Tempos de incertezas na economia ‘azedam’ 2015

Especialistas e lideranças empresariais são unânimes em dizer que as perspectivas para o ano que vem não são boas. Inflação, menos emprego, mais gastos: tudo isso vai atrapalhar a economia.

Mais gastos, menos emprego e as mesmas dificuldades do segundo semestre de 2014. Faltam perspectivas e sobram incertezas para o próximo ano, segundo especialistas e líderes empresariais da região e do Brasil. O fantasma de uma recessão, ainda que moderada, paira sobre a economia, que tenta driblar o descontrole dos gastos públicos e a alta da inflação com soluções não muito claras sinalizadas pelo governo Dilma Rousseff.

As expectativas para os próximos meses não são muito boas, em especial na questão da inflação. Dezembro continua sendo um mês de consumo forte, o que influencia diretamente nos preços. “Além disso, o governo deve promover novos reajustes nos próximos meses que também terão impacto nos alimentos. Água, energia, combustíveis, pode aguardar novos aumentos para 2015”, afirma o economista Hipólito Martins Filho, das Faculdades Integradas Dom Pedro 2º.

As taxas de emprego sofreram um grande impacto negativo no Estado de São Paulo neste ano, e nada indica uma recuperação no primeiro semestre de 2015. No Noroeste Paulista, os resultados da indústria foram trágicos: quase 9 mil postos de trabalho a menos nos últimos 12 meses, pegando ainda um resquício do final de 2013. Comércio e setor de serviços conseguiram equilibrar a balança até onde deu, mas começaram a registrar mais dispensas do que contratações no último trimestre em Rio Preto.

“Não poderia haver situação mais complicada para quem produz no País atualmente. Os nossos problemas industriais são reflexo dos desajustes estruturais da economia nacional, com inflação subindo, juros na estratosfera, dólar muito alto e uma carga tributária asfixiante que, em vez de cair, sobe em muitos casos. Estamos vivendo um cenário típico de desestímulo à produção e ao investimento”, reclama Luiz Fernando Lucas, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Para ele, a consequência mais perversa é o esfarelamento da indústria é o aumento do desemprego, que deve continuar alto no setor diante da incerteza institucional e econômica que marca a transição entre os dois mandatos da presidente Dilma Rousseff. “A indicação de Joaquim Levy (futuro ministro da Fazenda) é um alento, mas as condições adversas do cenário macroeconômico continuam. Ainda não vimos nenhuma sinalização de que problemas graves que entravam a produção serão atacados, como a pesada carga tributária, logística cara e crédito quase inacessível de tão alto. Como investir e crescer desse jeito? O próximo ano é um grande ponto de interrogação.

Não sabemos o que esperar.” Lucas ecoa o sentimento de um segmento que se assusta com o tamanho da crise. Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, alerta que as condições para a indústria do País em 2015 se mostram “péssimas” e requerem um trabalho “fantasticamente grande” de recuperação desse setor que, segundo ele, “é fator essencial” para retomar o crescimento da economia do País. “A avaliação do diretor, a quebra do setor manufatureiro, até mais intensa que o previsto pela federação, apresenta um prenúncio “da dificuldade que será de puxar a indústria para cima.”

Cenário pode piorar com volta da CPMF

E a coisa piora ainda mais quando se sabe que governadores de Estados se articulam para ressuscitar mais um imposto – com o discreto apoio do Palácio do Planalto. Sem dinheiro em caixa, querem a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), considerada por economistas de esquerda e de direita um aberração tributária altamente prejudicial à atividade econômica que foi cobrada até o fim de 2007.

Criada em 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso, como “imposto do cheque” para financiar programas na área de saúde, com vigência por tempo limitado, essa contribuição foi sendo sistematicamente renovada e sua alíquota, inicialmente de 0,20% sobre todas as operações bancárias, chegou a 0,38%, até que o Senado a extinguiu. Seu uso foi sendo desvirtuado de tal forma que perdeu o sentido original – se é que algum dia teve algum sentido além de encarecer a produção e detonar ainda mais as finanças dos contribuintes.

E quem ainda contava com um bom desempenho do setor de serviços vai se decepcionando. A receita não consegue mais compensar a inflação do período e, menos ainda, a inflação do próprio setor (que está algo em torno de 7% em 12 meses). A perspectiva é de estagnação. E pensar que muita, mas muita gente pediu para que 2014 acabasse logo.

Pessimismo é generalizado

O pessimismo também dá o tom em análises mais amplas sobre a economia brasileira. “Existe a leitura comum entre todos os agentes quanto a alguns dados e informações: o Produto Interno Bruto (PIB), muito próximo de zero, mostrando uma estagnação na atividade econômica do País. A inflação ficou no limite superior da meta inflacionária e há uma situação fiscal grave do governo em comparação aos anos anteriores.

O segmento externo não apresenta um resultado de transações correntes favorável ao País”, afirma o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Celso Pascalicchio. O especialista diz que a receita básica para combater a retração econômica não é segredo: buscar o controle da inflação, adequar novamente o resultado primário do governo, evitar uma recessão econômica – taxas negativas de crescimento para o Brasil – e, finalmente, preparar um cenário positivo de crescimento para o País.

Entre os comerciantes, a palavra-chave para 2015 é cautela, como salientou Adriana Neves, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp) em entrevista na edição de ontem do Diário. Preocupada, ela crê que em um cenário difícil para o primeiro semestre, em que os empresários terão de trabalhar muito mais para obter resultados expressivos, ainda que com margens de lucro mais apertadas.

“Não há alternativa senão aumentar a eficiência do serviço e reduzir custos ao máximo em tempos de economia mais fraca, e isso vale principalmente para micros, pequenos e médios empresários, que são os que mais sofrem com a crise”, diz a líder empresarial. Mas nem isso está sendo suficiente para ao menos sacudir o empresário e empurrá-lo para longe da letargia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avisou que o nível de confiança do empresário industrial atingiu o nível mais baixo dos últimos 15 anos. A desconfiança no futuro é geral e preocupante. DiárioWeb

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