Secretária de universidade é presa suspeita de integrar quadrilha que vendia vagas em cursos de medicina 

Mulher foi presa na casa dela, em Fernandópolis/SP, na manhã desta segunda-feira (22), durante nova fase da “Operação Asclépio”. 

Na manhã desta segunda-feira (22), uma secretária da Universidade Brasil foi presa pela Polícia Civil em Fernandópolis/SP, durante mais uma etapa da Operação Asclépio, que investiga venda de vagas para cursos de medicina. 

De acordo com a polícia, Edna Maria Alves foi encontrada na casa dela, por volta das 6h20, e teve a prisão preventiva decretada. 

Ainda de acordo com a polícia, quando a operação foi deflagrada, no dia 12 de abril, foram feitas buscas na casa e no escritório dela, na universidade. 

A mulher foi levada para a penitenciária de Pirajuí/SP. As prisões de outros nove envolvidos no esquema foram convertidas para preventiva. 

Em nota, a Universidade Brasil diz que “é vítima do esquema de fraudes envolvendo vagas de medicina em faculdades privadas no interior de São Paulo.” 

A universidade afirma que em dezembro de 2018, um boletim de ocorrência foi aberto pela própria instituição com o intuito de denunciar uma página em uma rede social em que o administrador utilizava o nome da universidade para cometer atos ilícitos, obtendo para si vantagens indevidas. 

A Instituição tomou o conhecimento, pela Polícia Civil, sobre a investigação desta organização criminosa e já abriu sindicância interna para apurar eventuais responsabilidades. A Universidade Brasil afirma que se coloca à disposição das autoridades para prestar mais esclarecimentos e auxiliar em toda a investigação policial. 

Na semana passada, foram cumpridos, em Andradina/SP, mandados de bloqueio de 127 carros espalhados por vários estabelecimentos de venda. Todos os carros seriam de um morador de Murutinga do Sul/SP, envolvido no esquema. 

Investigação  

As investigações começaram em abril de 2017, quando os diretores da Fundação Educacional do Município de Assis/SP suspeitaram do ingresso de cinco alunos. Quando foram efetuar a matrícula do curso a biometria não coincidia com a digital do dia da prova do vestibular. 

Na época, a faculdade não pôde impedir a matrícula dos alunos e, diante das provas, os cinco estudantes foram expulsos em 2018, já no segundo semestre do curso. A Fema ainda procurou a Polícia Civil para registrar a suposta fraude dos alunos. 

Segundo a Polícia Civil, as investigações identificaram Adeli de Oliveira, de Presidente Prudente/SP, como o principal articulador da fraude. Ele vendia as vagas para os cursos de medicina e também as transferências de alunos para outras faculdades. O valor cobrado por vaga seria de R$ 80 mil a R$ 120 mil por estudante. 

Segundo a polícia, com o avanço das diligências, apurou-se a constituição de sofisticada organização criminosa composta de três grupos, todos interligados: 1) Grupo familiar; 2) Grupo dos captadores e vendedores de vagas; e 3) Grupo de intermediários na Universidade Brasil. 

O primeiro grupo, comandando pelo cabeça do esquema, coordenava todas as ações, “se valendo dos trabalhos de vários subordinados (seus familiares)”. 

O segundo grupo surgiu da necessidade de se captar “vendedores de vagas”. A polícia diz que, por conta do alto número de alunos, só os familiares do articulador do esquema não teriam condições de atender toda a “oferta de vagas” em universidades particulares e a procura de interessados. 

O terceiro grupo é de pessoas ligadas à Universidade Brasil, que possui faculdade de medicina em Fernandópolis. A polícia diz que, sem este grupo, não seria possível obter “êxito no engenhoso crime”. Essas pessoas eram consideradas integrantes desta organização criminosa. 

FOTO: Reprodução | Stephanie Fonseca 

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