TJ condena mais uma médica pela morte de Luana no HB

A médica Flávia Leite Souza Santos foi condenada pelo Tribunal de Justiça (TJ) por homicídio culposo (sem intenção de matar) no caso Luana Neves Ribeiro, morta aos 21 anos em 2011 durante processo de doação de medula óssea no Hospital de Base (HB), em Rio Preto. Pela decisão de dois dos três desembargadores da 11ª Câmara Criminal do TJ, a pena de Flávia foi fixada em dois anos e oito meses de prisão em regime aberto, substituída pelo pagamento de dez salários mínimos aos familiares da vítima e de um salário mínimo a entidade social – um total de R$ 6 mil, em valores não corrigidos.

A médica havia sido absolvida há um ano pela 3ª Vara Criminal de Rio Preto. Ela foi a responsável pela introdução do cateter na veia jugular de Luana para colher a medula. O aparelho, no entanto, perfurou a veia e provocou hemorragia. Já a pena da médica Érika Rodrigues Pones Dellate passou de dois anos para dois anos e oito meses de prisão, também por homicídio culposo, substituída pelo pagamento de dez salários mínimos à família de Luana e um salário a uma entidade, mesmo valor a ser pago por Flávia, conforme o resumo do acórdão obtido pelo Diário.

Em primeira instância, ela havia sido condenada ao pagamento de 31 salários no total. Érika, segundo a denúncia do Ministério Público, foi quem ficou responsável por acompanhar o estado de saúde após o procedimento de colocação do cateter para posterior doação da medula. A médica, de acordo com a denúncia, liberou a paciente após a realização do raio X. Luana foi então para o hotel onde estava hospedada e duas horas depois já estava novamente no hospital com muita dor, pressão baixa, diarreia e suor excessivo.

De acordo com os peritos, são sintomas clássicos de hemorragia, em se tratando de uma paciente que passou por um procedimento cirúrgico horas antes. Mesmo assim, a médica, após avaliar a paciente, não diagnosticou a hemorragia e receitou soro fisiológico e remédio para dor de estômago. Minutos depois de a médica deixar o hospital, Luana teve uma parada respiratória e morreu. A íntegra do acórdão ainda não foi publicada pelo TJ. O processo tramita em segredo judicial.

A advogada de Flávia, Maria Claudia de Seixas, disse nesta segunda-feira, 11, que vai impetrar recurso ao próprio Tribunal. “Como a decisão foi por dois votos a um, cabem embargos infringentes”, disse. Os advogados de Érika não foram localizados. Após a morte de Luana, o Hospital de Base admitiu falha durante o procedimento e criou novos protocolos para doadores de medula. Há ainda uma ação judicial cível em que a mãe de Luana, Cirça Aparecida Neves de Oliveira, de Promissão, pede ao HB e às médicas indenização de R$ 100 mil por danos morais. O processo ainda não foi julgado em primeira instância.

Diário da Região

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password