Pozzobon, o bairro que se tornou ‘outra cidade’

Criado no fim da década de 70, o primeiro loteamento da área foi vendido em um único fim de semana (sábado e domingo)

 

Inauguração da avenida Emílio Arroyo Hernandes, que tem hoje muitas lojas

 

Inicialmente, o bairro Pozzobon foi formado pelo 14º loteamento e o seu prolongamento, entre 1978 e 1979. Em 1987, foi feita a junção dos dois loteamentos e foi denominado Pozzobon, por intermédio de um Projeto de Lei da Câmara Municipal.

Com a influência da construção de Brasília, o visionário Mário Pozzobon, trouxe para Votuporanga um investimento arrojado para a época. O empresário esteve na capital do país em sua construção e conversou com o engenheiro assistente do Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, de onde tirou muitas ideias para trazer ao município.

“Meu pai tinha uma visão que a cidade cresceria para além da rodovia, ele acreditava no potencial do município. Daí, ele comprou aquele pedaço de terra, onde hoje é o bairro Pozzobon e destinou boa parte para a construção da avenida central. Na época as pessoas falaram que ele era doido, que era desnecessário, mas ele sabia que ali seria uma das entradas da cidade”, disse o filho de Mário, o médico Atílio Pozzobon.

Ele contou que Votuporanga naquela época estava limitada, o perímetro urbano terminava na rodovia e o loteamento do bairro foi feito de forma judicial.

“Como não havia a expansão da cidade, os terrenos que estavam no perímetro urbano tinham uma valorização muito grande, impossibilitando as pessoas de classe média e baixa de possuírem um terreno e construir a sua casa. Mas o sonho de meu pai era dar a oportunidade para essas famílias em terem a sua casa própria. O sucesso do empreendimento se concretizou quando em um único fim de semana, todos os terrenos do primeiro loteamento foram vendidos”.

 

Outra cidade

Basta atravessar o pontilhão, que logo na avenida principal do Pozzobon, a Emílio Arroyo Hernandes, já estão à disposição da população lojas de todos os segmentos. Bancos, lotéricas, açougues, padarias, mercado, academia, restaurantes, dentistas, médicos, lojas de roupas e sapatos, papelarias, entre outros, são alguns dos estabelecimentos que são encontrados.

Para a população, o bairro é considerado “outra cidade”, já que, tudo se encontra por lá, sem precisar ir para o centro para comprar alguma coisa. Hoje, o Pozzobon é considerado maior do que todas as cidades da região, exceto Jales e Fernandópolis. “Meu pai sempre dizia que todas as cidades crescem pelos bairros, e foi isso que aconteceu. Ele se orgulhava muito de ter sido o precursor da expansão da Zona Norte. O metro quadrado mais caro de Votuporanga, depois da rua Amazonas, é na avenida Emílio Arroyo Hernandes”, contou Atílio.

Para Mário Pozzobon, este loteamento foi o mais significativo, além dos outros que ele construiu na cidade como a Vila América, Paineiras, Jardim Pinheiros, Bairro do Café, Campo Limpo, São Cosme, Parque 8 de Agosto, entre tantos outros. “No fim de sua vida, um engenheiro da Prefeitura esteve em casa para dizer que tinha feito uma pesquisa nos cadastros de loteadores do município, e foi constatado que 53% de Votuporanga, naquela época, tinha sido loteada por ele, ou seja, metade da cidade”.

Emocionado, Atílio relembrou o fato que deixou seu pai muito orgulhoso. “Seu Mário era muito romântico, um sonhador, ele fez de tudo como pessoa, como empresário e como político para que a cidade evoluísse e crescesse e fosse o que se tornou hoje”.

Isabela Jardinetti

isabela@acidadevotuporanga.com.br

 

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