PEGA LUZES – Pastor Bráulio Mendes

Outro dia, diante de minha filha pequena, uma criança de cinco anos apenas, eu pude presenciar os feixes da inocência em vivas cores, vestida de ingenuidade plena e pura simplicidade… Enquanto alguns dançavam no ritmo de músicas gospel; ela empreendia toda sua força e sua agilidade na tentativa, por vezes frustrada, de agarrar os jatos do laser projetados nas paredes da nave da igreja.

Confesso que fiquei atônico com o comportamento natural, utópico e vivaz daquele ser infantil e de sua fé genuína, em que poderia surpreender a descomunal velocidade da luz tocando na claridade, antes que a mesma se re-projetasse aleatoriamente em outras partes e paredes daquele ambiente. Mas, o que mais me chamou a atenção e atinou meu pensar foi ver as atitudes dos adultos, jovens e adolescentes que rodeavam minha filha… Todos sorriam irônica e grosseiramente como se deduzissem: “Olha que menina boba!”

Até parece que crescemos desfavoravelmente! Como deixamos os anos nos castigarem com imposições de que não podemos mais ser como crianças e levar a vida muito mais tranqüila e simples?  Por que temos que sofisticar tanto as coisas ou mudar tanto enquanto crescemos, nos tornando tão adultos ao ponto de camuflarmos o sorriso? Por que temos que demonstrar sermos tão grandes, tão velhos, tão fortes; inflexíveis e inexoráveis? Por que não podemos mais pegar luzes, brincar com sombras, correr atrás de moscas, mosquitos ou borboletas, rolar no chão da sala ou da varanda sem nos preocuparmos com as roupas novas ou limpas? Por que não podemos lamber os dedos depois do sorvete ou do chocolate, chutar bolinhas de papel ou latinhas de refrigerante, fingir mascar chicletes com a língua, imitar o som de um pum com a boca ou assobiar enquanto assiste TV. E… Tudo isso, despretensiosamente… Sem querer atenção ou aplausos?

Pelo amor de Deus… “aquele que não se tornar como uma criança, não poderá herdar o reino de Deus.” Antes do esvair de nosso último suspiro de vida e do despencar de nossa existência; antes de nosso féretro ser transportado em meio às lágrimas do adeus e sermos sepultados na escuridão do túmulo, eu e você precisávamos sorrir um pouco mais, desfrutarmos da vida um pouco mais naturalmente, inocentes e singelos… Pegarmos um pouco mais de luzes!

 

Paz e misericórdia!

 

Texto: Pr. Braulio Mendes.

 

 

 

Votuporanga, 06 de Maio 2013.

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