Prainhas da região foram tomadas por ‘pancadões’

A paz nas prainhas não é mais a mesma. O canto dos pássaros e o barulho da correnteza dos rios agora são ofuscados pelos pancadões que explodem dos sons de carros estacionados na areia e ao lado dos quiosques. As prainhas de Sales, Ubarana e Mendonça, que eram frequentadas por famílias, agora deram espaço para verdadeiras muvucas e arruaças. Diversas famílias que foram às prainhas retornaram depois de deparar com som alto e uso de drogas abertamente.

Quem presenciou situação parecida foi a rio-pretense Cidineia Cavessani, que resolveu juntar a família no fim de semana retrasado para curtir a prainha da Barra Mansa, em Mendonça. Não deu certo e tiveram de mudar os planos. “As músicas estavam muito altas e com letras de apelo ao sexo e à orgia”, conta. Então, eles decidiram deixar o local e foram até a Praia de Torres, em Sales. Chegando lá, além do som alto, depararam com pessoas usando droga livremente. “Os seguranças só observavam. Ninguém falava nada. Não havia polícia. “, conta.

A família resolveu abandonar o quiosque e riscar a prainha dos planos de fim de semana. A mesma situação também é presenciada pelo casal Paula Calixto e Ademir Donizeti Pazini, 48 anos. Eles são frequentadores assíduos das prainhas da região, principalmente em Mendonça e Sales, mas também reclamam que a falta de policiamento favoreceu a baderna e o uso de drogas. “Ficou insuportável ir aos domingos”. O prefeito de Sales, Genivaldo de Brito Chaves (DEM), disse que desconhece o problema.

“Não fomos informados até o momento, mas devemos, desde já, reforçar a segurança no local”, disse o prefeito. A segurança das três prainhas de Sales (Cervinho, Torres e Richilieu) é feita por uma empresa terceirizada. Em contato com a empresa de segurança, os responsáveis alegaram que o uso de som nos automóveis está moderado. “Infelizmente é difícil combater o uso de drogas, mas dentro dos portões das ‘prainhas’ não fomos notificados.”

Segundo o estatuto das prainhas de Sales, o som é permitido apenas moderadamente. “Se a pessoa liga o som alto, pedimos para abaixar. Caso não obedeçam, nós pedimos para que se retire do ambiente”, explicou Luis Didião, responsável pela empresa de segurança das prainhas há 19 anos. A Polícia Militar de Sales foi procurada pela reportagem, mas não foi encontrada.

 

Blitze na prainhas - 27012017Durante as blitze, a polícia contou com apoio do canil e do helicóptero Águia

Mendonça

O coordenador de Turismo da Prefeitura de Mendonça, João Bazotti, disse que reconhece a lotação da prainha da Barra Mansa, mas alegou que o local é “ limpo, muito bem cuidada e com a segurança necessária”. “Nossos seguranças sempre abordam as pessoas que estão com o som muito alto e a polícia comparece sempre que é requisitada”. Segundo a Polícia Militar de Mendonça, a segurança da ‘prainha’ é responsabilidade da Prefeitura e raramente eles são solicitados para ocorrências na Barra Mansa. “Fazemos apenas operações preventivas para conter delitos, como parcerias com o Caep”, disse o subtenente Gonçalves.

(Colaborou Arthur Ávila)

Rua sem nome é ‘desculpa’ para não multar

Em Ubarana, outra cidade com prainha na região, a situação é semelhante. Lá, a Polícia Militar afirma que enfrenta problemas para aplicar multas por falta de sinalização nas ruas. “Não dá para autuar se lá não tem nome de rua, alameda, etc. Isso prejudica nosso trabalho”, disse o subtenente Ronie, comandante do batalhão da PM de Ubarana, que aguarda pela criação do Conselho Municipal de Turismo da cidade.

“Está sendo feito um projeto de lei para melhorar a organização da ‘prainha’. É preciso ressaltar que o ambiente deve ser familiar, colocar mais placas proibindo som alto, porque atualmente as placas mostram que o som é permitido até a meia-noite”. A Prefeitura de Ubarana foi procurada pela reportagem, mas ninguém atendeu as ligações.

No fim de semana passado, uma operação preventiva, devido ao aumento de visitantes durante as férias, aconteceu nas prainhas de Mendonça e Ubarana. A operação contou com o apoio do 52º Batalhão de Rio Preto, Canil, helicóptero Águia, Conselho Tutelar e também da Compania de Ações Especiais (Caep). A polícia encontrou drogas com adolescentes, mas todos foram liberados por serem menores de idade.

Diário da Região

 

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