Paratleta perde prótese e emociona ao concluir prova saltitando

Gabriel Neris tem apenas 15 anos e emocionou muita gente na disputa dos 100 metros da classe T-42 (atletas amputados) do Circuito Paralímpico Caixa, no Ibirapuera, em São Paulo, no final de semana. A prótese que substituiu sua perna direita se soltou durante a corrida, a queda foi feia, mas o jovem atleta do Clube Amigos dos Deficientes (CAD/Vetnil/Smel/Novartis) teve a atitude de um verdadeiro campeão. “Me levantei e pensei que teria de terminar a prova, mesmo que fosse o último a chegar”, disse Gabriel, que saltitou os 85m restantes da prova até a linha de chegada.

A comoção foi geral, lágrimas, tanto que ofuscou a chegada do astro paralímpico Alan Fonteles, vencedor da prova. “Parecia um comercial de TV, emocionante, todos bateram palmas e gente chorando”, lembrou o seu treinador Otávio de Paula Marques.

Morador de Bady Bassitt, o jovem Gabriel teve de amputar sua perna aos dois anos de idade. Nasceu com má formação, o pé era colado ao fêmur e sem articulação. Começou a treinar em 2008 e tinha como grande sonho jogar futebol de amputado. “Eu disse para ele treinar que a gente definiria uma modalidade. Em 2012 ele começou nos Jogos Escolares, no atletismo”, contou Otávio.

Sete anos depois, ele é uma promessa no atletismo paralímpico. O investimento em uma nova prótese poderia lhe trazer mais benefícios, porém, o custo é alto. “Ele usa a prótese de rua, uma adequada para quem corre custa R$ 60 mil, R$ 70 mil”, argumentou o técnico. “Ele tem condições de ser uma grande velocista, é magro, está pronto para correr 100m, 200m, 400m.”

E o jovem sonha alto. Se espelha no astro Usain Bolt, o jamaicano mais rápido do mundo. “Com um prótese melhor seria questão de treino, adaptação, que os resultados viriam”, disse Gabriel, que em São Paulo foi campeão do salto em altura e vice no salto em distância. “Sonho em superar o Bolt”, emendou.

Gabriel treina duas vezes por semana com o CAD, na Pista do Eldorado. Em Bady, divide seu tempo com a escola e os amigos, numa rotina normal para jovens de sua idade. “Gosto de jogar bola, vídeo game, andar de bike, skate”, finalizou Gabriel. Ozair Júnior/Diário da Região

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