Superlua domina o céu nesta segunda-feira

A música “Luar do Sertão”, composta por João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, pode ilustrar o espetáculo que acontece no céu nesta segunda-feira, 14. A superlua aumentará em 14% o tamanho e em 30% o brilho do satélite em relação a uma cheia comum – pelo menos para quem olhar para ele. E vem não apenas para iluminar o sertão, mas todo o mundo de maneira bem mais intensa. O fenômeno não é incomum, mas a Lua não fica tão perto da Terra desde 1948, há 68 anos.

Nesta segunda-feira ela passará a 355,6 mil quilômetros do planeta – menos do que a média de 384 mil quilômetros (a distância considerada é a centro a centro). O momento de maior proximidade entre Terra e satélite durante a órbita é conhecido pela astronomia como “perigeu”. Já na noite deste domingo, 13, será possível perceber o fenômeno que toma o céu pela segunda vez neste ano. Quem acordar uma hora e meia antes do nascer do Sol – que deve aparecer às 5h29 -, ou seja, às 4 horas, já pode acompanhar o espetáculo.

A última Superlua aconteceu em outubro e a próxima será em 14 de dezembro, mas não com tanta força quanto a deste mês. Essa diferença se explica pela astronomia: um perigeu, ainda que durante a lua cheia, não é igual ao outro. Algo igual à Lua de segunda só deve voltar a ocorrer em 2034, ou seja, daqui a 18 anos. De acordo com Alexandre Neves, astrônomo, físico e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a superlua acontece durante a fase cheia, que é quando a Terra está entre o satélite e o Sol.

Os raios dele incidem sobre a Lua, que tem seu disco completamente iluminado. “É comum, tem todos os anos praticamente. Não vai ter muita diferença de outros, a Lua vai estar muito grande e bonita”, diz. Segundo o site Climatempo, a última vez que o satélite ficou tão próximo do planeta e com uma luz tão forte foi em 1912. Nesta segunda, às 12h21 a distância entre Terra e Lua será de 355,6 mil quilômetros e o disco lunar estará 99,98% iluminado. Às 11h52 acontece a transição da fase crescente para a cheia.

A previsão é de que no domingo e na segunda-feira o céu esteja nublado e ocorram pancadas de chuva, com poucas aparições do Sol. Em média, as luas ficam cheias no perigeu (mais próximas da Terra) a cada 13 meses e 18 dias. Neste ano, isso aconteceu três meses seguidos – normalmente ela passa perto do planeta em outras fases (nova, crescente ou minguante). “Não significa que a distância é a mesma. Um perigeu pode ser mais próximo que outro”, explica Alexandre. A Lua gira de forma elíptica, ou seja, oval, em torno da Terra, o que significa que a distância das duas durante o trajeto não é uniforme.

O normal é que nesse caminho sua distância do planeta varie entre 356,5 mil quilômetros 408 mil quilômetros (momento chamado de apogeu, quando está mais longe). Como a Terra também gira, o alinhamento perfeito entre ela, o satélite e o Sol não acontece todos os meses. A Lua completa seu ciclo ao redor da Terra a cada 29 dias e meio e o planeta dá um giro completo ao redor do Sol a cada ano. Durante esta superlua, à 01h29, a distância entre ela e a região de Rio Preto será de 351,8 mil quilômetros.

Melhor horário

O melhor horário para vê-la, no entanto, é durante seu nascer, olhando para o horizonte a partir das 19h20. “Fica enorme no céu. É um fenômeno bonito de se ver”, diz Alexandre. O astrônomo amador Nelson Falsarella aconselha as pessoas a acompanharem o acontecimento a olho nu – o telescópio tira um pouco do efeito pois aproxima o satélite. Para quem gosta de fotografar, o aparecimento da Lua no horizonte no início da noite pode render boas imagens. Tanto Falsarella quanto Neves explicam que neste fenômeno astronômico específico não faz diferença se o observador está em um lugar urbanizado ou um campo. “É um astro muito brilhante, reflete muito a luz do Sol. As pessoas vão se encantar da mesma forma”, diz Neves.

Millena Grigoleti – diarioweb.com.br

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