Quadrilha abastecia festas com ecstasy e LSD

Uma quadrilha de traficantes abastecia festas rave e boates de Rio Preto com uma média de mil comprimidos de ecstasy e micropontos de LSD por semana.

 

Seis deles estão presos desde anteontem pela Polícia Militar, em uma operação do Gaeco, braço do Ministério Público que investiga o crime organizado. Um está foragido.

Em Rio Preto, foram detidos temporariamente Luiz Antônio de Siqueira Junior, 32 anos, gerente do Banco do Brasil em Mirassol, e o publicitário Bruno Antonio Trevisan, 25, conforme o Diário antecipou ontem com exclusividade.

Segundo o Gaeco, eles compravam drogas sintéticas de fornecedores em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto, a maioria DJs, entre eles o paulistano Lúcio Cavalcanti. Há alguns meses, adquiriram 500 comprimidos de ecstasy por R$ 25 mil (R$ 50 cada). A droga, feita em laboratórios do Brasil, era enviada para Rio Preto pelo correio.

Ainda de acordo com o MP, Siqueira Junior e Trevisan eram auxiliados pelo técnico em informática Tiago Belleti Scandiucci, 33 anos, e sua mulher, a professora Evelyn Pereira Marques, 33, que lecionava biologia na Fundação Casa. “Eles organizavam festas rave em chácaras ou boates da cidade, além de eventos privados, chamados PVT”, disse ontem o promotor do Gaeco João Santa Terra.

Evelyn se candidatou a vereadora em Rio Preto ano passado, pelo PTC. Teve só 63 votos, sem ser eleita. Tanto ela quanto Scandiucci foram presos em flagrante ao longo da operação, deflagrada no início do ano e batizada de Paraíso Artificial, em alusão ao filme brasileiro de 2012 que narra o consumo de drogas sintéticas em festas rave.

Scandiucci foi detido em abril, quando, acionados pelo Gaeco, policiais militares flagraram o técnico vendendo comprimidos de LSD para dois jovens na avenida em frente ao condomínio fechado onde morava com Evelyn, o Parque da Liberdade 2. No celular do técnico, havia mensagens combinando a entrega da droga aos jovens.

Logo em seguida, os PMs invadiram a residência do casal, onde apreenderam 58 comprimidos de ecstasy, 48 micropontos de LSD, duas porções de cocaína e 42 folhas de receituários médicos. Na época, Scandiucci assumiu ser dono de toda a droga, e só ele acabou preso.

Mas em outubro, a mulher, Evelyn, também seria detida com um comparsa, Guilherme Pereira. Na ocasião, ambos também portavam drogas sintéticas.Para o promotor Santa Terra, falta maior controle do poder público sobre festas feitas na região. “O tráfico de drogas sintéticas é itinerante, vai onde ocorrem esses eventos, que quase nunca são fiscalizados. Por isso, vou oficiar às prefeituras cobrando providências”, disse.

Em novembro de 2010, o Diário e o Fantástico, da TV Globo, mostraram que o tráfico de ecstasy e LSD corria solto na Playground Music Festival, uma mistura de rave com parque de diversões no Recinto de Exposições de Rio Preto. Após as reportagens, o prefeito Valdomiro Lopes proibiu festas eletrônicas em locais públicos da cidade.

Além das detenções em Rio Preto, foram presos temporariamente dois em Ribeirão Preto, um em Araraquara e um na Capital – o DJ Lucio Cavalcanti. Todos já prestaram depoimento ao Gaeco, com exceção da dupla de Ribeirão. O Gaeco de Rio Preto conduziu as investigações, com apoio dos Gaecos de São Paulo e Ribeirão Preto.

Procurados, os advogados dos investigados não puderam ser localizados ontem à tarde. Tanto o bancário quanto o publicitário foram levados para a cadeia de Catanduva.

‘Barão’ ficou famoso por trazer entorpecente da Holanda

Outro grande esquema de tráfico de drogas sintéticas em Rio Preto foi alvo de investigação da Polícia Civil no início dos anos 2000. Israel Domingues de Oliveira, apelidado pela polícia de “barão do ecstasy”, e o filho, Israel Dias de Oliveira, levavam cocaína escondida em pranchas de surfe ou camufladas no estômago de “mulas” para a Holanda e traziam comprimidos de ecstasy e micropontos de LSD. As drogas sintéticas eram vendidas durante festas em Rio Preto.

O esquema veio à tona em dezembro de 2004. Dois “mulas” do esquema foram detidos no aeroporto de Cumbica em Guarulhos vindas de Amsterdã trazendo na bagagem milhares de comprimidos de ecstasy. Com as investigações desencadeadas a partir desse flagrante a polícia conseguiu prender 21 pessoas, incluindo jovens de famílias de classe média-alta em Rio Preto.

Meses depois, no entanto, o “barão” e o filho conseguiram um habeas corpus no Tribunal de Justiça para responder pelos crimes de tráfico e associação ao tráfico em liberdade. Ambos foram condenados em 2011 pela 4ª Vara Criminal de Rio Preto: o pai a 12 anos de prisão, e o filho a oito. Mas em setembro deste ano, a pena dos dois foi reduzida para nove anos e quatro meses e seis anos, respectivamente.

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