Diretor clínico reclama de comando da Santa Casa local

A Câmara Municipal recebeu um comunicado que rendeu polêmica ontem à noite, durante sessão na Casa de Leis. Assinado pelo diretor clínico da Santa Casa de Votuporanga, Marco Aurélio Nascimbeni, o documento faz duras críticas ao hospital.
Marco Aurélio destacou o pedido de que especialidades estivessem representantes, durante uma reunião. “Aproximadamente há 45 dias, os médicos receberam uma correspondência da diretoria/administração da Santa Casa, na qual pediram que as especialidades indicassem representantes, visando formar uma comissão da Santa Casa para uma gestão compartilhada no hospital. Muitos médicos receberam com desconfiança, pois nunca fomos chamados para gerir nada, mas alguns ainda tiveram vontade de fazê-lo”, ressaltou.
Depois do comunicado aos médicos, o administrador da instituição, Mário Bernardes, anunciou para a imprensa de que a dívida era de R$ 25 milhões. “A maior de sua história, o que muito nos assustou, pois achávamos que era menor”, afirmou.
Marco Aurélio falou da reunião com a diretoria e administração que ocorreu há duas semanas, com apenas 14 médicos. “A Santa Casa possui 130 no seu corpo clínico. Eu, mais uma vez, não fui chamado para participar. Quando soube da reunião, liguei para a administradora, para saber seu teor e a resposta foi vaga e evasiva. Apenas me disse que a reunião tinha sido com “os parceiros da Santa Casa”, que são médicos sócios de aparelhos e/ou serviços que estão no hospital”, disse.
O diretor ressaltou que por conta destas atitudes, a pouca comunicação com o diretor clínico e outros setores que, “escutamos que “os médicos não ajudam” e que nos faz ter receio de que, talvez, queiram nos colocar como bode expiatório pela situação do hospital. Isto seria uma injustiça! Já vivenciamos este tipo de situação no passado, fomos surpreendidos porque confiamos e foi difícil e demorado para entenderem que nosso papel na Santa Casa é só atender a nossos pacientes. Não tivemos culpa antes e não temos agora. Repito: nunca fomos chamados para gerir nada, aliás, isto é proibido pelos estatutos do hospital”.
Ele disse ainda que o único provedor que pediu aos médicos sugestões para a melhoria de atendimento e as colocou em prática foi o Juninho Marão. “Depois, ninguém mais. Após sua saída, houve um distanciamento quase que total da diretoria/administração com os médicos”, enfatizou.
Sobre a falta de liberação de emendas para a Santa Casa, Marco Aurélio afirmou que o dinheiro das emendas parlamentares deveriam ser um extra para as contas e que não acha boa prática se queixar de políticos que tentam ajudar a instituição.
“Os médicos sempre estiveram lá, antes, agora e estaremos no futuro, nós e nossos pacientes, motivo maior de existirem hospitais, aos quais estamos eternamente ligados por juramento e amor”, finalizou.
Vereadores
O presidente da Câmara Municipal, Mehde Meidão Slaiman Kanso, leu na íntegra o comunicado. Ele pediu sintonia entre a diretoria e os médicos. “O hospital, construído pelo povo, feito com dinheiro do povo e chega ao ponto de diretoria e corpo clínico não se entenderem”, afirmou.
Meidão frisou que a diretoria regional de saúde ressaltou que os serviços de neurologia não foram encerrados por falta de verba, mas sim ausência de médico.
Por sua vez, o vereador Osvaldo Carvalho também comentou o assunto e pediu que as informações sejam claras com relação ao fim do serviço.
Já Eliezer Casali pediu que a Câmara faça um movimento para que seja feito o reajuste no SUS, em parceria com os Poderes Legislativo da região.

Andressa Aoki

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