Secretaria da Saúde promove palestra sobre Alzheimer

O médico especialista em geriatria, Dr. Luciano Melo, ministrará a palestra que marca o Dia Mundial da doença, lembrado dia 21 de setembro

 

A Prefeitura de Votuporanga através da Secretaria Municipal de Saúde promove na próxima quarta-feira, dia 18, a palestra “Causas de Alteração de Memória e Doença de Alzheimer”. O médico especialista em geriatria, Dr. Luciano Melo, ministrará a palestra que marca o Dia Mundial da doença, lembrado dia 21 de setembro.

 

O evento que tem como público alvo agentes de saúde, cuidadores, familiares de doentes, profissionais da saúde e público em geral é gratuito e acontecerá no Espaço Saúde Unifev, na Santa Casa.

 

A doença de Alzheimer (DA) é descrita clinicamente como uma demência degenerativa primária. Devido ao acúmulo anormal de uma proteína existente no cérebro, a DA provoca a formação de placas senis que prejudicam a atividade dos neurônios (as sinapses) e ocasionam a morte dessas células. O principal sintoma da doença é a perda progressiva das funções mentais. A doença não tem cura, mas o tratamento nas fases iniciais da doença pode postergar em anos os sintomas e complicações.

 

Diagnóstico e Tratamento

O tratamento do Alzheimer consiste tanto no uso de medicamentos como na estimulação física, intelectual e social dos pacientes. Não há como prevenir a doença. De acordo com os especialistas, é possível apenas combater alguns fatores de risco e o baixo nível de atividade intelectual é um dos mais importantes.

 

A doença de Alzheimer tem, antes da fase inicial, uma etapa silenciosa. Nessa fase, que pode ser detectada em exames de tomografia, o acúmulo de proteína que causa a perda de neurônios já acontece, mas não gera sintomas. A complexidade do diagnóstico faz tanto os doentes e seus familiares quanto os próprios profissionais de saúde retardarem o início dos cuidados.

 

Fases

Segundo o Ministério da Saúde são quatro as fases da DA. Na etapa inicial, os principais sintomas são a perda de memória e a mudança drástica de humor e personalidade. Na segunda fase, há prejuízo na execução de atividades rotineiras – como ir e vir sozinho dos lugares – e o paciente necessita de monitoramento, pois pode se colocar em situações de risco. A perda total de capacidades e funções simples, como tomar banho, marcam a terceira fase da doença. No estágio final, há perda praticamente total das lembranças e de capacidades motoras.

 

Não lembrar de um compromisso agendado é algo corriqueiro para a maioria das pessoas nos dias atuais, mas no caso de pessoas com Alzheimer não ocorre só o esquecimento do horário. Elas não lembram sequer de tê-lo marcado. É como se isso nunca tivesse acontecido. Esse é o momento de procurar um especialista.

 

Histórico da Doença

Alois Alzheimer, médico alemão que viveu entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, publicou em 1907 o artigo intitulado “A characteristic serious disease of the cerebral cortex” em que apresenta os achados clínicos e anatomopatológicos de um caso peculiar. Trata-se da paciente Auguste D., atendida inicialmente aos 51 anos quando passou a apresentar sintomas delirantes caracterizados por ciúmes intensos em relação ao marido. Além disso, desenvolveu alterações de linguagem e de memória, bem como desorientação no tempo e no espaço que se instalaram logo em seguida e com piora progressiva. A paciente faleceu quatro anos e meio após o início dos sintomas em estágio avançado de demência, e foi submetida a exame anatomopatológico.

 

Alzheimer observou acúmulo de placas características no espaço extracelular, chamadas de placas senis, e lesões neurofilamentares no interior de neurônios, distribuídas difusamente pelo córtex cerebral. Cinco anos após, em 1912, o renomado professor de psiquiatria alemão E. Kraepelin faz pela primeira vez uma menção, em seu compêndio de psiquiatria, dissertando como “esta doença descrita por Alzheimer”. A partir dessa época, o epônimo doença de Alzheimer passou a ser utilizado para os casos de demência ocorrendo na faixa etária pré-senil, ou seja, antes dos 65 anos, e que apresentavam características clínicas e neuropatológicas semelhantes à paciente inicialmente descrita.

 

Durante várias décadas esse diagnóstico ficou reservado a tais casos de demência degenerativa pré-senil, em oposição aos casos bem mais frequentes, e já conhecidos no início do século XX, de demência senil. Esta dicotomia teve raízes em disputas acadêmicas entre diferentes escolas psiquiátricas alemãs naquela mesma época. Foi apenas muitas décadas após, no final dos anos 60, que diferentes estudos demonstraram que a então denominada doença de Alzheimer e a demência senil eram, na realidade, a mesma condição clínico-patológica, embora com algumas diferenças de apresentação clínica. A partir da década de 70, o termo doença de Alzheimer passou a ser empregado de forma indistinta para os casos de demência degenerativa que apresentavam as lesões cerebrais descritas como placas senis e emaranhados neurofibrilares, independentemente da faixa etária de início dos sintomas.

 

Em 1984, um grupo de pesquisadores propôs critérios diagnósticos para a doença de Alzheimer, que, a partir de então, passaram a nortear as pesquisas e a atividade clínica de atendimento a estes pacientes. Com o aumento substancial da expectativa de vida da população mundial verificado nas últimas décadas, a doença de Alzheimer tornou-se um sério e importante problema de saúde individual e coletiva, em decorrência da significativa incapacidade que acarreta aos pacientes, das influências sobre os familiares e cuidadores, além dos custos diretos e indiretos que ocasiona.

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