Região se une em prol do ex-goleiro da Votuporanguense

O ex-goleiro da Votuporanguense, Valô

Álvaro Piotto, o Valô, não escondeu as lágrimas ao perceber que seu principal sonho, até então utópico, se realizou, com direito a bônus.

O ex-goleiro e ídolo do América nos anos 80, e da querida e gloriosa Associação Atlética Votuporanguense, que estava morando nas ruas de Rio Preto, foi convidado pelo gestor do clube, Dimas Macedo, para trabalhar e morar no alojamento do estádio Teixeirão. Também fez as pazes com a família.
Valô agora tem emprego, moradia, salário fixo, comida e a possibilidade de retomar a vida com dignidade. “Um oásis se abriu. Deus ouviu as minhas orações. Tinha esperança que iria conseguir, mas não tão rápido. Só preciso comer bem para recuperar a força nas pernas e começar a trabalhar. Quero deitar e conseguir dormir.”
O drama vivido pelo ex-goleiro foi retratado na edição de ontem do Diário da Região e comoveu amigos, fãs e colegas de esporte. Uma corrente do bem se formou. Desde as primeiras horas da manhã, o telefone da Redação não parou de tocar. Foram pelo menos 30 ligações de pessoas que ofereceram emprego, hospedagem, moradia e até tratamento contra o álcool.
Pela manhã, Valô foi convidado para trabalhar no Centro de Treinamento Esportivo de Cléber Arado, que também foi jogador de futebol e começou a carreira no América. “Foi meu ídolo. A gente quer que ele volte a brilhar como antigamente”, disse o ex-jogador.

Guilherme Baffi
Cléber Arado (à direita) convida Valô para trabalhar e morar no seu centro de treinamentos

À tarde, no entanto, o América entrou em cena e o chamou a trabalhar no futebol profissional, como auxiliar do preparador de goleiros Mica. A paixão pelo clube falou mais alto. “Conversei com o Cléber e ficou tudo bem. Sou grato. Mas não podia ignorar essa chance de voltar para a minha casa”, disse antes de se alojas no estádio. Trouxe todos os seus pertences em uma bolsa. Hoje já vai trabalhar. “Vou fazer o que mais amo. Não tem dinheiro que pague isso.”
A história mexeu com os brios do América, que sofre com sucessivos maus resultados, dentro e fora do campo. “Abrimos as portas. Um ídolo não pode ficar assim. O América é um clube grande demais. Não pode esquecer os seus ídolos. É hora de fazer alguma coisa para ajudar”, diz Macedo. “A primeira coisa é acolhê-lo. É o mínimo que podemos fazer”, acrescenta o conselheiro do clube Ary Resende.
A família fez questão de acompanhar Valô. Mariá Piotto afirma que não sabia da situação que o pai vivia. “A gente acreditava que ele estava morando com a mãe. O importante é que agora está bem e graças a Deus vai trabalhar no que gosta. O sonho dele sempre foi voltar ao América.” A ex-mulher, Rita Barbosa, afirma que ela, Mariá e o outro filho, Glauber, se assustaram com a notícia.
Valô jogou no Linense, América, Criciúma (SC), Votuporanguense, Catanduvense e Olímpia, onde encerrou a carreira, com 32 anos, no final dos anos 80. O auge da carreira foi a convocação para a seleção pré-olímpica. Por três meses, treinou com Taffarel e Dunga. Quase disputou a Olimpíada de Los Angeles (EUA), em 1984. Ele faz questão de dizer que jamais vai esquecer esse dia. “Vou realizar um grande sonho antes de morrer.”

‘Minha mulher chorou ao ler’

A história do ex-goleiro do América Valô mexeu com a sensibilidade do rio-pretense. Durante todo o dia, a Redação do Diário não parou de receber ligações de pessoas interessadas em ajudar. “Quero trazê-lo para morar e trabalhar no projeto social de Bady Bassitt. Minha mulher chorou quando leu a reportagem. Eu fiquei triste”, afirma o ex-jogador Jorge Lima.
Washington Luiz Cassemiro, o Tita, vai procurar os amigos para fazer doação em dinheiro para o ex-goleiro. “Não pode ficar assim.” O presidente do América, Luiz Carlos de Marco, o Martelinho, ficou chateado. “A gente sente no coração. É triste ver uma pessoa que a gente admirou em situação tão difícil.”
Ademir Gomes, que jogou no América na década de 80, ficou feliz ao saber da oportunidade que o amigo recebeu. “É só o que ele precisa.” O pastor Altair Pereira disse que vai procurar o ex-goleiro e colaborar. Ambos jogaram no América em 1983. “Ele não merece isso. Um desperdício uma pessoa com sua experiência e capacidade estar assim.”. (Raul Marques -diarioweb.com.br)

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