qua, 12 de agosto de 2026

Pescador bate recorde ao capturar pirarucu de 160 quilos e 2,5 metros

Peixe gigante foi fisgado em Cardoso e chamou atenção nas redes sociais. Espécie exótica preocupa especialistas por risco ao ecossistema.

Um pescador de 53 anos bateu o próprio recorde ao capturar um pirarucu de aproximadamente 160 quilos e com cerca de 2,5 metros de comprimento em Cardoso (SP), no dia 28 de novembro.

O registro do peixe chamou a atenção nas redes sociais, já que é um dos maiores exemplares da espécie capturados no município, segundo os moradores.

Pescador há mais de 30 anos, Roberto do Carmo é popularmente conhecido como o “rei do pirarucu” na cidade. Para ele, fisgar peixes gigantes já é comum. Em outra pesca recente, o animal pescado pesava 115 kg.

Em entrevista ao g1, Roberto contou como foi capturar o “monstro” de mais de dois metros e afirmou que não se surpreendeu, justamente por já estar acostumado a viver situações semelhantes.

Ele estava no Rio Marinheiro, perto da ponte onde costuma pescar, usando como isca um exemplar médio da espécie Balistes capriscus, conhecido como porquinho.

À reportagem, Roberto contou que os equipamentos utilizados para a captura foram linha multifilamento 0.30 com oito fios, considerada fina para o tamanho do peixe, líder de monofilamento 0.60; boia de arremesso longo, vara de 2,40 m e molinete tamanho 5 mil.

“Quando senti o tranco, foi rápido e violento. Eu estava sozinho e foi uma ‘briga boa’ que durou mais ou menos 45 minutos. Foi muita emoção, fiquei com medo de perdê-lo, mas, no final, deu certo”, comemora o pescador

Segundo Roberto, nesta época do ano, é difícil capturar pirarucu na região noroeste de SP, pois ventos fortes dificultam a localização da espécie. Entretanto, ele conseguiu bater seu próprio recorde.

Após a captura e remoção do peixe da água, em casa, o pescador mediu e pesou o animal. A tarefa exigiu a ajuda de três homens para colocar o gigante na balança.

“A pesca representa tudo na minha vida, é o meu sustento e sou muito feliz em exercer. Esse peixe veio em boa hora; vou vender tudo. Vai ser ótimo para os negócios”, explica Roberto.

Risco de extinção local

Um especialista ouvido pela reportagem explica que, por ser carnívoro e oportunista, o pirarucu ameaça o ecossistema da área onde é introduzido. Segundo o biólogo Thiago Davanso, doutor em zoologia, a ausência de predadores naturais e a vulnerabilidade da fauna local permitem que ele extermine espécies nativas, com risco de extinção local.

O biólogo ainda comenta que o pirarucu, conhecido como Arapaima gigas, atinge, em média, de 1,8 a 2 metros e pesa de 90 a 100 kg.

“Na Amazônia, habitat natural do peixe, os registros máximos relatados em artigos científicos são de aproximadamente 3 metros e 200 kg. Se esse exemplar [pescado por Roberto] fosse capturado na Amazônia, seria algo raro, mas não impossível. No interior de São Paulo, é alarmante em termos ecológicos, considerando que a espécie é exótica para o local”, comenta o biólogo.

Thiago acrescenta que a presença do pirarucu na região provavelmente se deve a introduções acidentais ou intencionais, como escape de pisciculturas ou negligência. Por ser um peixe de qualidade e alto valor comercial, muitos piscicultores investiram na criação da espécie. Sendo assim, por ser uma espécie invasora, a pesca do pirarucu é autorizada inclusive no período da Piracema.

Capturas comuns

Considerando as recentes capturas de Roberto, há mais pirarucus na região do que se imaginava.

g1 conversou com Izael Moraes Junior, também pescador de Cardoso e vizinho de Roberto, que, uma semana antes, pescou outro gigante da Amazônia no Rio Marinheiro. O peixe pesava cerca de 92 kg e tinha mais de dois metros de comprimento.

Izael afirma que captura a espécie há mais de sete anos e já fisgou alguns pirarucus. Para ele, a presença do peixe no interior paulista garante o sustento, já que trabalha com turismo de pesca de espécies exóticas.

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