TRAGÉDIA: as três vidas que a queda do monomotor levou

Allyson Lima dos Santos Verciano, 33 anos, era um médico apaixonado pela família. Caique Costa Caciolato, 25, era um “menino” empresário jogador de paintball com futuro promissor. William Rayes Sakr Pessoa era dos negócios há vários anos e pai de família, tendo criado quatro filhos. Na manhã desta segunda-feira, 9, os três morreram e todos os planos que faziam foram interrompidos. Nas redes sociais, foram inúmeras as manifestações de dor e saudade para os três e seus familiares.

A viagem para Tangará da Serra (MT) começou no sábado, 7. Na ida, no avião também estava a irmã de Allyson, a também médica Andyara, que naquele dia completava 27 anos. Os dois visitariam a família, enquanto Caique aproveitaria a viagem para verificar a possibilidade de ampliar a rede Açaí de Rua, da qual era proprietário. Junto com William, ele tinha o Espaço Philadelpho, dedicado a food trucks.

Além de médico, Alyson era dono de uma unidade do Açaí de Rua, que ficava em Tangará da Serra. Na volta, Andyara não estava no avião. O pai deles gravou um vídeo dos três deixando a cidade mato-grossense na manhã desta segunda-feira.

Jonathan Yamashita, 23 anos, que trabalha com marketing em Toronto, no Canadá, considera Allyson um irmão – os pais dos dois se conhecem há mais de 20 anos. “Seu sonho sempre foi ser médico”, recorda. A lembrança que fica do amigo é de alguém que amava o que fazia. “Amava ajudar as pessoas e era querido por todos pela sua simpatia e caráter.”

Allyson era solteiro, não tinha filhos e era o filho mais velho de três irmãos – Andyara, a mais nova, que ajudou a formar-se médica, e Anderson, o filho do meio. Allyson atuou como médico em hospitais como Beneficência Portuguesa, onde fazia residência em cirurgia cardíaca.

A técnica em segurança do trabalho Kelly Azevedo, de 32 anos, conhece Caique desde que eram crianças. Ele era filho único e há mais de um ano namorava uma jovem de Rio Preto. Morou por anos em Aparecida d’Oeste, saindo de lá há cerca de 12 anos. “Vai deixar as melhores lembranças possíveis, de um rapaz alegre, corajoso, capaz. Sempre tive um amor muito grande por ele. Aproveitamos muito nossa infância e sempre que vinha para cá saíamos juntos”, conta Kelly, que foi vizinha do rapaz.

Ao ver o corpo de Caique já dentro do carro funerário, sua mãe, Renata, abalada e inconformada, gritava: “Por que eu não posso ver? Deus, por que fez isso?” As famílias puderam ver as vítimas apenas no IML.

A noiva de Caique, que preferiu não dar entrevista, conversou com ele antes da queda. Ela contou para familiares que ele teria dito que chegaria em 15 minutos. “Nós íamos almoçar. Depois disso, fiquei ligando e o celular não atendeu mais”, afirmou.

O veterinário Rodrigo Mendonça Garcia era amigo das três vítimas e lembra com carinho dos companheiros. Segundo ele, Allyson participou da cirurgia do guarda civil municipal Cleyton Gomes, 32 anos, que ficou ferido em 15 de julho durante assalto a uma joalheria no Centro de Rio Preto. Ele foi baleado no braço e na perna direita, que precisou ser parcialmente amputada. Sobre Caique, diz que “era ambicioso do jeito mais gentil e honesto possível. Moleque novo, sorridente cheio de boa vontade. Não negava nada para ninguém.”

O piloto William comandava a rede de hotéis Sakr, uma pousada e um hotel fazenda que ficavam em Penápolis, além de uma indústria. Casado com Solange Reple Teixeira Sakr, William vivia em Rio Preto há mais de 10 anos, onde criou seus quatro filhos: William, Guilherme, Bill e Carolina, no Jardim Vivendas.

Despedidas

O corpo de Caique será enterrado nesta terça-feira, 10, no Cemitério Jardim da Paz, às 14h. O corpo de William será sepultado no mesmo local às 17h. Já a família de Allyson, do Mato Grosso, até as 20h30 não havia chegado à funerária, por conta da distância, para seguir com os trâmites.

(Colaboraram Arthur Avila e Nany Fadil)

 

ReproduçãoPiloto William
Piloto William (Foto: Reprodução)

 

Piloto já havia caído de avião

Apaixonado por aviação, p piloto William Rayes Sakr já havia sofrido acidente aéreo no dia 19 de janeiro de 2011, quando caiu no loteamento Vista Alegre, próximo à Vila Azul, em Rio Preto.

Na ocasião, ele pilotava um monomotor também modelo Bonanza, de prefixo PP-BIL, que havia decolado de um aeroporto particular na fazenda Santa Inês, com cinco ocupantes, todos da mesma família, que ficaram levemente feridos com o acidente.

O destino na ocasião era Guarapari, no litoral do Espírito Santo, e Willian teria dito aos Bombeiros que o avião caiu logo após a decolagem porque não conseguiu alcançar altitude suficiente. Willian só conseguiu parar 40 metros distante da queda, ao atingir o muro de uma chácara onde não morava ninguém.

À época, a Agência Nacional de Aviação (Anac) informou que a aeronave estava irregular, com documentação vencida, e, portanto, não poderia levantar voo.

Para os amigos de longa data Sergio Marão Lourenço e Patricia Doria Lourenço, William era símbolo de pai e família. “Ele fazia de tudo pelos filhos e pelo neto de 1 ano, fruto do casamento de seu filho mais velho”, disse a amiga.

Além dos negócios e da família, a paixão de William era a aviação. “Sempre gostou muito de helicóptero, de avião”, contou Patricia. “Era um prazer para ele voar”, disse.

(Colaboraram Victor Stok e Arthur Avila)

diarioweb.com.br

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