Na tarde desta terça-feira, dia 7 de julho, a Santa Casa de Votuporanga foi palco de um dos momentos mais emocionantes de sua história. Um gesto silencioso, porém grandioso, transformou o luto de uma família em esperança para cinco outras: o piloto votuporanguense Antonio Marcos Pinheiro Pinto, ou simplesmente, Comandante Pinheiro, de 62 anos, que dedicou a vida aos céus, realizou seu último voo a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) — desta vez, como doador de órgãos. Pinheiro era presidente do Aeroclube de Votuporanga desde 1993.
A doação foi possível graças ao trabalho da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), em parceria com a Organização de Procura de Órgãos de São José do Rio Preto (OPO-SJRP). Foram captados córneas, rins e fígado, que agora darão uma nova chance de vida a cinco pacientes que aguardavam na fila nacional de transplantes.
O que tornou a história ainda mais simbólica foi o transporte dos órgãos: um avião da FAB foi acionado para garantir rapidez e segurança na logística — e, ao mesmo tempo, homenagear a trajetória do doador, que atuou como piloto por mais de 30 anos. “Ele voou pela última vez, e levou com ele a esperança que agora chega a outras famílias”, disse uma das integrantes da equipe de captação.
A doação não foi uma decisão tomada em meio à dor, mas sim um desejo antigo do próprio piloto, segundo relatou sua esposa Rosana Pinheiro.
“Sempre foi um desejo dele fazer a doação de órgãos. Ele dizia que, se pudesse ajudar outras pessoas depois da morte, queria muito isso. Toda a família consentiu. Ele era uma pessoa muito boa… Tenho certeza de que ele ficaria feliz em saber que ajudou alguém, mesmo depois da partida.”, disse em reportagem ao Diário de Votuporanga
Ela descreveu o gesto como um tributo à vida que ele viveu — com generosidade, caráter e paixão pelos céus.
“Espero que ele esteja lá em cima, fazendo o que mais amava: voando.”
A logística da captação envolveu equipes da Emergência, UTI, Centro Cirúrgico, CIHDOTT, Administração da Santa Casa e a Central de Transplantes. A operação foi realizada com máxima agilidade para garantir a viabilidade dos órgãos, respeitando todos os critérios técnicos e humanos do processo.
A enfermeira Fernanda Medeiros, da CIHDOTT, destacou a importância da conversa em vida sobre a doação:
“A autorização da família é indispensável. Por isso, é essencial falar sobre isso antes. Essa decisão pode transformar destinos inteiros.”
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 65 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo a maioria delas na fila por rins, córneas e fígado. A atitude da família do piloto votuporanguense agora se soma à corrente de solidariedade que salva milhares de vidas todos os anos no país.
Esse gesto, marcado por amor e empatia, entra para a história da Santa Casa de Votuporanga como um exemplo de humanidade e generosidade. E nos céus, talvez, um novo voo tenha começado — conduzido por quem sempre soube transformar trajetórias em esperança.












