Vários sinais ajudam no diagnóstico da esquizofrenia

Alucinações, perturbações em atenção, compreensão e fluxo de pensamento desordenado, esvaziamento afetivo e sintomas catatônicos são algumas das principais características da esquizofrenia. De acordo com um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde, em 24 cidades no mundo, São Paulo aparece com a cidade com maior incidência de casos de perturbações mentais, devido a alta urbanização e privações sociais. Daí o dado de que hoje, existem cerca de 1.5 mil esquizofrênicos vivendo nas ruas da Capital.

Segundo o psiquiatra Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, metade da população carcerária do País tem algum tipo de problema mental. “O mais grave é que dentro dos prontos-socorros, os médicos não estão preparados para atender esses pacientes”, diz.

Infelizmente, a esquizofrenia, que tem causas internas, afeta a vida de 1 a 3% da população mundial. Suas vítimas, em geral, são acometidas pelo primeiro surto na fase mais produtiva da vida, ou seja, embora também possa acontecer na infância, é mais comum entre os 17 e os 30 anos.

Desta forma, os números dão ideia da importância de se discutir o assunto no evento, que acontece no próximo dia 7, na Sociedade de Medicina e Cirurgia de Rio Preto, em que serão abordadas todos as informações que envolvem o tema, englobando à família em todas suas vertentes.

Para o psiquiatra Altino Bessa Marques, diretor do Hospital Bezerra de Menezes e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto, que organiza o evento, a melhor forma de evitar que a doença evolua, é adesão a um tratamento adequado – psicoterapia, psicofarmacoterapia e, principalmente, a terapia ocupacional – nos cinco primeiros anos de evolução da doença. “Esta é, hoje, a melhor forma de se evitar os piores desenlaces esquizofrênicos”, diz.

Segundo o psiquiatra, as doenças mentais estão a cada dia mais associadas ao emprego do maior consumo de substâncias lícitas (álcool) e ilícitas. “Elas têm trazido para mais cedo a incidência dos transtornos mentais; e, é possível também que portadores dos genes da doença, que nem manifestariam ao longo da vida, ao fazerem uso dessas substâncias colocam o ‘gene inativo para funcionar’, e passam à condição de ser mais uma pessoa com o transtorno”, afirma.

Serviço:

Evento discute a esquizofrenia, dia 7, no Clube dos Médicos, da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Rio Preto. Informações pelo telefone (17) 3227-7577.

Estresse na base da doença

Um estudo recém publicado pela psicóloga Regina Cláudia Barbosa da Silva, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apoonta que que alguns aspectos ajudam a caracterizar a presença da esquizofrenia, tais como alucinações e delírios, transtornos de pensamento e fala, perturbação das emoções e do afeto, déficits cognitivos, alogia (perda da lógica) e avolição (perda do querer).

Para Regina, embora existam correntes que tentam explicar a doença, já se constata a relação do estresse como um gatilho para o desencadeamento da esquizofrenia. Portanto, ela defende uma abordagem mais global ao tratamento do esquizofrênico, levando em conta não só a eliminação dos sintomas, mas também o controle e prevenção de fatores ambientais estressores.

Família sofre com paciente

A vida do segurança A.M.D., 35 anos, sempre foi marcada por transtornos psiquiátricos, conforme relata seus pais. Sua primeira crise aconteceu aos 17 anos, quando ainda era uma criança. Mas por ter se envolvido com drogas, muito cedo, chegou ao ‘fundo do poço’ durante uma crise de abstinência.
“Foi aí que teve sua primeira tentativa de suicídio, de lá para cá, já tentou outras duas vezes, e não fosse por uma interferência muito rápida da mãe dele, hoje não estaria mais entre nós.

Vive tendo crises em que precisa de internação. Quando está fora das crises é muito produtivo, trabalha e até leva uma vida normal, mas quando menos se espera, ele fica mal. O problema é que sempre abandona o tratamento. Já tentamos de tudo, sem falar de novos medicamentos e terapia. O que traz mais resultado é quando ele se envolve com artes. A gente sempre incentiva. Ele gosta muito de música, mas não prossegue.

É muito difícil a gente conviver com esta doença, porque além de não ter cura, é cercada de muito preconceito, ainda. Mas, como temos muito amor e carinho em família, a gente vai vivendo”, diz S.D., 68 anos, pai de A.M.D..
Na maioria dos casos de surto, a pessoa precisa ser internada por um período indeterminado, que pode durar poucos dias, meses ou anos.

“Se o paciente coloca em risco a vida dele e a de outra pessoa, ele precisa ser hospitalizado pelo tempo que for necessário”, diz o psiquiatra Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.O médico observa que o Brasil, como um todo, tem um atendimento deficitário no que tange a esta doença. “Só no município de São Paulo, de 15 a 20 internações de pacientes em surto não podem ser atendidas por dia. O serviço de atendimento móvel de urgência (Samu) não está preparado para atender essa população e chega a recusar esses pacientes”, diz.
Tratamento com injeção é opção

O psiquiatra Wilson Daher, de Rio Preto, afirma que dentre algumas opções de tratamento da doença, a que está mais corroborada pelos estudos é a medicação que objetiva baixar o nível de dopamina (neurotransmissor), que está presente em grandes quantidades no cérebro do portador da esquizofrenia. “Este tipo de tratamento é feito desde a década de 50, estão em uso e já apontam para maior controle da doença”, afirma.

Além disso, o médico explica ser imprescindível o acompanhamento concomitante do familiar, que tem de preservar sua saúde e equilíbrio mental, para poder dar assistência ao portador da esquizofrenia.
Medicamentos novos, como a paliperidona palmitato, na forma injetável, recém aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), melhorou significativamente os sintomas clínicos da doença, em especial em pacientes que não aderiam ao tratamento oral.

Segundo os psiquiatras Rodrigo Bressan, da Universidade Federal de São Paulo, e Helio Elkis, coordenador do Programa de Esquizofrenia do Hospital das Clínicas Universidade de São Paulo, o grande benefício desta medicação é reduzir a quantidade de cápsulas utilizadas pelos portadores de esquizofrenia, que em geral, terminam por esquecer e reincidem nas crises.

Daher afirma que as medicações atuais se igualam às mais antigas, em eficiência, e possuem a vantagem de oferecer a possibilidade de menores efeitos colaterais, o que facilita a adesão do paciente ao tratamento.

Além disto, a psicoterapia de uma forma geral é importante, quando exercida por terapeutas experientes neste campo. “Naturalmente, assim como os remédios não visam a cura, mas sim o controle da doença, a terapia visa ajudar o paciente a conhecer a realidade de seu estado, oferecendo-lhe subsídios para a reconciliação consigo mesmo,” diz.

 

Cecília Dionizio – Diário da Região

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password