SENTINDO NA PELE: sempre prontos para ajudar, agentes do SAMU de Votuporanga lutam diariamente pela vida

 

Em quase sete anos de profissão, sempre carreguei uma certeza: ideias pré-concebidas, presunção e dedução são armadilhas extremamente perigosas no exercício da profissão.

Na última sexta-feira, tive mais uma prova disso. Ao deixar a redação rumo à base votuporanguense do Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência) imediatamente veio à luz da razão um pensamento: “vou conhecer pessoas que salvam vidas”.

Mas, foram alguns minutos de conversa para notar que, além de salvar vidas, esses homens cuidam de pessoas. Fazem isso tão bem que são os primeiros a serem lembrados em qualquer emergência, por menor que seja a gravidade dela. Com isso, o telefone de emergência chega a tocar 75 vezes em um só dia.

Coube a mim viver, produzir e escrever a quinta reportagem da série “Sentindo na Pele”. Para isso, passei uma tarde na base Votuporanguense do serviço.

Antes de acompanhar os agentes em uma ocorrência, o médico Matheus Rangel me explicou detalhes do funcionamento do serviço.

Além dos agente com suas modernas viaturas que vem nos pela rua, o Samu conta com uma equipe de atendimento que, muitas vezes,  resolve o caso por telefone mesmo.

“As vezes trata-se de uma criança com febre ou um idoso com algum tipo de mal-estar. O médico ou o enfermeiro, por telefone mesmo, faz a orientação para uma medicação ou o encaminhamento para uma unidade de saúde, quando a pessoa tem meios próprios de locomoção”, explica Rangel.

Esse atendimento por telefone também é fundamental em casos onde o socorro precisa ser imediato. “Em casos onde é necessária a massagem cardíaca ou há uma criança engasgada, por exemplo, nossos atendentes já orientam a pessoa que ligou a iniciar os procedimentos necessários para que a vida da pessoa seja preservada até a chegada da viatura”, explica o médico.

Só no mês passado, a base do Samu em Votuporanga recebeu pouco mais de 1,5 mil ligações. Neste mês, até a última quinta-feira, já eram 1,4 mil chamadas. Desde que foi inaugurado o serviço, há dois anos e cinco meses, são quase 20 mil acidentes atendimentos.

A base Votuporanguense conta com estacionamento para as três viaturas, refeitório, sala de atendimento (mais ampla), banheiros e sala de repouso.

O Samu de Votuporanga conta com outras duas bases que dão suporte ao trabalho. São outras duas viaturas básicas a postos em Nhandeara e Cardoso. São elas que iniciam o atendimento naquelas regiões em casos de acidentes de trânsito ou em rodovias, por exemplo.

Quando necessário, a unidade avançada, que fica em Votuporanga, vai ao local dar continuidade aos trabalhos.

Ao todo, a região conta com cinco viaturas de atendimento de urgência e emergência, sendo uma de suporte avançado e outras quatro de atendimento básico (procedimentos menos complexos).

Adrenalina

A “turma da adrenalina”, como são conhecidas as equipes de agentes que vão até as ocorrências e fazem os atendimentos são compostas, normalmente, por três agentes que podem  ser o médico, enfermeiro e o socorrista/motorista (no caso da viatura avançada), ou socorrista/motorista, enfermeiro e técnico de enfermagem (na viatura de atendimento básico).

Votuporanga conta com um diferencial importante e vantajoso para o atendimento móvel. Os socorristas que trabalham no Samu são, na verdade, soldados do Corpo de Bombeiros em atividade delegada. Isso significa que eles podem fazer um plantão no atendimento do Samu, de até 12 horas, durante o período de folga do batalhão, que dura 48 horas.

“Por serem bombeiros, eles têm conhecimento avançado de primeiros-socorros e ainda são muito habilidosos ao volante nos casos em que é necessário correr até o local do acidente”, afirma o médico.

A intensidade da sirene e a intermitência do giroflex durante as saídas seguem a um protocolo de acordo com a gravidade da ocorrência, que pode ir de nível 3 (mais simples) ao nível 1 (grave ou gravíssimo).

Já os médicos, técnicos em enfermagem e enfermeiros se revezam em plantões de 6 horas (diurno) ou 12 horas (noturno). O serviço funciona 24 horas, todos os dias do ano.

 

SUB MATÉRIA – Seriedade e responsabilidade diante dos procedimentos é impressionante

Como o nome da série de reportagens é Sentindo na Pele, não bastava ir até o local e entrevistar os agentes do Samu. Vesti macacão e bota e fui para a rua em uma das ocorrências do dia, que aconteceu por volta das 15h.

Acompanhado pelo bombeiro Antônio Marcos Pivato e por Luno Fernando de Oliveira, que é técnico em enfermagem, fui até a casa do senhor Sebastião Alves de Melo, de 70 anos.

Quem ligou para o Samu pedindo o socorro foi a filha dele. Ambos moram no bairro Pró-povo, na região norte da cidade.

Segundo ela, o pai não comia há dois dias e estava muito fraco. Ex-fumante, ele sofre há quase dois anos com um câncer na laringe. Faz uso de medicamentos que provocam fortes reações e, na tarde de quinta-feira, sofria com náuseas.

Em uma ruela apertada, onde mal cabia a viatura, por conta dos demais carros estacionados, Antônio conseguiu encostar a ambulância.

Descemos e encontramos o senhor Sebastião muito abatido, sentado no sofá da sala. Com a ajuda de Luno, o bombeiro colocou o homem o aposentado na viatura. Dessa vez, a náusea foi mais forte e o paciente precisou vomitar no lixinho da viatura.

Com cuidado, a viatura chegou até a unidade de pronto atendimento do bairro Pozzobon. Luno passou para uma das enfermeiras da unidade um relatório da situação do paciente e das queixas. De lá voltamos para a base.

Foi um atendimento nível 3, dos mais simples, mas suficiente para notar o quanto os agentes seguem a risca o protocolo.

Toda a viagem é monitorada via rádio. Quando chega ao local, o motorista, no caso Antônio, avisa a base. Em seguida, passa relatório verbal para o médico que está na base com os sinais vitais medidos no paciente. O médico faz o encaminhamento necessário.

Tudo é anotado pelo técnico em enfermagem e, por mais simples que seja, o caso fica registrado nos arquivos do Samu, Ao deixar o paciente, a viatura, ali mesmo, é preparada para uma eventual nova ocorrência. Cada equipamento precisa estar em seu devido lugar.

Pronta a viatura, antes mesmo de ligar o motor, a base é avisada de que a unidade está pronta para entrar em ação.

Por questões de segurança e salubridade, não entrei em contato físico ou verbal com nenhum paciente. Como não tenho capacitação para nenhum procedimento de socorro, não me senti autorizado a participar de procedimentos clínicos. Crédito: Fotos: André Nonato/O Jornal – Ademir Terradas – O Jornal

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password