PF investiga se álcool adulterado de fábrica clandestina do interior de SP foi entregue em hospitais do país

Ao todo, foram apreendidos cerca de 10 mil litros do produto adulterado, 1,9 mil frascos prontos e com rótulos para serem comercializados, 25 mil embalagens, documentos, maquinários e um caminhão-tanque em um galão de Catanduva/SP.

A fábrica clandestina de álcool líquido e em gel que foi descoberta na tarde desta quinta-feira (23), em Catanduva/SP, pode ter vendido os produtos para hospitais de diferentes estados, segundo o delegado-chefe da Polícia Federal de São José do Rio Preto/SP, Cristiano Pádua.

Ao todo, foram apreendidos cerca de 10 mil litros do produto adulterado, 1,9 mil frascos prontos e com rótulos para serem comercializados, 25 mil embalagens, documentos, maquinários e um caminhão-tanque. O responsável pela operação foi preso e permanece à disposição da Justiça.

“Pelo o que a gente entendeu, ele fornecia para o Brasil inteiro. E como é de uso hospitalar e estava constando nos frascos, certamente alguns hospitais receberam o produto que ele estava comercializando. Nós vamos fazer o levantamento, ver as notas fiscais. A partir disso, a Vigilância Sanitária notificará os estabelecimentos que receberam”, afirma.

O delegado ainda afirma que o galpão clandestino foi descoberto depois dos policiais receberem denúncia anônima, fazerem vigilância e constatarem que a informação divulgada era realmente verídica.

“Parecia que o galpão estava vazio, mas os policias persistiram e viram uma pessoa abrindo o portão. No outro dia, uma equipe compareceu novamente ao local. Algum tempo depois, um caminhão-tanque entrou. Nós pedimos o apoio e foi confirmado que estava sendo produzido álcool em gel de forma clandestina”, afirma.

O delegado conta que o proprietário do maquinário alegou que o álcool não era utilizado para higienização das mãos e que os produtos comercializados estavam totalmente fora dos padrões estipulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O Código Penal não diferencia. É um álcool saneante utilizado para a limpeza de superfícies. Obviamente que a gravidade é a mesma ou até maior. Em um ambiente hospitalar, se não é possível controlar a porcentagem do álcool 70º ou chance de fazer a limpeza correta, a possibilidade de haver uma infecção e contaminar vários pacientes é óbvia”.

Cristiano afirma que a produção era feita mais ou menos de forma artesanal, sem controle nenhum, colocando em risco não só as pessoas que o compravam, mas os trabalhadores que o manuseavam.

“Não havia laboratório no local para controlar a porcentagem do álcool em gel ou líquido. A Vigilância Sanitária constatou que, inclusive, a forma como estavam distribuídos os maquinários e o envase eram totalmente inadequados, um risco muito grande”.

“O caminhão-tanque era o mesmo utilizado para ser encaminhado aos postos de combustíveis. Um dos funcionários disse que, em algumas situações, precisava fazer um favor particular para o indivíduo que foi preso, e abastecia o carro particular com o combustível retirado do tonal”, complementa.

Ainda de acordo com o delegado-chefe, a quantidade produzida e comercializada era enorme. Inclusive, os rótulos eram totalmente falsos e as datas de fabricação inalteráveis.

“Não sabemos o valor exato ainda, mas cada caminhão era em torno de R$ 70 mil. Em algumas semanas, ele vendia até três caminhões. Ou seja, por semana, R$ 210 mil. O galpão é totalmente clandestino e nada regular, perante a Anvisa e Vigilância. Por ser álcool, produto altamente inflamável, o risco que existia era muito grande”.

Além do homem que foi preso por crime de falsificação de produtos com fins terapêuticos ou medicinais e dos produtos apreendidos, cinco funcionários foram encontrados na fábrica. No entanto, eles prestaram esclarecimentos e foram liberados, pois acreditavam que estavam trabalhando de forma regular, segundo informações da Polícia Federal.

FONTE: Informações | g1.globo.com

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