Vela recebe direito a prisão domiciliar e volta pra casa

Cego dos dois olhos, o ex-detento conta que primeira coisa que fez ao sair foi usar colírio proibido pela direção do CDP de Riolândia

Se encontra em prisão domiciliar desde a noite da última quinta-feira o pedreiro aposentado José Carlos Padoan, mais conhecido como “Vela”, que estava encarcerado desde 10 de dezembro do ano passado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Riolândia, acusado de tráfico de drogas juntamente com seu filho de 21 anos.

Vela recebeu do juiz José Manuel Ferreira Filho o direito de esperar o julgamento em prisão domiciliar, especialmente devido ao seu estado de saúde fragilizado. O aposentado não tem a vista nos dois olhos, luta contra as debilitações de um traumatismo encefálico e contra a Hepatite C.

Em reportagem divulgada pelo O Jornal na edição de 13 de março, a família reclamava que Vela não estava recebendo o tratamento médico adequado dentro do presídio. A falta da entrega dos medicamentos como o colírio atropina, usado para aplacar a dor de cabeça e que não foi liberado pela direção do CDP para entrar na penitenciária, além da recusa em trazê-lo ao médico em Votuporanga, onde tinha consulta agendada, foram apontadas como as causas da piora do detento.

Vela conta que as dores o deixavam desesperado dentro do presídio, especialmente por causa da falta do colírio, causando ressecamento dos olhos. “A primeira coisa que fiz ao chegar foi pingar o colírio. Foi um alívio enorme”, conta ele no sofá de sua casa no bairro São João, onde mora com a mulher Leila Padoan, com quem é casado há quase 30 anos, e os filhos. “Falavam que não podiam fazer nada porque era medicamento restrito, mesmo tendo a receita médica”, revela.

O ex-detento conta também que demoravam de três quatro dias para que entregassem o medicamento para o controle da epilepsia e que somente uma vez foi consultado pelo médico do presídio. Durante o tempo em que esteve preso, apenas uma vez ele foi levado para ser consultado por um oftalmologista em Cardoso, que o encaminhou ao Hospital de Base (HB), mas Vela não chegou a ser levado até Rio Preto.

O problema de visão de Vela aconteceu após ele receber um chute na cabeça durante uma briga no bairro rural do Barreiro, em Votuporanga, no dia 22 de janeiro de 2012. Na ocasião ele estava com a família assistindo uma partida de futebol quando, após uma discussão, foi jogado no chão e teve a cabeça acertada por um chute.

Com o impacto do golpe, ele ficou com fraturas no maxilar e na região do nariz, além de apresentar uma forte hemorragia cerebral. No total foram colocados 78 pinos dentro da cabeça do pedreiro aposentado.

Restrito

Sobre a prisão domiciliar, Vela explica que ela é restritiva, e que ele só pode sair de casa para ir até o médico se consultar, e mesmo assim como uma permissão que precisa ser retirada por algum familiar no Fórum de Votuporanga.

“Não posso ir à igreja, não posso sair na rua em frente de casa, mas mesmo assim está melhor aqui do que lá no CDP”, admite.

Preocupação

Vela e Leila demonstram muita preocupação com o filho, que continua preso em uma das celas de Riolândia. A greve dos agentes penitenciários tem complicado o contato com os detentos, especialmente para a entrada de documentação.

De acordo com ele, mesmo saindo, a preocupação com o filho ainda o deixa ansioso. “Sai de lá alegre e triste, principalmente quando o meu filho começou a chorar. Ficou um pedaço meu ainda lá dentro”, diz Vela.

 CRED: Fotos: Alex Pelicer/O Jornal

‘Vela não irá descumprir regras da prisão domiciliar’, garante advogado

O advogado Cléber Costa Gonçalves dos Santos garante que Vela irá cumprir todas as regras da prisão domiciliar. Para o defensor, ele não tem condições físicas e de saúde de ficar na rua. “Ele está cego, com problemas de saúde. Nesta situação nem consegue sair de casa sozinho”, afirma Santos.

O defensor ecoa as palavras de Vela e de seus familiares, e garante que ele é inocente da acusação de tráfico de drogas. “Tenho certeza que ele será inocentado, e que a Justiça prevaleça.”

O julgamento de Vela e de seu filho está marcado para o dia 7 de abril. Caso seja considerado culpado, o pedreiro aposentado provavelmente continuará cumprindo a pena em casa. André Nonato/ O Jornal

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