Especialistas abordam sobre o trânsito de Votuporanga

Congestionamentos, acidentes, desrespeito às faixas de pedestre, falta de ciclovias… Trafegar em Votuporanga, principalmente no centro e em horários de pico, vésperas de feriado e sábados, é uma tarefa complicada. Segundo dados da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), a frota de veículos em Votuporanga aumenta cerca de 5% por ano. Dados do IBGE apontam 65 mil veículos na cidade, sendo que 1/3 são motocicletas.

O município possuiu 84.728 habitantes, ou seja, 1,5 veículo para cada duas pessoas. Por mês, ocorrem cerca de cem acidentes com vítimas (80% são motociclistas), um índice alto, dadas as proporções da cidade.

Estamos a caminho do caos? É possível resolver a questão do trânsito sem frear o crescimento populacional e econômico?  “Votuporanga ainda está longe de uma situação caótica. Temos, sim, um cenário de perigo, porque ainda faltam investimentos em termos de hierarquização viária, que permita uma circulação mais fluida”, afirma o arquiteto e urbanista Gustavo Fava.

Ele aponta que  a mobilidade urbana é contemplada quando um conjunto de fatores se harmoniza: transporte público eficiente, infraestrutura viária, engenharia de trânsito, planejamento urbano, uso de meios de transporte alternativos (como bondes e bicicletas) e uso racional do automóvel (carros compactos, motorizações de maior eficiência e menor consumo e combustíveis alternativos).  “A cidade tem que crescer em torno do encontro das duas principais rodovias (Euclides da Cunha e Péricles Belini); é preciso facilitar o acesso a esses dois eixos, criando mais dispositivos como pontilhões, por exemplo. Outra opção é adotar o bonde, que é elétrico, durável, de simples manutenção e não polui. Em Innsbruck, na Áustria, os bondes são ultramodernos e eficientes, ninguém vai ao centro da cidade de carro”.

Fava ressalta que o modelo de crescimento econômico no Brasil é muito fundamentado no transporte individual. Ele defende o uso dos automóveis para viagem ou para se chegar a um ponto determinado onde há transporte coletivo. “A ideia não é radicalizar o uso dos automóveis, até porque a indústria automobilística é importantíssima para a economia do país, mas integrar pedestres, ciclistas, veículos, ônibus ou bondes.

 

Já existe em Votuporanga uma proposta de criar múltiplos anéis de circulação. O pensamento de estruturação do sistema viário é antigo, mas quando o orçamento público permitiu que se investisse, a verba foi direcionada para correção e ampliação da infraestrutura básica. Agora, naturalmente, chegou a hora de se pensar em projetos ousados em termos de circulação, seja com gestão pública, privada ou mista”.

O arquiteto e urbanista acredita que, quando os novos loteamentos previstos para a cidade tomarem forma, ficará evidente a necessidade de se implantar um sistema mais fluido de circulação. “Será preciso expedir diretrizes viárias para esses novos loteamentos, criar um entreposto de embarque e desembarque para veículos pesados, entre outras ações”.

 

Disputa por espaço

Para o secretário municipal de obras, arquiteto e urbanista Jorge Seba, o que ocorre no trânsito de Votuporanga é uma disputa por espaços. “O pode público estabelece prioridades; em primeiro lugar vem o pedestre, depois os veículos. Tudo se resolveria se os motoristas fossem disciplinados”, diz. Seba considera a mobilidade urbana de Votuporanga saudável, mas reconhece que pode ser melhor. “Temos ruas bem sinalizadas; a fiscalização poderia ser mais ostensiva, mas não temos como frear a imprudência. A saída é investir na educação e disciplina dos motoristas. É preciso uma campanha mais abrangente, a nível nacional”.

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