Para secretário, Parada LGBT só deu prejuízos

O dinheiro poderia ser mais bem utilizado, com folhetos informativos e dando apoio as casas que abrigam transexuais”, disse ele 

Para o secretário de Direitos Humanos, Emerson Pereira, a 2ª Parada LGBT de Votuporanga, realizada no último domingo (25), gerou prejuízos ao município. Segundo ele, o valor investido (R$14 mil) é exorbitante para o evento que, conforme oficio da Policia Militar, reuniu pouco mais de 300 pessoas. “O sentimento é de descontentamento. Como um valor tão grande pode ser destinado a um evento tão pequeno? Como pode deixar de ajudar entidades que realizam um trabalho sério para ajudar uma ONG que mal está legalizada?”
Devido às despesas e a pouca adesão, Emerson acredita que a realização do evento deva ser repensada para o ano que vem. “O dinheiro poderia ser mais bem utilizado, com folhetos informativos e dando apoio as casas que abrigam transexuais, por exemplo. Essas ações seriam de maior valor do que o evento que só deu prejuízo. Para o próximo ano, nós não pretendemos propor nenhuma outra ação além da realização de um novo Seminário.”
“Eu luto pela causa, nós do Direitos Humanos prezamos pela igualdade e trabalhamos para a população menos favorecida ter o seu lugar respeitado, mas não podemos ser conivente com o que aconteceu”, disse ainda o secretário.
O secretário relata que, inicialmente, a Parada não seria realizada este ano no município. “Nós havíamos decido que não haveria uma Parada LGBT este ano e sim o Seminário, que foi realizado com êxito em agosto. Entretanto, os coordenadores do evento pediam o nosso apoio e, por apoiarmos a causa, a Secretaria de Direitos Humanos ajudou em toda a organização do evento.”
Entretanto, segundo o secretário, por interesses políticos, a secretaria foi esquecida pelos organizadores do evento pouco tempo antes do mesmo acontecer. “A organização foi muito infeliz em não citar os órgãos públicos que os ajudaram no evento. Acho que pessoas que não sabem organizar não deveriam estar a frente de uma entidade.”
Emerson disse ainda que até mesmo a Secretaria de Saúde deixou sua Secretaria de lado. “O que mais me deixa indignado é que a própria coordenadora do SAE [Serviço de Atendimento Especializado] isolou a Secretaria de Direitos Humanos e o seu secretário. Nós participamos de quase todas as etapas para a realização do evento, entretanto, nos últimos meses, a Secretaria foi deixada de lado pelos organizadores e pela Secretaria de Saúde. A coordenadora do SAE trabalhou sozinha, se tivéssemos trabalhado em conjunto, poderíamos ter feito um trabalho muito melhor e um excelente evento.”

Nota de Esclarecimento
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que o repasse do referido recurso foi realizado pelo Ministério da Saúde, não havendo destinação de verba por parte do município para a idealização da 2ª Parada LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) de Votuporanga.
A Secretaria disse ainda que o evento é organizado pela ONG LGBT de Votuporanga e conta com apoio da Prefeitura. No que se refere ao repasse de recursos à instituições, são abertas concorrências públicas anualmente, e as entidades interessadas em atender o setor de redução de danos podem participar. A próxima licitação deverá ser aberta no primeiro semestre do próximo ano.
É importante destacar que a epidemia de Aids nos municípios, inclusive em Votuporanga está concentrada na população HSH (homens que fazem sexo com homens, gays e travestis). O Ministério da Saúde tem o objetivo de atrair e organizar essas pessoas à prevenção, conscientizando-as sobre a situação de vulnerabilidade acrescida para o HIV.
A epidemia volta atualmente ao seu início em grande parte dos municípios da região sul e sudeste, o que inclui, o Estado de São Paulo e o município de Votuporanga.
Enquanto Saúde, o município tem o dever de abrir espaço para esse público-chave, garantindo direitos em uma parada LGBT. Em 2016 estão previstas pelo Ministério da Saúde outras ações, como fóruns e debates – com a finalidade de empoderar essa população através do acesso aos serviços de saúde, sobretudo, da cidadania e do direito de ir e vir. Mariana Bi0rk/Diário de Votuporanga

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