Processo contra ex-dona da Daslu será arquivado, diz MPF

Carro funerário com corpo partiu para cemitério por volta das 12h desta sexta (Foto: Kleber Tomaz/G1)

O processo que condenou em março de 2009 a empresária Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, ex-proprietária da butique de luxo Daslu, a mais 94 anos de reclusão pelos crimes de descaminho, formação de quadrilha e falsidade ideológica será arquivado. A informação foi dada na manhã desta sexta-feira (24) ao G1 pela assessoria de imprensa do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP).

Segundo a assessoria do MPF-SP, todos os processos nos quais o condenado ou o acusado morre são extintos. Eliana morreu no início desta madrugada, aos 56 anos, no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, Zona Sul da capital paulista, em decorrência de câncer no pulmão complicado por pneumonia, segundo a assessoria de imprensa da unidade médica.

No fim de 2006, Eliana chegou a retirar um tumor no pulmão por conta de um câncer. O corpo dela está sendo velado no próprio Hospital Albert Einsten.

O clima era de comoção durante o velório, onde compareceram nesta manhã parentes da empresária, amigos, funcionários, políticos e personalidades. O corpo de Eliana saiu por volta do meio-dia do hospital em direção ao Cemitério do Morumby, onde será sepultado às 15h.

A jornalista Joyce Pascowitch comentou a morte de Eliana. “Controvérsias à parte, ela foi importante para a cidade. Foi uma batalhadora e foi muito importante para a cidade de São Paulo, gerando empregos e fazendo com que a cidade fosse mais conhecido internacionalmente por conta dos seus empreendimentos”, disse.

Processo
Apesar de o processo contra Eliana acabar, ele irá prosseguir em relação aos demais condenados que tinham relação com a empresária na Daslu.

O caso contra Eliana e seus pares veio à tona em 2006, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Narciso, que apurava sonegação fiscal nas importações da Daslu. Ela chegou a ser detida e liberada no mesmo dia por conta de um habeas corpus impetrado por sua defesa e concedido pela Justiça. Antonio Carlos Piva Albuquerque, irmão de Eliana e seu sócio na butique, e Celso de Lima, ex-contador da Daslu e dono da importadora Multimport (uma das principais da loja) ficaram presos por cinco dias.

Após serem julgados, a juíza federal Maria Isabel do Prado decidiu condenar os três. Eliana e seu irmão foram sentenciados a pena de 94,5 anos, sendo três anos por formação de quadrilha, 42 anos por descaminho, 13,5 anos por tentativa de descaminho e 36 anos por falsidade ideológica.
Celso de Lima pegou 53 anos, sendo três por formação de quadrilha, 21 por descaminho consumado, nove por tentativa de descaminho e 20 por falsidade.

Na época, a juíza escreveu que “os acusados praticaram crimes de forma habitual, como verdadeiro modo de vida, ou seja, são literalmente profissionais do crime”. Os advogados dos condenados negaram as acusações atribuídas a seus clientes após a sentença e recorreram das prisões.

Por decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo, todos foram soltos mesmo após a condenação, segundo a assessoria do MPF-SP. De acordo com o Ministério Público Federal, ainda existem outros recursos em andamento contrários à condenação, mas ainda não foram julgados.

Em fevereiro de 2011, os credores da Daslu aprovaram o plano de recuperação judicial que previa venda da empresa. A butique de luxo foi vendida ao Fundo Laep, do empresário Marcus Elias. A “antiga” Daslu, que ficou nas mãos da empresária, é, atualmente, responsável por negociar os estimados R$ 500 milhões em dívidas com a Receita Federal. A empresária manteve-se apenas como consultora da marca, que possui duas lojas – uma em São Paulo e outra no Rio.

O G1 não conseguiu localizar nesta sexta os advogados de Eliana e de Antonio Albuquerque, irmão de dela, e Celso de Lima, para comentarem o assunto. A assessoria de imprensa da Justiça Federal também não foi localizada até as 11h para comentar o andamento dos processos de Eliana. Ela deixou três filhos.

Fonte: g1.com.br

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