qua, 12 de agosto de 2026

Professora adapta colete para aluno com paralisia cerebral dançar quadrilha

Em um gesto de carinho e inclusão, uma professora de São José do Rio Preto utilizou um colete adaptado para permitir que Arthur Ortega, um aluno de quatro anos com paralisia cerebral, participasse da quadrilha junina com seus colegas. A iniciativa, que ocorreu no dia 28 de junho, viralizou nas redes sociais, com o vídeo publicado pela mãe do menino atingindo mais de 75 mil visualizações. Nas imagens, Arthur aparece sorrindo, embalado pela música e pelo abraço da professora Ellen Matos. A atitude da educadora foi amplamente elogiada em comentários de pais, alunos e internautas.

A mãe de Arthur, Cintia Valéria Ortega, de 32 anos, contou que o planejamento para o momento especial começou bem antes, por iniciativa da própria professora Ellen. Para a dança, era necessário um colete chamado Walking, projetado para auxiliar na mobilidade. Cintia conseguiu o colete emprestado com outra mãe de um filho atípico, permitindo que Arthur, que tem mobilidade limitada e costuma ficar à margem de atividades coletivas, pudesse desfrutar plenamente da festa junina em seu primeiro ano na escola.

A Trajetória de Arthur e a Celebração da Mãe

Arthur nasceu prematuro, com apenas 27 semanas de gestação. Cintia sofreu de pré-eclâmpsia e síndrome de Hellp, uma complicação grave da gravidez. Com 22 semanas, o crescimento fetal de Arthur estagnou, e a interrupção da gestação foi necessária. Aos oito dias de vida, uma lesão decorrente da prematuridade resultou na paralisia cerebral do menino, que passou 163 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, um período de grande angústia para a mãe.

Ao ver Arthur sorrindo e se divertindo na quadrilha, Cintia celebrou o momento como uma grande vitória. “No dia da festinha, passou um filme desde o nascimento até aquele momento, em ver ele tão feliz e se sentindo ‘igual’ aos amigos. Ali, vi que tudo valeu a pena. Ele amou, ele ama música e dança mesmo dentro das limitações. A professora inclui ele em todas as atividades possíveis”, comemorou a mãe.

A Visão da Professora Ellen Matos sobre Inclusão

A professora Ellen Matos, que já utiliza recursos pedagógicos adaptados ao longo do ano, explicou que buscou uma forma prática de garantir a participação ativa de Arthur na festa. Nos dias que antecederam a apresentação, ela treinou o uso do colete com o menino para que ele se sentisse seguro e confortável. Observando o entusiasmo de Arthur em bater palmas, sorrir e tentar acompanhar os colegas, Ellen se recusou a deixá-lo apenas como espectador.

“Eu observei que ele tinha muito potencial, muita vontade. Nos ensaios, ele apresentava muita alegria. Eu queria que ele se sentisse parte. As iniciativas de inclusão são muito importantes em todos os locais, principalmente no âmbito escolar, porque nós, professores, precisamos ter essa visão de que o acesso à educação é um direito de todos”, reforçou a professora.

Formada em pedagogia e especializada em análise de comportamento, Ellen pontuou que a inclusão deve ir além da teoria. Inspirada em práticas de educação inclusiva, ela participa de formações contínuas e mantém um diálogo constante com os pais. Para incluir Arthur, ela adapta atividades, cria jogos sensoriais, propõe interações em grupo e transforma o planejamento pedagógico para atender às necessidades específicas do aluno.

“A importância da inclusão é justamente essa: de ressaltar que é um direito inegociável. É o olhar sobre o outro na prática, não só no papel. É possível explorar as possibilidades de cada ser humano, independente do laudo. Trazer para realidade o que eu aprendi nos estudos”, concluiu Ellen.

Região Noroeste

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