Radialista: conheça um pouco mais sobre esta profissão

Locutores de Votuporanga relatam suas experiências 

Nesta semana foi comemorado o dia do Radialista(21/09) e o dia do rádio (25/09). O radialista é a pessoa responsável por transmitir a mensagem através do rádio, que é o meio de comunicação mais viável que existe. O rádio é importante porque é o único meio em que a pessoa que está ouvindo pode fazer outras tarefas, ou seja, uma dona de casa ao fazer faxina ouve o rádio, ou até mesmo os motoristas em suas viagens dirigem e ao mesmo tempo ouvem a programação radiofônica. Enquanto outros meios são direcionados a focar somente para eles.

A primeira emissora de rádio no Brasil foi fundada em 20 de abril de 1923, tendo como fundador Edgar Roquete Pinto, na Academia Brasileira de Ciências, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Logo depois veio a Rádio Clube do Brasil PRA-B, fundada por Elba Dias.
Em São Paulo/SP, a primeira Emissora foi a “Educadora Paulista”, fundada em 1924, e em Belo Horizonte, a primeira rádio foi a Rádio Mineira, fundada em 30 de maio de 1936. Hoje, lamentavelmente, fora do ar.

Mas, a primeira transmissão do Rádio foi no dia 07 de setembro de 1922, durante a exposição comemorativa do centenário da independência. Época em que o Presidente da República, Epitácio Pessoa, discursou não só no recinto, mas também em Niterói, Petrópolis e São Paulo, graças à instalação de uma retransmissora no Corcovado e de aparelhos de recepção nesses locais.
Atualmente, existem muitas rádios, entre elas Rádios AM, FM, comunitárias, educacionais, Rádio web, entre outras.

De acordo com Alexandre da Silva Barbosa, radialista há 25 anos, hoje mudou muito a estrutura do rádio. “Hoje acho mais fácil, temos a tecnologia, só temos que conseguir acompanhar todas as evoluções do tempo. A modernidade dos equipamentos, a tecnologia da informação. Hoje tudo é muito rápido. Antes era muito mais difícil, mas lento. Tínhamos muitos equipamentos no estúdio onde era necessário várias pessoas para fazer um programa de rádio. Hoje mudou muito e uma única pessoa faz quase tudo”, relata.

Com as novas tecnologias facilita tudo, segundoo locutor, Leonardo da Silva Brigagão, hoje com a internet aconteceu muitas mudanças.“Antes, era mais difícil conseguir entrar em alguma rádio, pois os patrões só davam oportunidades para outros profissionais com anos de bagagem, ainda mais em cidade grande. Só entrava quem tinha uma voz bem postada e com um grave diferenciado, ou seja, seguiam o mesmo padrão de voz. Hoje, já não é mais assim! De lá pra cá mais canais de rádios foram abertas e com a chegada da internet também chegou as rádios webs. É possível gravar um programa enlatado, em casa mesmo, num estúdio improvisado, e vender para emissoras. Não existe mais o tal protocolo da voz padrão, mas, a boa dicção, o ritmo bom da locução, o bom improviso e tudo que pode entreter o ouvinte”, ressalta.
Antes de tudo, o melhor é conhecer o rádio, sua história, estrutura e seus elementos, por isso, é importante a experiência com o rádio. Para a radialista Luciane Petrocelli, ela aprendeu lidar com a locução fazendo o rádio, além de fazer o curso para se especializar. “Sempre gostei de rádio e do trabalho de utilidade pública que o rádio desenvolve. Rádio é a minha paixão.”, finaliza.
Outro fator também que irá beneficiar as rádios é a Migração de AM para FM. Pois há uma Lei que prevê a migração das rádios AM para FM até o ano de 2016 entre 2018.

Experiências
O Diário de Votuporanga entrevistou alguns radialistas de Votuporanga que irão nos contar um pouco sobre suas histórias e de como chegaram à área de locução.

Alexandre da Silva Barbosa (Lobão),41 anos, trabalha na Rádio 98,1 FM de Votuporanga e esporadicamente na Rádio Clube 92,1 que é do mesmo grupo. É radialista há25 anos e conta como escolheu profissão, “Paixão por essa arte. Desde criança sempre fui apaixonado por rádio e por música. Dormia com o rádio debaixo do travesseiro”.
Além de radialista Lobão é docente de Comunicação e Áudio do Senac há 11 anos, é Músico (contra-baixo) e tem uma banda.
Para ser um radialista e ter o conhecimento que ele possui foi resultado de muito esforço, ele fezComunicação Social com Habilitação em Jornalismo. “Mas muito do que sei foi no dia-a-dia. Comecei como sonoplasta da Rádio Clube AM (hoje Líder Am 830) em 1987, onde fiquei um ano aprendendo sem ganhar nada”, relata.
Depois disso, com o tempo vieramàs experiências, as capacitações, e ele conseguiu alcançar os DRTs por tempo de serviço: Operador de áudio; Operador de Gravação; Discotecário; programador musical; Locutor Apresentador; Coordenador de programação; Diretor de Programação e Diretor Artístico (último registro desde 2004).
Para aqueles que desejam seguir nesta profissão Lobão dá a dica: “Seja o melhor, mas sem passar por cima de ninguém e sim com competência e muita qualidade. Corra a traz, se especialize, se qualifique, se informe”. Uma frase que gosto muito… “Faço o que gosto e me pagam por isso”… (Juca Chaves).

Luciane Petrocelli é radialista há 24 anos, pois começou desde cedo, com apenas 14 anos. Além de radialista, ela é professora de Português e Inglês no Estado, além de ser coordenadora do curso de radialista.
Para ela,hoje o rádio é muito diferente de antigamente, “Hoje o mundo está muito rápido estamos vivendo na era da internet e o rádio precisa acompanhar esta transformação. Portanto, o radialista de hoje muito mais dinâmico e eficaz. Continua sendo o mesmo companheiro do público, mas precisa acompanhar a tecnologia, estar mais antenado com as novidades”.
A palavra de incentivo que deixa as pessoas que querem seguir esta profissão é: “Gostar do rádio e do que faz este é o segredo, gostar de gente e gostar de trabalhar para o povo. A linguagem é voltada para o público. O rádio é o companheiro dos solitários e todos aqueles que gostam de informar é o sempre”, disse.

Leonardo da Silva Brigagão (Chandelly), 37 anos, trabalha na rádio Clube 92 FM de Votuporanga-SP, é radialista há 18 anos, “Desde 1996, ou seja, há 18 anos. Comecei em Limeira-SP, passando por outras cidades, até chegar a Votuporanga. Passei por várias emissoras de rádio”, relata. Antes de ser radialista fezvários cursos gratuitos oferecidos pela Secretaria de Cultura de Limeira-SP, cursos particulares também, até realizar o sonho de fazer faculdade de Comunicação Social!
Ele também conta como escolheu esta profissão, “Cresci ouvindo rádio por incentivo de minha mãe. Achava fascinante ver o locutor conversar com os ouvintes ao vivo. Às vezes, eu pegava o gravador e ficava me gravando como se eu fosse um locutor profissional. Também ligava nas emissoras de rádios para participar ao vivo e ganhar prêmios, mas, nunca ganhei. Me divertia mesmo assim!”
-Além de radialista Leonardo é formado em Mecânico Geral (Mecânico Industrial) pelo SENAI de Limeira-SP. Quando me formei em 1993 passei a trabalhar em uma empresa americana como montador, mas, não era feliz. Então, um amigo, sabendo da minha paixão por rádio, me convidou para acompanhar ele em seu programa que acontecia nos finais de semana. Até que comecei a fazer participações com ele e após algum tempo passei a ter meu próprio programa aos sábados e domingos. E assim começou a minha vida de radialista e acabei abandonado minha profissão de metalúrgico.
O incentivo que Chandelly dá para aqueles que querem ser radialista é:
“Se eu consegui em tempos difíceis com tantas exigências, a pessoa que sonha em ser radialista vai conseguir mais facilmente nos dias de hoje. É só se dedicar, procurar a fazer cursos, ouvir todo o tipo de rádio, seja em Votuporanga ou as rádios de São Paulo, pela web. Monte um estúdio em casa, que não é caro, comece a fazer gravações. A internet também oferece muitas dicas para ser um bom locutor. E agora, a minha melhor dica: Não desista do sonho de ser .Sonhar é bom, mas, fazer acontecer é melhor ainda! Depende de cada um!”, finaliza.

Encontro de Radialista
Para comemorar esta data o Senac de Votuporanga fez três dias de Encontro com Radialistas. Na quinta-feira à noite os alunos do curso de Sonoplastia e Locução realizaram um workshop, com assuntos diversos ligados ao rádio. Eles abordaram a História do rádio e da Sonoplastia, a estrutura de cada um e além de tudo o mercado de trabalho. Eles reuniram profissionais do mercado de Rádio e TV com diferentes ideias para discutir sobre o tema.
Na sexta- feira esteve o Locutor Rogério Assis, abordando sobre o tema, “as mudanças do rádio”.
No sábado pela manhã o jornalista Marcos Paiva, que além de apresentador, já foi locutor um dia, que abordou o tema sobre: “A importância do Rádio na vida profissional”.
No evento também houve uma exposição de rádios antigos do acervo do advogado Sandro Ricardo Fortini de Votuporanga,onde trouxe vários rádios das décadas de 20,60 até os atuais. Seu principal hobby é colecionar rádios, entre eles, americanos e europeus.
O destaque maior foi para o modelo cacique, que é o primeiro rádio fabricado no Brasil, em 1932. Diário de Votuporanga

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