Sargento aplica multas em motoristas que jogam lixo pelo vidro do carro

Quem anda pelo Centro de Rio Preto está acostumado com a cena. Pessoas que passam de carro – motoristas ou passageiros – que abrem a janela e simplesmente despejam bitucas de cigarros, papel de bala, copos descartáveis, frascos de refrigerantes e até latas de cerveja na via pública. Cansado de ver o comportamento dos sujões do trânsito da cidade, o sargento da Polícia Militar Luís Carlos Melo, 48, resolveu multar todos os condutores de veículos que agem de forma inadequada, emporcalhando as ruas da cidade. Do começo do ano até o momento, foram dez autuações desse tipo.

Parece pouco, mas a porquice dói no bolso, já que cada multa custa R$ 85, 13 e rende quatro pontos na carteira de habilitação. Para o sargento Luís Carlos não basta multar os motoristas mal educados. Ele chega a postar no seu perfil no Facebook, parte da autuação, sem mostrar o nome do infrator. Foi o que ele fez no final de semana passado. “Amigos do Face. Olha esta multa que eu fiz nesta madrugada de sábado. Isso serve para todos. Cuidar do planeta é obrigação de todos. A Polícia Militar está atenta a isso. O valor da multa é R$ 85,13. Quatro pontos na CNH”, postou o policial. A postagem teve 51 curtidas, cinco compartilhamento e mais de 30 comentários parabenizando a atitude.

Com quase 20 anos na PM, o sargento disse ao Diário, que cansou de ver motoristas e até motociclistas sujando as ruas, enquanto dirigem. “É um tipo de coisa que eu sempre faço. Já cheguei a parar o condutor do veículo e falei o motivo pelo qual ele estava sendo autuado. Tem uns que chegam a pedir desculpa dizendo que não teriam jogado lixo na rua se tivesse visto a viatura. Mas isso não é desculpa. A pessoa tem de agir certo, sem medo de ser punida”, diz o policial.

Melo afirma que já multou motoristas, enquanto estava a caminho de outras ocorrências policiais. Nestes casos, ele anota a placa e a hora do fato. Em 30 dias o motorista recebe a notificação, com possibilidade de recorrer, mas as chances de cancelamento são praticamente nulas, explica o sargento. O policial diz que em ensinou as duas filhas a nunca jogar nem papel de bala no chão. “Quando a minha mulher vai lavar as calças delas sempre retira muitos papéis que elas guardaram porque não tinha lixo por perto.”

Na opinião do sargento, o ideal seria que os motoristas sempre mantivessem nos carros sacos para armazenar o lixo, para ser jogado quando encontrassem um recipiente adequado. “Nem adianta jogar a culpa em cima da Prefeitura, reclamando da falta de lixeiras nas ruas. Por que antigamente, as ruas eram mais limpas? Simplesmente, porque as pessoas aprendiam em casa que era feio até cuspir na rua”, argumenta. Melo pegou 30 dias de férias essa semana. Mas quem acha que vai ter um mês de folga de multas, ele avisa: há mais policiais com vontade de punir os sujões.

PM e Guarda estão autorizadas a multar

O capitão da Polícia Militar Rafael Henrique Helena diz que jogar lixo na rua não é brincadeira. “Está previsto no artigo 172 do Código Brasileiro de Trânsito: Atirar do veículo ou abandonar na via objetos. Trata-se de Infração média com penalidade de multa no valor de R$ 85,13 além de 4 pontos no prontuário do condutor”, explica o oficial.

De acordo com o capitão, essa infração independe de ser avisada por sinalização, portanto, o condutor não pode alegar a inexistência de placas a respeito nas ruas. “Cabe ressaltar também que o fato poderá ser caracterizado pela contravenção penal. Está escrito no artigo 37 do Código Penal, que é contravenção arremessar ou derramar em via pública, ou em lugar de uso comum”, diz o oficial. Ou seja, até o ato de despejar cerveja ou refrigerante pela janela do carro pode provocar multa.

O comandante da Guarda Municipal de Rio Preto, João Roque Borges de Souza, 58, diz que os guardas municipais também estão atentos aos motoristas mal educados e preparados para autuar quem emporcalha as ruas e avenidas. “É lógico que nosso foco é a segurança dos motoristas. Por isso, emitimos mais multas para quem é flagrado usando celular ou sem cinto de segurança. Mas, se for pego jogando sujeira, não vai ficar impune”, avisa Souza. Marco Antonio dos Santos/Diário da Região

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