Prefeitura e DER divergem sobre a esburacada Estrada do 27

Neste jogo de empurra-empurra, motoristas convivem com problemas como buracos e falta de acostamento

Enquanto a Prefeitura de Votuporanga e o Departamento de Estrada e Rodagem (DER) ficam no jogo de empurra-empurra, os motoristas que passam pela Estrada do 27 são obrigados a conviver com velhos problemas como buracos, sinalização ruim e falta de acostamento.
O Diário revelou os problemas nos 27 quilômetros da estrada vicinal Adriano Pedro Assi (Estrada do 27) em reportagem veiculada em junho deste ano. Bastou percorrer o mesmo trajeto na tarde de ontem para constatar os mesmos problemas. Em três trechos houve o serviço de tapa-buracos que “não adiantou em nada”, segundo o caminhoneiro Carlos Luís Sampaio Souza, de 47 anos.
“Estes remendos no asfalto não ajudam em nada. Serviço mal feito e que serve só para gastar o dinheiro do povo”, disse o caminhoneiro.
Na época da primeira reportagem, em junho, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Votuporanga informou, por meio de nota, que a solicitação referente à recuperação total da vicinal seria entregue feita ao governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, em visita a cidade no dia 2 de junho. Entretanto, durante a passagem pela cidade, o governador foi objetivo em afirmar que “a vicinal é de competência do município”.
Na tarde de ontem, novamente por meio de nota, a prefeitura voltou a divulgar posicionamento semelhante sobre o assunto “em conversa reservada, o governador Alckmin confirmou ao prefeito Junior Marão que já havia autorizado o DER a contratar empresa especializada para elaborar o projeto executivo para viabilizar a obra”.
Já a assessoria do DER não confirma essa informação. “O DER informa que a mencionada estrada SPV-27, denominada Adriano Pedro Assi é uma vicinal de administração municipal. Desta forma, não cabe ao DER a responsabilidade pela manutenção e pela realização de obras na via”, informou por meio de nota.

Para veículos leves
A vicinal foi projetada para veículos leves, ainda no governo Franco Montoro, na década de 1980. Atualmente, o grande fluxo de veículos pela Estrada do 27 é causado porque a vicinal é uma via de escoamento para produções agrícolas e leiteiras e também dá acesso a uma usina, o que explica o trânsito constante de caminhões, bitrens e treminhões carregados de cana-de-açúcar.
A Prefeitura usa esse argumento para justificar que “recapeamento, apenas, não resolve mais, sendo necessária uma recuperação e adequação da via para suportar o peso dos veículos pesados. Por isso, há necessidade de ajuda do Governo do Estado”, consta na nota.
Quanto ao serviço de tapa-buracos, a prefeitura informou que teve início na segunda-feira a operação em parceria com a Usina Noroeste Paulista, que teria fornecido 100 toneladas de massa asfáltica. “Os trabalhos seguem até o fim desta semana. Porém, é preciso ressaltar que é apenas uma ação paliativa até que a obra de recuperação total da estrada não seja iniciada”, disse o secretário municipal de Obras, Waldir Petenucci.
Segundo ele, a última operação tapa-buraco na Estrada do 27 foi realizada em junho. Nesta operação foram usadas cerca de 20 toneladas de massa asfáltica.

Motoristas deviam de ‘armadilhas’

Percorrer os 27 quilômetros da Estrada do 27 entre Votuporanga e Sebastianópolis do Sul não exige só atenção redobrada ao volante, mas também sorte para escapar de armadilhas de estrutura da estrada, que está “tomada” por buracos.
Já nos três primeiros quilômetros da vicinal, após o acesso ao Residencial Athenas, é possível perceber nitidamente as imperfeições do asfalto.
Até o trecho próximo a linha férrea há uma sequência de buracos e imperfeições que geram trepidação nos veículos, saldo acumulado do velho asfalto e das rachaduras.
Para piorar a situação, neste mesmo trecho, o fluxo de caminhões canavieiros aumenta por causa de uma estrada de terra, o que a torna mais perigosa ainda.
“Já furei o pneu do carro duas vezes. Algo tem de ser feito nesta vicinal”, afirma o motorista Luiz Felipe das Flores, de 39 anos.
Morador de Sebastianópolis de Sul, ele “encara” a Estrada do 27 há seis anos, faça chuva ou faça sol, para vir trabalhar em Votuporanga e trazer também os filhos à escola.
Por mais três quilômetros pela estrada, os buracos cada vez mais tomam conta do asfalto e, de repente, o motorista é convidado a passar por uma ponte sobre o rio São José. Eis a surpresa: um trecho do local está sem parapeito, o que torna a ponte mais perigosa e sem proteção em casos de acidentes.
“Já passou da hora da Prefeitura resolver este problema. Entra ano e sai ano, tudo fica na mesma”, afirma o motorista Luiz Cláudio Pinheiro, de 48 anos. Ele faz parte da população formada por pelo menos 50 famílias que vivem em chácaras às margens da estrada e são obrigadas a conviver com estes velhos problemas.
Pinheiro conta que sempre presencia acidentes na estrada. Um dos mais graves que se recorda foi em dezembro do ano passado.
O motociclista Eucaris de Queiroz Lima, de 32 anos, seguia no sentido Votuporanga a Sebastianópolis do Sul quando bateu de frente com um carro que vinha no sentido contrário da pista. “Não sei o que mais precisa acontecer para as condições da pista serem melhoradas”, disse.
Durante o percurso feito pelo Diário, ontem à tarde, foi possível observar motoristas se arriscando na pista contrário por causa dos buracos. Em um dos casos, um caminhoneiro invade o acostamento para ‘driblar’ as crateras na vicinal. “A gente fica neste zigue-zague. É muito perigoso. Não adianta recapear, tem de asfaltar tudo”, afirma um caminhoneiro

Paradoxo
Logo após o trevo para a usina, a vicinal apresenta um paradoxo: o pavimento está melhor e apresenta “no pacote” solavancos que podem gerar perigo ao motorista menos atento.
Em algumas dessas depressões, que acompanham o motorista até a entrada para o trevo de Sebastianópolis, o carro parece querer “sair” da faixa, o que exige constante correção ao volante. Em muitos casos, os motoristas invadem a pista contrária para desviar dos buracos.
“A vicinal é muito perigosa. Cheia de buracos. Não pode desviar a atenção um minuto”, afirma o motociclista Pedro Ricardo Fernandes Godoi, de 32 anos, que passa pelo local todos os dias para ir trabalhar e estudar em Votuporanga. Luciano Moura/Diário da Região de Votuporanga

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