Primeiro transplante pulmonar do HB é bem-sucedido

O primeiro transplante de pulmão da história do Hospital de Base (HB), em Rio Preto, foi considerado bem-sucedido pelos médicos, durante coletiva à imprensa na tarde de quinta-feira (dia 25). O paciente Antônio Pelaio Dias, de 53 anos, segue internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). O seu quadro é considerado estável.

Segundo os médicos, o aposentado, que sofria de uma doença pulmonar obstrutiva crônica, respira na UTI com ajuda de aparelhos. A previsão é que nos próximos dias o paciente respire por meios próprios. Dias, que é morador de Votuporanga, foi o primeiro paciente a receber um transplante de pulmão no Noroeste Paulista. A luta do paciente começou no dia 2 de dezembro de 2015 quando seu nome foi inscrito na lista de espera.

Depois de quase oito meses, um doador surgiu em Araçatuba. Por volta do meio-dia da última quarta-feira (dia 24), o Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos (Spot) do HB foi informado sobre um potencial doador de pulmão. Era uma mulher de 58 anos, que tinha morrido em decorrência a um acidente vascular cerebral (AVC).

Uma equipe médica do HB seguiu até lá para avaliar as condições do órgão. Ao verificarem que era compatível, iniciou uma corrida contra o tempo. São dois procedimentos cirúrgicos realizados em um curto período de tempo, enquanto o órgão é captado do doador, iniciasse a preparação do receptor. Ao ser retirado, o pulmão tem de ser transplantado em até oito horas.

A troca de informações, entre as equipes médicas nas duas cidades, foi crucial, afirma o cirurgião torácico Henrique Nietmann. “Trocamos informações o tempo todo, se o órgão era bom, se seria viável. Tudo isso por um motivo: se iniciamos a cirurgia no receptor em Rio Preto e depois percebêssemos que o órgão não era bom, esse receptor poderia não acordar mais da anestesia devido ao seu quadro clínico bastante debilitado. Mas felizmente contornamos todo o problema e a cirurgia em si foi um sucesso”, afirmou o cirurgião.

Sete horas de cirurgia

O procedimento cirúrgico durou aproximadamente sete horas e mobilizou 15 profissionais entre cirurgiões, anestesistas, enfermeiras e equipes de apoio.

Após ser retirado da mulher, o órgão foi transportado de avião de Araçatuba para Rio Preto. Os médicos afirmam que os primeiros resultados, após o procedimento, são satisfatórios, mas que é preciso cautela.

“Foi melhor do que esperávamos. O paciente saiu melhor do que nós também esperávamos nessa fase inicial, temos alguns parâmetros que medem isso e estamos esperançosos de que a evolução será favorável como foi até agora. Vencemos uma etapa, mas ainda temos muito que percorrer”, diz Nietmann.

Nos próximos dias, a ventilação mecânica será desligada para que o paciente respire por meios próprios.

“O paciente ainda está sob efeito de sedativos, mas já estamos cortando essa medicação. Até o momento, ele está evoluindo bem dentro do esperado em um transplante com sucesso. Todos os parâmetros vitais estão estáveis e o estamos caminhando progressivamente para a retirada da ventilação mecânica”, explica o pneumologista Rafael Mussolino.

Rio Preto é a primeira cidade do Noroeste Paulista que está apta para realizar procedimentos desta complexidade. Atualmente, há quatro centros médicos no Brasil que oferecem o transplante de pulmão, todos em capitais, sendo um em Porto Alegre, um em Fortaleza e dois em São Paulo.

Por Alex Pelicer – Gazeta de Rio Preto

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