Sete pecados capitais da não classificação do CAV

Durante toda a temporada, foi dito, escrito e mostrado que o Clube Atlético Votuporanguense tinha tudo para conquistar o acesso para a Série A2. Mas por uma gama de fatores, erros dentro e fora de campo, o que era esperança se transformou em frustração dos torcedores e diretores. Os sete “pecados capitais” da Alvinegra incluem problemas na formação do elenco, clima tenso nos bastidores que por fim, extravasaram contra a própria torcida.

Ira
A relação entre o time e a torcida, um dos pontos fortes em temporadas passadas, foi conturbada neste ano. Em duas situações, a cobrança pelo não rendimento do time causou ira em parte do elenco e virou até caso de polícia, inclusive com agressões físicas. Na primeira confusão, torcedores foram até o treino para cobrar mais comprometimento do time. A revolta se deu após um torcedor chorar ao vivo no microfone da Rádio Cidade, em partida realizada em São Paulo, após se sentir esnobado pelos jogadores, na chegada ao estádio. A cobrança veio após atividade em Votuporanga, foi feita na entrada do vestiário, e terminou em agressão por parte de um funcionário do CAV. O tumulto terminou após empurrões e com a presença maciça da polícia no estádio. Mas o estopim, o verdadeiro “fundo do poço” da relação do elenco com a torcida, aconteceu após a derrota para o Flamengo. Na saída de campo, xingamentos e agressões no alambrado. Jogadores deixaram o estádio apenas com escolta da Polícia Militar. Além desses edpisódios, vale lembrar o ocorrido após a derrota para o Novorizontino por 2 a 1, com gol aos 51 minutos do segundo tempo, que deu a vitória ao Tigre. Jogadores e comissão técnica partiram para cima da arbitragem, que relatou ameaças na súmula.

Inveja
A briga por posições, prestígio e poder nos bastidores do CAV também influenciou no rendimento do time. O principal atrito foi entre o gerente Luís Cortillazzi , o Luisão e o diretor Elton Marcel da Silva, o Tatuí.  Após a derrota por 2 a 1 para o Flamengo de Guarulhos em casa, o pai de um dos sócios do clube, José Carlos Melo, apontou erros e culpou a situação pelo fiasco do time. “Houve um racha na diretoria quando foi contratado este menino (Luisão), que não fez um bom trabalho. Acho que a culpa maior é nossa, da diretoria, por dar poderes extraordinários a este gerente que fez e desfez. Temos 35 jogadores inscritos e não tínhamos um volante para entrar no final do jogo. Foram feitas contratações erradas. Erramos no primeiro dia, quando o gerente chegou e disse que era o Tatuí ou ele no time. Isso, quando tinha terminado a inscrição dos atletas. Se ele fosse embora, levava 14 jogadores junto. Tivemos que abaixar, ajoelhar e pedir, fique! Tiramos o Tatuí e deixamos o Luisão. Tiramos uma pessoa nossa para satisfazer a vontade do gerente de futebol”, falou José Carlos Melo. 

Gula
O plantel da Votuporanguense 2014 foi inchado, e como os resultados não vieram, os critérios desta “gula” de contratação de jogadores são questionáveis. Segundo levantamento feito pelo A Cidade, 39 jogadores (talvez até mais) fizeram parte do elenco da Alvinegra desde o início da temporada, em novembro de 2013. Nomes como o volante Jeovânio, o goleiro Darci, o lateral-esquerdo Kauê e o atacante Abraão Lincoln, vieram com promessa de resolver. Porém, com exceção do homem da camisa um e capitão do time, que atuou em todos os jogos da Alvinegra, tomando 23 gols, o restante não rendeu e nem participou ativamente da campanha do time. A maioria ficou apenas no nome. Outros que também chegaram “badalados”, como o jovem atacante Ceará, que veio com status de artilheiro da Copa São Paulo, o meia Edson Café, e o camisa 10 Willian, passaram em branco no CAV. Prova que nome só não ganha jogo.

Vaidade
Foi na noite de 12 de março, na goleada de 4 a 1 em cima do São Carlos, que a vaidade entrou em campo no Estádio Municipal Plínio Marin. A Alvinegra estava pressionada para encarar o adversário, por vir de derrota por 2 a 0 para o Água Santa. Em partida noturna, o time se redimiu e goleou. O jogo poderia ter selado a paz, mas ao invés disso, o que se viu foi uma postura questionável dos atletas. Ao término da partida, todos os jogadores se negaram a dar entrevistas para as emissoras de rádio, alegando que não falariam com a imprensa naquele dia. O fato incomodou, principalmente aos repórteres que no dia a dia, cobrem tudo que acontece no time, levam as notícias aos apaixonados torcedores e são os principais incentivadores do futebol. Ironicamente, nos vestiários, os atletas quebraram a “regra” e falaram exclusivamente com três emissoras de televisão. Apenas Ricardo Pinto falou com as rádios, após interferência da diretoria.

Preguiça
Ficou nítido, principalmente no segundo tempo, que a Votuporanguense sofria em campo fisicamente. Inacreditável, pois desde a apresentação, em novembro, parte do elenco já treinava aos cuidados do preparador Gustavo Shiroma, que inclusive, antes da estréia chegou a afirmar que o time “estava 100% para a competição”. Apesar disso, a Alvinegra perdeu o gás e pontos importantes na segunda etapa, como por exemplo, nas derrotas contra o Sertãozinho, Flamengo de Guarulhos e Novorizontino, e em empates contra o Independente e Rio Preto. Sem contar os recuos do time para a defesa, sempre que estava à frente no placar, e preferia se defender, ao invés de avançar para marcar mais um e matar de vez o jogo.

Avareza
O apego exagerado por determinada coisa é sinônimo de avareza. No caso da Votuporanguense, isso pode ser observado na troca do treinador, que muitos consideraram tardia. Fransérgio Ferreira comandou o time durante toda a pré-temporada, mas a postura defensiva, optando na maioria das vezes por três zagueiros, desagradou boa parte da torcida. Com ele o time começou com vitórias contra Inter de Limeira e Juventus, mas as derrotas para o rebaixado América, para o Sertãozinho e os sofríveis empates contra a Santacruzense, São José e Cotia motivaram a saída do treinador. Porém, a decisão não foi da diretoria, mas do próprio Fransérgio, que alegou motivos pessoais. Ricardo Pinto assumiu contra o Água Santa, na derrota por 2 a 0.

Luxúria
Este pecado capital está ligado a buscas banais por realização pessoal e corrupção de costumes, mas no CAV, pode ser levado em conta com relação ao investimento feito para que o elenco chegasse ao topo. Foi nítido que a organização foi maior. Tínhamos gerente, diretor de marketing, um presidente atuante e finalmente fora da sombra do empresário angolano, e mais, amparado por cotistas totalmente votuporanguenses. E a diretoria não mediu esforços. Fechou parceria de uniforme com uma empresa conceituada, investiu em evento de apresentação, promoveu a mascote, a Pantera Negra. Nosso time sempre viajou na véspera, se hospedou em bons hotéis, com conforto. E alguns jogadores, no período em que estiveram em Votuporanga, chegaram a morar em quartos de hotéis da cidade, financiados pelo clube. Nossos atletas tiveram transporte, alimentação, salário em dia. Um site foi criado para aproximar o time da torcida na internet. A imprensa foi bem tratada nas cabines, com lanches, água, escalação, apesar da figura do assessor de imprensa, ou assessor de comunicação, ainda se fazer necessária. Tivemos sistema de som e holofotes para jogos noturnos. Ao fim do investimento, o resultado sonhado não veio. Hora de refazer as contas e pensar no time para a Copa São Paulo, e a busca do acesso para a Série A2 em 2015. Os pecados devem ficar para trás, mas sem esquecimento. Deve servir de trampolim, experiência. Foi assim que após três tentativas, o CAV conseguiu ser campeão em 2012, e conquistou seu primeiro e inesquecível acesso. Jociano Garofolo A Cidade

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