Prefeitura ignora Incra, que pede permanência do grupo

Órgão pede que acampados fiquem no local por mais seis meses

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de São Paulo tentou, sem sucesso, nesta semana, negociar com a Prefeitura de Votuporanga a permanência das 46 famílias no acampamento “Nelson Mandela II”, em na área municipal do bairro Estação. O órgão enviou uma carta anteontem ao Poder Executivo local, que ignorou a correspondência.

Wellington Diniz Monteiro, superintendente regional do Incra, solicitou que o município deixe o grupo na área por mais seis meses. Neste período, o instituto se comprometeria a cadastrar as famílias; realizar busca na região de uma área que possa abrigar os manifestantes de forma provisória e iniciar os trabalhos que possam vir a resultar na criação de um projeto de assentamento na região.

No ofício endereçado ao prefeito Junior Marão, Monteiro demonstrou preocupação com o agravamento dos conflitos relacionados à questão fundiária, que estão ocasionando o aumento da instabilidade social.

“Preocupa-nos a situação envolvendo famílias de trabalhadores sem terra, particularmente, no caso de Votuporanga, onde se encontra o acampamento Nelson Mandela II, que ocupa área da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) cedida a esta municipalidade, que adentrou em juízo solicitando a reintegração de posse do local”, disse.

Ele citou reunião ocorrida no dia 17, envolvendo Marão e o ouvidor agrário regional do estado de São Paulo, Eduardo Camilo Terra dos Santos. Segundo o superintendente, o encontro resultou em uma tentativa de acordo que abriria a possibilidade das famílias permanecerem no local enquanto a autarquia, em conjunto com as famílias, procuraria uma área, para que o grupo permanecesse acampado à espera de assentamento.

Diário entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Votuporanga, para comentar sobre o assunto. A assessoria informou que desconhece o documento, pois ainda não recebeu o ofício. Entretanto, o papel foi datado no dia 24.

Na segunda-feira, a Prefeitura de Votuporanga entrou com reintegração de posse do local na Justiça. O pedido foi incluído no processo na terça e aguarda a análise do juiz Camilo Resegue Neto.

De acordo com a coordenadora do grupo “Nelson Mandela II”, Gildete Maria de Jesus dos Santos Gotardi, três famílias abandonaram o acampamento. Ela contou que os integrantes aguardam a resposta do prefeito sobre a permanência. “Queremos plantar quiabo, jiló berinjela, para fazer horta e vender os produtos”.

Andressa Aoki
andressa.aoki@diariodaregiao.com.br

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