Polícia manda 10 pessoas acusadas de envolvimento com o PCC para a cadeia

A Polícia Civil de Araçatuba realizou, nesta quarta-feira (19), uma operação para cumprir mandados de busca e prisão contra acusados de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital) em atividades criminosas que envolvem tráfico de drogas, associação para o tráfico e arrecadação de dinheiro por meio ilegal.

A ação, comandada pela Delegacia Seccional de Araçatuba, ocorreu em Penápolis, Birigui e São José do Rio Preto.

Dez mandados de busca e prisão foram realizados em Penápolis. Outros três foram cumpridos em Birigui e um em São José do Rio Preto. Além das prisões, os policiais civis apreenderam uma arma de fogo, munições, três carros, documentos, equipamentos eletrônicos e produtos que podem ser de origem ilícita.

A investigação envolve 17 pessoas, sendo quatro mulheres. Quatro investigados já estão presos em penitenciárias do Estado. Mesmo assim, a polícia apurou que eles mantinham contato com o grupo que atuava do lado de fora da prisão e com outros membros do PCC, que cumprem pena em unidades prisionais espalhadas pelo Estado de São Paulo.

Nesta quarta-feira, 10 pessoas foram presas. A polícia também apreendeu uma pistola 380, dezenas de munições, três carros, cerca de R$ 7 mil em dinheiro, computadores, celulares, papéis de depósitos bancários e outros papéis que serão analisados.

Conforme levantamento da Polícia Civil, o principal meio de comunicação do grupo era o telefone celular. Tanto que a operação foi batizada de “Linha Vermelha”, denominação frequentemente usada pela quadrilha para indicar o contato direto com integrantes do alto escalão do PCC, dentro de presídios.

E foi por meio dessa chamada linha vermelha que interceptações telefônicas feitas pela polícia, com autorização judicial, revelaram envolvimento do grupo com esquema de compra e venda de drogas, em especial cocaína, arrecadação de dinheiro por meio de rifas vendidas em nome do PCC e transferência de dinheiro do tráfico por meio de contas bancárias de laranjas.

Recados, passados de dentro das penitenciárias, para integrantes e simpatizantes da facção, os chamados “salves”, também eram realizados por meio da “linha vermelha”, assim como o julgamento para possíveis transgressões de membros da organização e ordens para auxílio a parentes de presos.

A investigação da polícia revelou que um dos principais integrantes do grupo é André Luiz dos Santos, o Morcego, preso na semana passada em uma operação do Ministério Público, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), núcleo de Araçatuba.

André Luiz

Morcego foi preso em Penápolis. Mesmo assim, nova prisão foi expedida pela Justiça por seu envolvimento na investigação que deu origem à operação Linha Vermelha, desencadeada nesta quarta-feira.

INVESTIGAÇÃO

A investigação ocorre desde julho. O inquérito policial foi aberto para apurar o desenvolvimento do tráfico de drogas praticado pelo presidiário Ronaldo César Ambrósio dos Santos, o Jogador, que cumpre pena no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Rio Preto e por André Luiz dos Santos, o Morcego, apontado como um dos principais responsáveis pelo PCC na região de Araçatuba.

Ronaldo Ambrósio

Para a polícia, os dois são os principais responsáveis pela compra e venda de cocaína e pela lavagem do dinheiro arrecadado com o tráfico. O esquema, de acordo com a investigação, envolve o cabeleireiro Charlon Alves de Souza e a mulher dele, Luciana Aparecida Lemes Brito .

O casal foi preso em Birigui, no bairro Jandaia 2. Grampos telefônicos revelaram que Charlon seria um dos fornecedores de drogas para a quadrilha, e que a mulher dele, usava a conta corrente para depósito de dinheiro proveniente do tráfico praticado pelo grupo.

Cristoffer Vinicius da Costa Cândido e Edvaldo Alves de Araújo, o Gu, foram presos em Penápolis. Conforme a polícia, eles tinham a função de compra, venda e transporte da droga pertencente a quadrilha.

Outros dois indiciados são Aparecido Gomes da Silva, o Cido, e Fernando Leoni Medeiros, responsáveis pela ocultação e transporte de entorpecentes.

Aparecido Silva

Aparecido foi preso em flagrante por tráfico no dia 3 de setembro, em Penápolis, com quase dois quilos de cocaína. Apesar de já estar respondendo processo, a Justiça decretou, novamente, sua prisão, desta vez, por integrar o grupo investigado pela Delegacia Seccional de Araçatuba.

DA PENITENCIÁRIA

A apuração da polícia revelou que, mesmo preso, Ronaldo César Ambrósio contava com a ajuda de outros três investigados para executar, nas ruas, suas ordens que vinham de dentro da penitenciária por meio da “linha vermelha” estabelecida pelo grupo.

Os três envolvidos foram presos em decorrência da investigação. São eles: Denis Cleber Rocha, o Gordo, apontado como braço direito do detento Ronaldo.

Denis Rocha

Denis foi preso no dia 13 de agosto, em Penápolis, com cocaína. Ele foi surpreendido antes de entregar o entorpecente para revendedores, conforme a polícia. A ação ocorreu por conta da investigação da Polícia Civil, em curso naquela ocasião.

Outra indiciada, presa na operação desta quarta-feira, é Simone Bezerra Pereira, namorada de Ronaldo e responsável pela ocultação de drogas, conforme a investigação.

Outra integrante do grupo é Ariane de Almeida Silveira, acusada de emprestar sua conta bancária para os depósitos de dinheiro do tráfico de drogas. Ela foi presa no Jardim Maria Lúcia, em Rio Preto.

Outros acusados que recebiam ordens do detento Ronaldo e que também foram presos são: Daniela Martin Bispo, responsável pela ocultação de droga; Welington Carlos da Costa, o Erto e Carlos Henrique dos Santos Martinez, o Carlinhos, estes cumpriam a tarefa de comprar e vender entorpecentes e mantinham negócios com Denis Rocha, homem de confiança do detento Ronaldo.

Welington Costa e Carlos Martinez

As interceptações revelam que, antes de ser preso, em agosto, Denis era o responsável pela arrecadação de dinheiro vindo de pequenos traficantes e respectivo repasse para contas comandadas pelo ‘patrão’ dele, Ronaldo Ambrósio. A investigação apurou que o grupo havia se especializado em abastecer ‘biqueiras’ de Penápolis.

FORMIGUINHA

Segundo o delegado Seccional de Araçatuba, Nelson Barbosa Filho, todo o esquema foi feito com a finalidade de abastecer esses pontos de tráfico de drogas, em um esquema conhecido como “tráfico formiguinha”, onde um grupo se encarrega de suprir a demanda de droga de dezenas de pontos. “O transporte é feito em pequenas quantidades, mas reiteradas vezes”, disse o delegado.

Conforme Barbosa Filho, a operação “Linha Vermelha” conseguiu desbaratar esse esquema criminoso que contava com vários operadores e com a supervisão do crime organizado.

Além do tráfico de drogas, o grupo arrecadava dinheiro para o PCC por meio da venda das chamadas rifas. Membros e simpatizantes da facção tinham a tarefa de vender um determinado número de cartelas para angariar fundos para a organização criminosa.

Segundo a polícia, o dinheiro arrecadado, normalmente, é utilizado em ações criminosas como compra e aluguel de armas, financiamento do tráfico, auxílio (empréstimo) aos filiados e familiares e até para pagamento de advogados. “Esse esquema de rifa é, com certeza, um dos tentáculos do crime organizado”, explica o delegado seccional de Araçatuba.

LÍDER REGIONAL

Durante as interceptações telefônicas, a polícia descobriu que André Luiz dos Santos, o Morcego, passou a ocupar o posto de ‘sintonia’ do PCC na região. Seria uma espécie de líder regional para executar ordens do comando, vindas de presídios, e gerenciar negócios da organização fora das muralhas.

Os grampos revelam que ele foi batizado na facção em 15 de julho deste ano, quando recebeu o apelido de “Classe A”. A partir de então, o acusado ficou responsável por se comunicar, por meio da ‘linha vermelha’, com chefões do PCC.

Nesse período, a liderança da facção emitiu um salve determinando a execução de policiais que ‘mexerem’ com familiares de presos filiados. AtaNews

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