Rapaz vai a júri por matar criança no trânsito

A Justiça de Rio Preto decidiu ontem à tarde que Raphaelo dos Reis Pissolatti, 21, vai enfrentar o Tribunal do Júri e deve continuar preso.

Ele é acusado de provocar acidente na rodovia Assis Chateaubriand que matou a menina Maria Fernanda de Oliveira Silva, 9, no último dia 30 de junho, e deixou mais três feridos.

A pronúncia atende pedido do promotor José Heitor dos Santos, que denunciou Pissolatti por homicídio doloso (quando há intenção de matar). A perícia constatou que o jovem estava embriagado e dirigia sua Ford Ranger acima de 140 km/h quando bateu na traseira do Gol que estava a vítima.

Com o impacto o carro capotou várias vezes e ficou totalmente destruído. Maria Fernanda estava no banco de trás e morreu na hora. Ela era filha única.

Seus pais Carlos Alves da Silva, 60, e Analfa Domingues de Oliveira, 46, além da avó da menina, Luzia Maria de Oliveira, 83, foram socorridos com ferimentos leves. A sentença tem onze páginas e é assinada pelo juiz Luís Guilherme Pião, da 2ª Vara Criminal, que acatou a tese do Ministério Público e rejeitou os argumentos da defesa do réu que pedia a desqualificação do crime para lesão corporal e sua liberdade imediata.

“O crime gerou perigo comum, já que praticado em rodovia, e poderia ter tido resultados ainda mais catastróficos (…). Também em princípio ocorreu recurso que impossibilitou a defesa da vítima, que foi colhida por trás sem possibilidade de reação dada a velocidade do agente”, afirma o magistrado.

Pissolatti está preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) desde o dia do acidente, que ocorreu por volta das 22 horas quando o jovem voltava para casa, e já teve um pedido de habeas corpus negado pelo TJ. Atualmente tenta a soltura num HC que tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

No dia do acidente ele admitiu aos policiais que havia ingerido três latas de cerveja, mas na hora negou fazer o teste do bafômetro. Na delegacia, depois de falar com uma advogada, autorizou o exame. A coleta do material ocorreu apenas duas horas e meia após o acidente o que prejudicou o resultado, avalia o juiz. Mesmo assim Pissolatti foi flagrado com 0,3 g/l de alcool no sangue, o que é considerado crime.

“Foi honesto e dá nisso”

Após saber da decisão ontem, a mãe de Raphaelo, Mara dos Reis, afirmou que iria se reunir com os advogados para tomar uma decisão. Segundo ela, o filho está bem, sabe das consequências do acidente, mas discorda da prisão. “Ele ficou lá, não fugiu, nada. Sempre foi honesto e dá nisso.”

Já a mãe de Maria Fernanda disse que nada trará sua filha de volta e confia naa Justiça. Para Analfa, Raphaelo é culpado porque dirigia embriagado e em alta velocidade e tem de pagar pelo crime, mas não deseja mal o jovem. “Sou mãe, sei o que a mãe dele está passando”. “Sinto a falta da minha filha todos os dias, quero esquecer isso.”

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