qua, 12 de agosto de 2026

Reconstituição de crime busca desvendar desaparecimento de estudante trans em Ilha Solteira

Polícia Civil de Ilha Solteira realiza nesta quinta-feira (20) a reconstituição do crime que resultou na morte da estudante trans Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos. A jovem desapareceu em 12 de junho, e a investigação aponta o namorado, Marcos Yuri Amorim, e o policial militar da reserva Roberto Carlos de Oliveira como os principais suspeitos. Enquanto isso, o pai da vítima, Gerson Romualdo Alves, vai diariamente à delegacia em busca de informações sobre o paradeiro do corpo.

A Angústia da Família em Busca de Respostas

Gerson Romualdo Alves, que já visita a delegacia há mais de 60 dias, expressou à TV TEM a angústia da família. “A gente quer Justiça, que possa mostrar onde está o corpo para que a gente faça um velório digno”, comentou. Apesar de os suspeitos estarem presos, a falta de informações sobre a localização do corpo impede que a família elabore o luto.

O pai de Carmen acredita que ambos os suspeitos são culpados e que estão apenas tentando incriminar um ao outro. “Eu já sabia que seria um dos dois, me admira mais cada um acusando o outro. Mas, eu acho que, com o coração de pai, que foi os dois, estão só fazendo uma ‘jogada’”, disse Gerson.

Versões Contraditórias e Novas Provas

Recentemente, Marcos Yuri confessou que a estudante foi morta em seu sítio, mas culpou Roberto Carlos pelo feminicídio. O policial da reserva, por sua vez, nega a autoria do crime e afirma que o namorado de Carmen foi o assassino.

Apesar das contradições, o delegado Miguel Rocha afirma que a polícia tem certeza de que Carmen está morta e que a autoria é atribuída aos suspeitos. A perícia encontrou vestígios de sangue em um sapato de Marcos Yuri e em uma lona, o que corrobora a versão de que o corpo foi arrastado. Além disso, a polícia encontrou restos de ossos, possivelmente de animais, e um celular quebrado, que podem ser de Carmen.

Motivações do Crime e Desfecho do Inquérito

A investigação aponta que Carmen foi morta após pressionar Yuri a assumir o relacionamento, que não era público. O crime também teria sido motivado pela descoberta de que a jovem estava montando um dossiê em seu computador com provas de crimes cometidos por Marcos Yuri. O envolvimento de Roberto Carlos, que, segundo a polícia, também mantinha um relacionamento com o namorado de Carmen, completa o triângulo amoroso que teria levado ao assassinato.

A polícia tem até o dia 6 de setembro para concluir o inquérito. O caso, inicialmente tratado como desaparecimento, foi reclassificado como feminicídio.

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