momento que ele resolveu ir para Minas, os filhos, os amigos, mãe, sogra, todos começaram a ajudar e hoje recebemos ajuda de milhares de pessoas”, afirma Vera Lúcia Moro dos Santos, mulher de Deusivaldo.

Deusivaldo guarda tudo na loja de móveis dele. São toneladas e mais toneladas de alimentos, roupas, calçados, brinquedos e cada pessoa ajuda como pode. Todo ano é assim, nos meses de novembro e dezembro, os móveis saem de cena e uma parte da loja é transformada num depósito de donativos. Aqui os voluntários trabalham todos os dias para separar e embalar tudo que será doado. Eles conferem a situação de cada peça, consertam as que precisam e lavam tudo.

A semana do Natal vai chegando e a correria vai aumentando e o Deusivaldo não se aguenta. Este ano 16 voluntários vão passar o Natal longe de casa. “É tudo de bom, é gratificante, eu acho que é um perfeito Natal. Porque o Natal pra gente é doação e isso é doação”, diz.

Caminhão carregado, equipe pronta é hora de pegar a estrada. De Olímpia até a primeira parada no Vale do Jequitinhonha serão 1.400 quilômetros. Os caminhões seguem juntos, cheios de mantimentos e de esperança.

A viagem é longa e cansativa e depois de um dia inteiro na estrada, a equipe chega em Montes Claros (MG) onde vai parar pra descansar. Com 1.300 quilômetros, segundo dia de viagem, a paisagem mostra que o Vale do Jequitinhonha chegou, com montanhas, muito verde, uma região muito bonita, mas também cheia de contrastes.

Na região onde o rio Jequitinhonha corre o sol do semiárido de Minas castiga a população, principalmente quem tira da terra o sustento para toda família. Na região, 900 mil pessoas vivem em 64 municípios e grande parte em situação de grande pobreza.

Dona Faustina tem 54 anos e tem problema no coração. Não aguenta mais trabalhar na roça e mora em uma casa pequena ainda de pau a pique no município de Salinas, tem 12 filhos e quase nada para comer. “Tem vez que os outros ajudam também, vem de longe, traz a coisas, uma coisinha assim”, diz.

A parada em Rubelita, as crianças se esticam tentando ganhar um brinquedo. Cauã tem 11 anos e nunca tinha ganhado um carrinho novo. “Os carrinhos que eu ganhava eram tudo quebrado, e esse é novinho, vou brincar direto”, afirma.

Os voluntários de Olímpia, ou amigos do Jequiti, como gostam de ser chamados, não seguem roteiro, apenas o coração. Na maioria das vezes voltam para o mesmo lugar e mesmo que de longe acaba acompanhando a vida de cada um. G1

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