Travesti morto tinha ‘medo’ dos crimes cometidos na região

O assassinato de dois travestis numa mesma madrugada em que outros dois ficaram feridos, todos atingidos por um mesmo homem, levou Marcos Gustavo da Silva, de 21 anos, a trocar Rio Preto por Votuporanga. E foi em Votuporanga que Marcos, conhecido como “Vitória”, encontrou o mesmo destino dos travestis.

O crime aconteceu na madrugada do último domingo. Marcos Gustavo da Silva foi encontrado morto por volta das 5h30, com vários golpes de faca, em um tereno no bairro Jardim das Palmeiras II. O local é conhecido como ponto de prostituição. A vítima foi enterrada ontem de manhã no município de Tanabi, onde morava.

De acordo com a Polícia Militar, um travesti que estava próximo ao local afirmou ter visto a vítima discutindo com um possível cliente momentos antes do crime. Segundo a tia da vítima, que não quis se identificar, Vitória fazia programas sexuais em Rio Preto há dois anos, mas há 15 dias, após os ataques, decidiu mudar de cidade. A tia da vítima está revoltada com a crueldade do crime. “Meu sobrinho tinha medo de violência, por isso fugiu dela, mas a violência achou ele.”

De acordo com um amigo da vítima, Vitória saiu de Rio Preto na mesma semana dos crimes de agosto e desde então não tiveram mais contato. O corpo foi encontrado abandonado. Ele estava seminu e com várias perfurações na região do pescoço e do órgão genital. O delegado, João Donizete Rossini, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), afirmou que ainda não tem pistas do assassino. A investigação inclui todas as possibilidades, inclusive crime homofóbico, motivado por preconceito sobre a opção sexual da vítima.
A família do rapaz afirmou que ele não tinha envolvimento com drogas e que tinha muitos amigos por onde passava. Disseram desconhecer qualquer inimizade da vítima. A tia do jovem afirmou que toda a família e amigos esperam por justiça. “Não queremos que outras famílias passem por esse sofrimento.” Ela afirmou ainda que ele era muito próximo e sempre estava na cidade de Tanabi, onde nasceu e foi enterrado. “Ele era a alegria da nossa família. Tiraram nossa vontade de viver.”
Rio Preto
No dia 15 de agosto passado, um atirador disparou friamente contra quatro travestis em Rio Preto. Dois deles – atingidos à queima-roupa no peito e no queixo, respectivamente – tiveram morte instantânea. Os outros dois só não morreram porque falavam ao celular no momento do disparo e foram protegidos pelo aparelho.
Dois dias depois do crime, a polícia prendeu o ex-policial militar Benedito de Jesus Carvalho, de 50 anos, acusado de ter cometido o duplo homicídio por encomenda do travesti Fabrício Domingues da Silva, 31 anos, a Tayla. As vítimas teriam sido mortas porque não admitiam ser extorquidas por Tayla.

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