UTI Neonatal está há 11 dias sem leite materno

Banco de Leite da Secretaria de Saúde não recebe a quantidade de doações necessárias para suprir a demanda do hospital

A Unidade de Terapia Intensiva – UTI Neonatal da Santa Casa de Votuporanga está sem leite materno há 11 dias. O estoque do banco de leite da cidade baixou e o hospital foi forçado a usar fórmulas infantis, que é caro e nem todo bebê prematuro aceita.

Para que a Unidade possa funcionar bem, são necessários 35 litros de leite materno por mês, no entanto, a média que o hospital recebe é de 1/3.

“Para garantir um bom estoque, o Banco de Leite Humano da Secretaria de Saúde, deve receber aproximadamente 6 litros por semana”, conta a médica Lara Galvani Greghi, neonatologista responsável pela UTI Neonatal.

“O leite materno é específico para amamentar o filho e é o melhor alimento para o bebê. No caso do prematuro, isso refletirá no melhor ganho de peso, imunidade e até mesmo na diminuição do tempo de internação, ou seja, haverá diversos benefícios. Vale ressaltar que qualquer mãe pode doar, basta passar pela triagem”, disse Lara.

A média também ressaltou que outro fator preocupante é que as mães de prematuros não conseguem suprir a necessidade de amamentar, por isso a importância de mães de bebês saudáveis doaram o leite.

“Ressaltamos que as mães que contribuem estão ajudando a salvar vidas e todos sabem qual é a alegria de ter o filho nos braços”, concluiu a neonatologista.

Comoção

A mãe Adrielly Cristina de Souza Pastor, de 16 anos, é da cidade de Mira Estrela e deu à luz a Laura Vitória no dia 14 de setembro. O bebê nasceu com 26 semanas (seis meses), na Santa Casa de Votuporanga, e precisa do leite materno todos os dias. Porém, o leite da mãe secou e ela conta com a ajuda de outras mulheres para amamentar a sua filha.

“No começo eu tinha bastante leite, e até tirava para doar aos outros bebês, mas aí, como minha filha fica aqui na UTI Neonatal, não havia estímulo e o meu leite secou”, contou.

Foi aí que Polyana Carvalho da Silva Waiteman, de 26 anos, que é de Pontes Gestal se propôs a ajudar. Polyana também tem seu filho internado na UTI Neonatal. O pequeno João Marcos da Silva Waiteman nasceu no dia 26 de setembro, com 28 semanas (6 meses e meio).

“Sinto que o que estou fazendo é mais do que minha obrigação, pois sei que estou matando a fome do meu filho e também de outros bebês. Fico muito feliz me sentindo útil como um ser humano e fazendo a minha parte”, disse Polyana.

Já Adrielly pede que outras mães façam o mesmo, doando o leite. “Espero que as mães se conscientizem de que também podem ajudar muitos bebês que precisam, inclusive a minha”.

Polyana e Adrielly passam o dia todo na Santa Casa e viajam de duas cidades todos os dias para cuidar dos filhos. Os bebês não têm data definida para sair da UTI Neonatal.  Isabela Jardinetti/A Cidade

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