Região de Votuporanga se arma contra o Ebola

Médicos e enfermeiros de cinco hospitais de Rio Preto e região estão sendo capacitados para identificar pacientes que apresentem sintomas do ebola. A ação é uma recomendação do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde para que o diagnóstico seja imediato e evite uma epidemia nacional. O ebola já infectou 7,4 mil pessoas e matou outras 3,4 mil, na África, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Anteontem, foi confirmado o primeiro caso suspeito da doença no Brasil. Um homem de 47 anos, que veio em setembro da Guiné, um dos países africanos que sofrem com epidemia da doença, procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Cascavél (PR).

Referência no tratamento de doenças infecciosas e com área destinada para o isolamento de pacientes, o Hospital de Base participou das primeiras conversas em que foi definido o plano de contingência junto à Secretaria Estadual de Saúde. “O hospital está seguindo as recomendações do Ministério da Saúde e capacitando os médicos, profissionais do setor de enfermagem e todos envolvidos no possível atendimento a pacientes (suspeitos ou não)”, afirma a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do HB, Maria Lúcia Machado Salomão.

De acordo com a gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Andréia Francesli Negri Reis, os profissionais da rede municipal de saúde – e os da Santa Casa – serão capacitados nos próximos dias 17, 29 e 30 deste mês. “Os primeiros informes sobre a doença já foram enviados aos serviços públicos e privados. A Vigilância Epidemiológica mantém os serviços atualizados com os protocolos do Ministério da Saúde sobre manejo e prevenção da doença a cada versão elaborada pelo órgão.”

Em Catanduva, além dos profissionais que atuam nos hospitais Emílio Carlos e Padre Albino, mantidos pela Fundação Padre Albino, representantes da Secretaria Municipal de Saúde e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também participaram da capacitação, em setembro. “A Fundação já providenciou a compra de equipamentos de proteção individual específicos contra o ebola e disponibilizará aos profissionais da saúde, sem qualquer tipo de risco advindo do seu trabalho nos hospitais”, destaca o médico infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Fundação, Arlindo Schiesari Júnior.

Desde o início deste mês, profissionais da Santa Casa de Votuporanga estão passando por capacitação, além de profissionais que atuam na rede municipal de saúde. As ações e fluxo das atividades serão iniciadas, posteriormente, com a participação da comunidade. O Núcleo Hospitalar de Epidemiologia da Santa Casa de Fernandópolis informou que deve iniciar a capacitação dos profissionais, que atuam na UTI e no Ponto-Socorro, nos próximos dias. O trabalho será desenvolvido em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde e com o Samu.

Prevenção ao ebola

Reportagem que o Diário publica na edição de hoje mostra como estão os esforços para preparar a cidade para uma eventual manifestação de casos de ebola na região. Profissionais de saúde e instituições foram treinados e a infraestrutura está preparada caso seja necessário. As medidas visam a antecipar-se à ameaça, como mandam os bons manuais de combate a epidemias. Como se sabe, esta semana surgiu um caso suspeito no interior do Paraná que deixou a comunidade médica da área da infectologia em estado de alerta. Hoje acredita-se que tenha sido um alarme falso, mas toda a logística usada para atender a vítima, que incluiu seu transporte em avião da FAB para o Rio de Janeiro, serviu como importante teste dos mecanismos brasileiros de prevenção. Sim, porque não há tempo a perder. A demora em agir causou e tem causado mortes em vários países africanos e contribuiu com a disseminação do vírus por outros continentes. Estima-se em mais de 3 mil os mortos pela doença desde seu ressurgimento, em março.

Ao mesmo tempo em que é fundamental estarmos atentos e preparados para o pior, há que se ter o máximo cuidado para não criar um ambiente de pânico que não se justifica. É verdade que ainda não se conhece cura para a doença e que ela leva à morte mais de 70% dos infectados. No entanto, ainda não há nenhum registro de caso confirmado no Brasil, importado ou muito menos autóctone. E é importante ressaltar que o contágio não se dá pelo ar, mas pelos líquidos corporais como saliva, sangue e secreções.

Nos países que confirmaram casos de ebola em pacientes oriundos de áreas de epidemia, houve princípio de histeria coletiva. Pessoas que estiveram na África nos meses anteriores e profissionais que trataram dos suspeitos de ter a doença foram discriminados e vítimas de assédio. Mas o tempo demonstrou que as reações foram totalmente descabidas, já que as medidas sanitárias adotadas para tratar desses casos pontuais foram eficazes em bloquear a eventual proliferação do vírus. Muitas vezes, o pânico generalizado em situações como essas acaba produzindo resultados mais graves do que a própria doença.

Rio Preto, além de ser um centro regional de referência em todos os sentidos, dispõe de infraestrutura e pessoal médico capaz de assumir a responsabilidade de enfrentar a enfermidade. Por isso é que foram tomadas aqui as medidas preventivas anunciadas. Mas é importante ressaltar que até hoje não houve nenhum indício de que o vírus do ebola se encontre entre nós.

 

Isolamento do HB fica em alerta para o ebola

O Hospital de Base é referência regional no tratamento de doenças infecciosas. A instituição conta com um setor de isolamento, composto de quartos e equipamentos de ponta, para o tratamento de doenças infecciosas, como gripe suína e sarampo. Com o alerta em relação ao ebola, o espaço será utilizado para o isolamento de pacientes com a suspeita da doença, que se desenvolveu na África ocidental.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, se for confirmado um caso suspeito de ebola no Interior o Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências (Grau) será chamado. Referência nacional em resgate médico terrestre e aéreo, o serviço é o único do Brasil que possui maca apropriada para inibir o contato direto entre a pessoa infectada e os profissionais de saúde. No caso do Estado de São Paulo, o paciente do Interior será encaminhado para o hospital Emílio Ribas, na Capital, instituição que é referência nacional para o tratamento de pacientes com suspeita de ebola e vai atender principalmente os pacientes provenientes do Estado de São Paulo.

Para isso, o hospital conta com uma estrutura formada por 17 leitos de isolamento, com pressão negativa para evitar a proliferação do vírus entre os pacientes. Além disso, foram disponibilizados 25 mil kits de roupas específicas para serem usadas pelos profissionais de saúde que tiverem contato com os pacientes. Macacões de polietileno, avental impermeável, botas, luvas, máscara com proteção biológica e viseira fazem parte do kit. O infectologista do hospital Emílio Ribas, Jean Gorinchteyn, diz que todo esse aparato é necessário e muito importante para evitar a proliferação do vírus no País.

Porém, o especialista afirma que não há motivo para pânico ou alarme, uma vez que o País está muito bem preparado para enfrentar o vírus. “Nossas barreiras sanitárias estão funcionando muito bem e nossos profissionais estão preparados para diagnosticar a doença ainda no início dos sintomas, que é a fase mais crítica, pois é quando o vírus pode ser transmitido”.

Gorinchteyn explica que o vírus pode ficar incubado entre 3 e 21 dias nas pessoas. “A pessoa se contaminam e podem ficar de 3 a 21 dias sem apresentar nenhum sintoma, mas se nesse período tiver febre alta, dor no corpo, sangramento precisa procurar um serviço médico urgentemente, uma vez que o vírus é transmitido a partir dos primeiros sintomas”, afirma.

No caso do africano que foi considerado suspeito em Cascavél, no Paraná, o médico diz que nenhum passageiro do voo em que ele estava está sob risco, uma vez que o paciente não estava com sintomas. “Isso mostra que nossas barreiras de controle estão funcionando”, explica.

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