A Polícia Civil de Araçatuba realiza, a partir das 9h desta quarta-feira (6), a reconstituição do atropelamento que resultou na morte da ciclista Thaís Bonatti. O juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, de 61 anos, suspeito de dirigir embriagado e com uma mulher nua no colo, deve participar presencialmente do procedimento, segundo a polícia.
O acidente ocorreu em 24 de julho, quando Thaís, de 30 anos, estava a caminho do trabalho e foi atropelada na rotatória da Avenida Waldemar Alves. A investigação aponta que o juiz saía de uma boate na madrugada do atropelamento.
Detalhes da Reconstituição e Investigação
A reconstituição é uma ferramenta utilizada pela polícia para esclarecer a dinâmica do caso e verificar as versões apresentadas por testemunhas e pelo suspeito. Com base em imagens de câmeras de segurança, os policiais refarão o percurso do juiz aposentado, desde a boate até o local do acidente. Para a ação, o trânsito no trecho será interditado.
O inquérito policial aponta diversas imprudências. Câmeras de segurança mostram que, ao sair da boate, o juiz quase atingiu outro ciclista. Em um segundo vídeo, a caminhonete entra na contramão e para por alguns segundos; testemunhas afirmam que foi neste momento que a mulher sentou no colo do motorista.
Após o atropelamento de Thaís, imagens mostram o veículo acelerando e passando por cima da bicicleta. A perícia técnica não encontrou sinais de frenagem no local, indicando que o juiz não tentou frear antes da colisão.
No local do acidente, o juiz se recusou a fazer o teste do bafômetro e o exame de sangue no Instituto Médico Legal (IML). No entanto, um exame clínico atestou a embriaguez. Em seu depoimento, ele alegou ter bebido cerveja e tomado remédios para depressão horas depois, mas negou estar embriagado, afirmando que “não poderia prever” a presença da ciclista.
Andamento do Caso
Thaís Bonatti morreu na Santa Casa de Araçatuba após passar dois dias internada em estado grave e ser submetida a duas cirurgias. A família da ciclista, que trabalhava em mais de um emprego para ajudar nas despesas de casa, pede justiça. A ocorrência, inicialmente registrada como lesão corporal culposa, passou a ser investigada como homicídio culposo (sem intenção de matar) na direção de veículo automotor.
O juiz foi preso em flagrante, mas foi solto no dia seguinte após pagar uma fiança de R$ 40 mil. A Justiça suspendeu sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), e ele está proibido de sair da cidade sem autorização prévia e de frequentar casas noturnas.
A defesa de Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior enviou uma nota à TV TEM lamentando a morte de Thaís e informando que está prestando apoio aos familiares. A nota também esclarece que, devido ao sigilo do inquérito, ele está legalmente impedido de conceder entrevistas.












