Rio-pretense Tuike abre exposição em Barcelona

De volta à Espanha depois de fixar residência por quase cinco anos em Rio Preto, o arquiteto e artista visual Arthur Henrique Souza, o Tuike, retoma seus laços com o público europeu no próximo domingo, quando dará início à exposição Pop_Corn, na galeria Martillo, em Barcelona. País onde Souza iniciou sua incursão no universo das artes, no início dos anos 2000, a Espanha também marca um novo momento em sua trajetória criativa, pautado pelas soluções contemporâneas que contribuíram para o surgimento do movimento ‘maker’, que explora o conceito ‘do it yourself’ (faça você mesmo) por meio de novas tecnologias de produção e reprodução industriais, como a impressão em 3D.

Nesse novo trabalho, a figura feminina – tradicionalmente retratada pelo artista numa profusão de poses – é representada como pipocas que explodem das paredes do cubo branco do espaço de exposição da galeria Martillo. Recorrendo a técnicas como impressão 3D, plotagem em vinil e cortes com laser, Souza criou peças em madeira cujos recortes seguem as linhas que dão vida aos contornos femininos. O resultado são 30 pequenas obras (30cm x 40cm e 70cm x 80cm) que, juntas, parecem ‘pipocar’ da parede. Com a exposição Pop_Corn, Souza interrompe sua investigação sobre a representação linear e o uso de cores fortes para trabalhar apenas o preto e o branco.

Todas as peças, assim como a parede do espaço de exposição, têm fundo branco, o que faz as mulheres do artista flutuarem, criando um ambiente em que o silêncio das imagens amortece o peso da gravidade. Souza morou pela primeira vez na Espanha entre 2004 e 2010, realizando uma série de exposições, individuais e coletivas. Deixou o país por conta da recessão econômica, voltando para o Brasil para atuar como arquiteto. “Considero a Pop_Corn uma retomada de minha carreira artística, pois, em Rio Preto, fiquei mais focado na arquitetura, apesar de ter realizado e participado de exposições”, comenta ele.

Estêncil

Apesar de Pop_Corn marcar um ‘reinício’, técnicas exploradas por Souza desde o começo de sua carreira artística se mantêm em seu novo trabalho. O estêncil continua sendo a matriz para o artista dar forma aos seus traços. Do corte seco e preciso do papel, que caracteriza a técnica do estêncil, são geradas as linhas que dão forma às poses femininas. Vazadas no papel, elas ganham vida ao ser preenchidas pela tinta spray. Chapas de madeira pintadas de branco são impregnadas de formas que apenas são desvendadas após a remoção do estêncil.

Além das 30 obras sobre madeira, Pop_Corn também reúne todos os estênceis usados pelo artista na concepção de suas figuras femininas. Para ele, é uma forma de ilustrar para o público o processo de execução das obras de uma maneira mais didática. Em outra obra, intitulada Essência, Souza juntou todos os recortes que sobraram dos estênceis em uma caixa. “Um jogo entre o vazio do papel recortado e o cheio da figura representada pela união de todos eles. É a materialização da representação, a essência da pesquisa da figuração linear”, conceitua o artista.

Tecnologia é tendência

O movimento ‘maker’, considerado uma evolução da cultura do ‘faça você mesmo’ (do it yourself, em inglês), mostra como um mundo conectado e altamente tecnológico mudou o conceito de criatividade. E isso se dá pela popularização de tecnologias de construção como a impressão 3D e os microcontroladores, que permitiram às pessoas conceber objetos e soluções que antes somente eram possíveis no ambiente industrial.

A área do design é uma das mais exploradas no movimento ‘maker’, favorecendo criações inovadoras e de baixo custo, como uma prótese infantil criada nos Estados Unidos, que antes custava US$ 10 mil e, hoje, pode ser baixada em casa, numa impressora 3D, por US$ 5. De olho nessa tendência mundial, o arquiteto e artista visual Tuike Souza utilizou as tecnologias que estruturam o movimento ‘maker’ para conceber peças com valor artístico, algo ainda pouco comum nesse universo.

Para dar vida à exposição Pop_Corn, o artista assumiu o posto de ‘maker’, executando suas peças com o apoio da tecnologia. “Fiz alguns cursos de impressão 3D e cortes a laser para me ambientar com essas novas ferramentas. É um universo a ser explorado, que ainda vai surpreender muito as pessoas”, comenta Souza.

Créditos da matéria: Diário da Região

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