Parto normal é saudável e permite recuperação rápida

O nascimento de David, o segundo filho do ator e empresário Luciano Szafir e da modelo Luhanna Mellon, de parto normal, no último dia 4 de dezembro, trouxe à baila a importância de se resgatar este tipo de parto, entre as gestantes neste novo século.

Um levantamento recente do Ministério da Saúde aponta que no Brasil, embora ocorram cerca de 3 milhões de nascimentos ao ano, grande parte deles acontece por meio de cesarianas, o que oferece um maior risco de infecção neonatal e também de morte entre mães e bebês.

Por meio do parto natural, os riscos podem ser evitados. Além de estimular a recuperação mais rápida da mãe, reduz os riscos de infeções entre os recém-nascidos. O parto normal, em tese está ao alcance de quase todas as gestantes. Segundo a ginecologista e obstetra Eloisa Aparecida Galão, professora da disciplina de Obstetrícia, da Faculdade de Medicina de Rio Preto e diretora do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), de Rio Preto, este ano nasceram 600 crianças de parto natural.

Para que este número aumente, a médica explica que basta que haja proporção entre o tamanho do feto e a bacia da mãe. “Além disto, ausência de sofrimento fetal e claro ter feito um pré-natal adequado, em que possa se ter diagnosticado de forma precoce, possíveis doenças tanto da mãe quanto do feto”, diz.

A ginecologista reconhece que há situações sim que impedem a gestante de ter o parto normal, mas no geral as mulheres tem receio deste parto por puro “medo, desinformação e também pelo aspecto cultural”, diz. Dentre as razões que inviabilizam o parto normal, Eloisa explica que estão o sofrimento fetal, alguma doença materna grave, feto em desproporção entre seu peso e bacia da mãe, e a hemorragia materna. Contudo, estas situações são perfeitamente passíveis de serem identificadas de forma precoce ao parto.

A obstetra Eloísa reconhece que cada tipo de parto tem suas vantagens e desvantagens, de acordo com as condições físicas da mãe. “A recuperação, geralmente, é mais rápida no parto natural porque é um procedimento menos invasivo do ponto de vista cirúrgico, lesa menos tecidos, mas não necessariamente é assim”, afirma.

Facilite o parto natural

Algumas atitudes simples podem ajudar a induzir um parto normal, sem traumas. “Podem ser feitos exercícios físicos leves, mas não existe nenhum método que possa garantir que o parto vai evoluir de forma natural”, afirma a ginecologista e obstetra Eloisa Aparecida Galão, professora da disciplina de Obstetrícia, da Faculdade de Medicina de Rio Preto e diretora do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), de Rio Preto.

A fisioterapeuta dermato-funcional Ana Paula Dellalibera Vaz, de São Paulo, recomenda que também se faça drenagem linfática, evidente que com a aprovação do obstetra, para que nem a gestante e nem o bebê corram riscos. “A drenagem linfática manual durante a gravidez traz benefícios para a mãe e para o bebê e pode ser realizada a partir de 12 semanas de gestação ou após liberação médica”, diz.

A drenagem é usada como forma de combater a retenção líquida, causada pelo aumento da produção hormonal nas gestantes. “É importante que a gestante procure um profissional fisioterapeuta dermato-funcional, que já trabalhe com gestantes para fazer a drenagem linfática manual, pois nestes casos a técnica de massagem requer cuidados especiais com posicionamento durante a aplicação e no abdômen e mamas deve-se fazer somente uma hidratação”, diz.

Já a fisioterapeuta Vanessa Marques, especialista em obstetrícia pela Unifesp e fisioterapia hospitalar pelo hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, observa que na fase da gestação é preciso preparar o períneo para o parto. Uma dica é o uso do epino, um aparelho alemão que ajuda a alongar e preparar o períneo para o parto e também serve para exercitar os músculos do assoalho pélvico.

Afinal é comum ocorrer uma sobrecarga nos músculos do assoalho pélvico, pois além de sustentar o peso constante dos órgãos pélvicos, agora ela precisa sustentar todo o peso do bebê, da placenta, líquido amniótico durante todo o dia. “É fundamental para manter a força e a tonicidade desses músculos, funcionando como uma forte arma contra a incontinência urinária e outras disfunções.

O controle da musculatura desta região e da respiração também auxiliam na expulsão do bebê no momento do parto proporcionando uma maior percepção da região do períneo”, explica Vanessa Marques.

Intervalo de tempo entre um parto e outro

Ao contrário do que algumas mulheres pensam, é muito comum uma nova gravidez acontecer de forma inesperada logo após a mulher ter um parto. Isto, segundo o ginecologista José Bento, obstetra dos hospitais Albert Einstein e São Luiz, ocorre pois em meio a tantas tarefas e preocupações, elas esquecem de fazer uso de um contraceptivo, e por acreditarem que o fato de estarem amamentando as ovulações possam ser inibidas pela alta produção de prolactina.

“É preciso tomar cuidado, pois o corpo da mulher necessita de tempo para se recuperar de uma gestação”, alerta. O ideal, de acordo com o ginecologista, é que a mulher dê um intervalo de pelo menos seis meses entre as gestações com parto normal e no mínimo nove meses em caso de cesárea, para que o corpo se restabeleça de forma adequada.

O médico lembra que existem diversas maneiras de prevenir gravidez nesse período, para escolher a sua, é importante conversar com o médico para saber qual o método mais indicado para cada caso. Alguns profissionais preferem não receitar pílulas contraceptivas para mulheres que estão amamentando e recomendam o uso da camisinha ou métodos de longa duração, como o Sistema Intrauterino (SIU) com hormônio.

“O SIU com hormônio é muito indicado para mulheres que acabaram de ter um filho. Ele pode ser colocado 40 dias após o parto e é muito eficaz”, afirma. Quem passou pela situação recentemente, foi a manicure Regina Célia de Jesus, de 42 anos, que decidiu fazer uso do SIU após o terceiro filho. “Já engravidei meio no susto, após 12 anos, e agora não posso correr o risco de ter mais um bebê na minha idade. Não é nem pela saúde, mas porque não teria disposição para correr atrás”, brinca.

 

Cecília Dionizio – Diário da Região

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