Sequestrador se entrega à Polícia após 17 horas em Onda Verde

Libertado depois de ser mantido refém por 18 horas – das 12h30 de sábado às 6h30 de domingo – o vidraceiro Moacir Henrique Catanoce, de 30 anos, disse ontem ao Diário que o homem que o ameaçava comeu até carne crua, enquanto segurava o tempo todo uma faca encostada nas suas costas. O crime aconteceu em Onda Verde e o acusado, Adaílton José Santana, 37 anos, se entregou à Polícia Militar.

“Ele chegou desesperado pedindo comida e água. Pegou uns bifes que estavam na geladeira. Enquanto fritava uns pedaços, ele cortava a carne e comia outros ainda cru”, disse Catanoce, sobre o momento em que o acusado apareceu na sua casa, no sábado. Antes de dominá-lo, o acusado ainda tentou segurar uma menor de 14 anos, que estava na casa, mas ela correu e conseguiu escapar.

“Tentei reagir e parti para cima dele enquanto ele estava comendo, mas nesse momento o cara pegou a faca e começou a me ameaçar. Me colocou de costas, olhando para a parede. Em seguida fui levado ao banheiro. Passei o resto do tempo deitado de costas. Passei o tempo todo sendo ameaçado com a faca em direção à minha barriga e no pescoço”, diz a vítima.

Catanoce disse que chegou a pensar que aconteceria uma tragédia. “Pensei que ia morrer, e o pior, sem saber o motivo. Não sabia porque que aquele homem estava em casa e me ameaçando. Ele falava pouco comigo, só comentou que havia sido traído pela esposa”. Ao saltar o muro da residência, no sábado, e tentar inicialmente render a adolescente, Sanntana colocou uma das mãos sob a camiseta dando a impressão de que estaria armado. Em um momento de descuido do bandido, a garota conseguiu fugir e ir à casa de uma tia pedir ajuda.

A polícia foi acionada e passou a negociar com o sequestrador a liberação do padrasto dela. Segundo o major Luiz Roberto Vicente, coordenador operacional do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPMI), Santana invadiu a residência à procura de água e comida porque estava no mato há pelo menos uma semana.

Traído

Morador de Mirassolândia, ele havia descoberto que estava sendo traído pela esposa, que estaria tendo um caso com o cunhado, e saiu perambulando até entrar no mato. “Então passou a se alimentar com o que encontrava. Ele estava debilitado e atordoado”, disse o major, sobre o fim do cárcere.

Ao contrário da suspeita inicial da polícia de que Santana fosse fugitivo do Centro de Progressão Penal (CPP) de Rio Preto e que tivesse sido beneficiado com a última saída temporária, ele possui apenas uma passagem pela polícia por atraso em pensão alimentícia.

Santana foi encaminhado à Central de Flagrantes e deveria ser transferido ainda ontem para o Centro de Detenção Penitenciária (CDP). Ele vai responder por sequestro e cárcere privado, com pena de um a três anos de reclusão.

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