Santa Casa: tratamento de alta tecnologia para feridas

Hospital adquiriu três válvulas que estabilizam pressão negativa, reduzindo tempo de recuperação e custos dos atendimentos

 

No quarto 201 da ala B da Santa Casa de Votuporanga, o sorriso de João dos Santos revela todo o processo bem-sucedido de tratamento de feridas. Ao olhar para sua perna, se reabilitando após lesão profunda, sente-se aliviado e cheio de esperança. Ele é um dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que pode usufruir do mais novo equipamento adquirido recentemente pelo Hospital: válvula que estabiliza a pressão negativa dos ferimentos, garantindo uma recuperação mais rápida.
O caminhoneiro se machucou em outubro, após uma peça do veículo bater na sua perna. “Eu estava mexendo na lona do caminhão, quando a corrente bateu em mim e eu cai. Na hora, eu vi que ficou inchado, mas não procurei médico. Depois de 20 dias, eu sentia que esquentava o local. Fui paraa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois para a Santa Casa. Necessitei de cirurgia, correndo risco de vida”, contou.

 

Após a intervenção, João recebeu os primeiros tratamentos com a válvula. “O aparelho só tem me ajudado. É uma coisa muito boa, melhoro a cada dia. Me sinto muito feliz, quase perdi minha perna e agora vejo ela se recuperando”, disse.

 
A coordenadora do Grupo de Curativos do Hospital, a enfermeira Clarissa Albuquerque Vaz Nunes, acompanha todo a recuperação do caminhoneiro. “Seu João chegou aqui, sem esperança e com chance de amputação. Oferecemos tratamento com válvula, sabendo que aceleraria em 70% sua recuperação. Os resultados são animadores. Devido ao curativo à vácuo, a ferida recebe tudo que é necessário para uma cicatrização mais efetiva e eficaz, por isso que o risco de amputação ficou completamente remota”, explicou.

 
Emocionada, sua esposa Cristina de Lourdes Ferreira dos Santos elogia o atendimento. “Agradecemos imensamente os profissionais. Vocês têm a missão de cuidar e fazem com muito amor. Foi muito importante para meu marido essa válvula, que faz a diferença em seu tratamento”, afirmou.

Os aparelhos
A Santa Casa possui quatro válvulas para tratamento de feridas, possibilitando o tratamento de pacientes do SUS. “Ganhamos a válvula de Fábio Kamamoto, que desenvolveu o curativo. Ao verificar os benefícios como minimizar o tempo de internação e o risco de uma amputação, a diretoria da Instituição solicitou a compra de mais três, garantindo atendimento de qualidade a todos”, contou Clarissa.

 
A coordenadora do Grupo de Curativos explicou que, antes da válvula, o tratamento à vácuo, que é considerado uma das melhores terapias em tratamento de feridas, era disponibilizado somente aos clientes conveniados e particulares devido ao alto custo. “Atualmente, essas válvulas nos possibilitaram democratizar, tornar acessível esse tratamento aos nossos clientes do SUS. Estamos todos realizados com a possibilidade de garantir um tratamento de qualidade e de alta tecnologia que fará a diferença na vida de muitas pessoas”, disse.

 
O cirurgião Fábio Kamamoto contou como surgiu o equipamento. “Em 2006 eu era o responsável pela cirurgia plástica em um hospital público, que atende uma população de 500.000 pessoas e que gera uma demanda de 300 feridas complexas por ano. Conhecia um tratamento a vácuo para feridas importado dos EUA extremamente eficaz, mas muito caro (hoje cerca de R$ 6.000,00 por semana de tratamento). A instituição não havia esse recurso. Fiz então uma parceria com o engenheiro Professor Jose Carlos Moraes (da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP) que desenvolveu um similar desse curativo a partir de insumos nacionais e que custam 98% mais barato que o importado. Fiz o estudo e a implementação do método em diferentes dispositivos de saúde. Em fevereiro de 2017 defendi a tese de doutorado e conclui nessa pesquisa que o método desenvolvido na USP é equivalente ao importado, porém mais acessível”, destacou.

 
Os benefícios para pacientes são enormes. “Eles precisam fazer apenas duas trocas semanais do curativo e, portanto, sentem menos dor pois sua manipulação é muito menor. Além disso, a velocidade de cicatrização aumenta muito, portanto o tempo de tratamento é  menor do que o dos tradicionais, impactando em menor tempo de hospitalização e uma reabilitação mais precoce. Diminui também a área e a complexidade da ferida, facilitando os procedimentos de enxerto e retalhos de pele. A Santa Casa está de parabéns ao oferecer uma tecnologia de ponta para todos os seus pacientes. Ao implementar esse método para os pacientes do SUS promove verdadeiramente a equidade e mostra que ela não faz distinção entre os pacientes particulares e os da rede pública”, finalizou.

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