Palmeiras joga hoje à noite em Rio Preto

Em Rio Preto, o Palmeiras começa a série de seis jogos longe de São Paulo hoje, diante o Oeste, às 21h50, pela 26ª rodada do Brasileiro da Série B. A expectativa é de um Teixeirão lotado. Dos 30 mil ingressos colocados à venda, até ontem à noite, 15 mil haviam sido negociados, segundo o empresário Edvaldo Ferraz, da empresa E&L Marketing Esportivo, parceira do clube de Itápolis e que desde o dia 7 de setembro vem promovendo o evento.

“Amanhã (hoje) deverá vir bastante gente da região para comprar e a previsão é de chegarmos a 25 mil pessoas no estádio”, disse Ferraz. Para o time de Itápolis, comandado pelo técnico Ivan Baitello, a partida é mais uma para atingir a meta de 46 pontos, margem de segurança para evitar a queda para a Série C. O jogo é também uma decisão para os americanos. Ferraz garante que se o público agradar, o Oeste deverá receber, também aqui, Palmeiras e São Paulo no Paulistão de 2014.

Como aluguel do Teixeirão, o América vai explorar estacionamentos, bares e a venda de 300 ingressos para camarotes e cadeiras cativas. Financeiramente é uma pequena ajuda ao clube, endividado e com o futebol inativo desde abril deste ano, quando o América lutou até a última rodada contra o rebaixamento à Segundona (quarta divisão).

Para o Palmeiras, o duelo desta noite compõe a série de decisões até o retorno à elite do Brasileiro. Com 56 pontos, o Verdão lidera a Série B com dez pontos de vantagem sobre a Chapecoense, segunda colocada, e 16 diante do quinto colocado – os quatro primeiros jogarão na Série A de 2014. O acesso, na verdade, é questão de tempo. No entanto, a palavra de ordem é voltar a jogar bem. No empate sem gols com o América-RN, sábado, o Alviverde deixou o campo vaiado.

“A gente sabe que o torcedor quer que a gente vença e jogue bem. E também queremos isso, mas nem sempre as coisas saem como a gente espera”, disse o técnico Gilson Kleina. Por conta da briga entre torcidas organizadas do clube, o Palmeiras terá que jogar contra Figueirense e Guaratinguetá a 100 km de São Paulo e só volta ao Pacaembu contra o São Caetano no próximo dia 26.

Até lá, o Verdão jogará fora de casa contra ABC, no sábado, Figueirense (dia 8), Guaratinguetá (dia 11), Icasa (dia 15), e Bragantino (19). “Claro que o ideal é subir em casa, mas a nossa preocupação é conseguir logo os pontos, independente do lugar”, disse o goleiro Fernando Prass.

Mesmo com o empate sem gols com o América-RN, Kleina vai manter o esquema com três atacantes, formado por Vinícius, Leandro e Alan Kardec. O volante Wesley, que cumpriu suspensão automática, está de volta. Charles vai para o banco de reservas. Com dores na canela, o lateral direito Luis Felipe será substituído por Wendel.

O Oeste sabe que será um franco atirador hoje. Apesar do mando de campo, fez apenas um treino ontem à tarde no Teixeirão e sentirá a pressão da torcida majoritária do Verdão. “Eles já são rotulados campeões, a gente respeita, mas nossa vontade tem de ser maior, pois precisamos dos pontos”, disse o lateral direito Eric.

Com 31 pontos, o Oeste objetiva pelo menos mais cinco vitórias para afastar de vez o risco de queda. “A partir dos 46 pontos vamos ver se podemos alcançar coisas maiores”, disse Ivan Baitello.Em campo, o zagueiro César Gaúcho, expulso, não joga, assim como o armador João Denoni, emprestado pelo Palmeiras. Na zaga retorna Adriano Alves e no meio campo a dúvida está entre Paulo Vitor e Bruno Batata, improvisado, uma vez que deixará o ataque para o retorno de Pablo.

Ficha técnica:

Oeste
Fernando Leal; Ligger, Adriano Alves e Dezinho; Eric, Everton Dias, Paulo Vitor (Bruno Batata), Lelê e e Piauí; Pablo e Jheimy. Técnico: Ivan Baitello.

Palmeiras
Fernando Prass; Wendel, Vilson, Henrique e Juninho; Márcio Araújo, Wesley e Valdivia; Vinícius, Alan Kardec e Leandro. Técnico: Gilson Kleina.

Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP). Local: Estádio Teixeirão, em Rio Preto, hoje, às 21h50, com transmissão ao vivo pelo canal por assinatura SporTV.

 

Sergio Isso
Wesley durante o desembarque de ontem no aeroporto Eribelto Manoel Reino, em Rio Preto

Nascido em Catanduva, volante Wesley supera ‘turbulências’ de 2012

A grave lesão no joelho direito, o assassinato do padrasto e a perda do filho durante a gestação. Depois de um doloroso ano de 2012, o jogador palmeirense Wesley no jogo de hoje, às 21h50, contra o Oeste, no Teixeirão, está em casa. Natural de Catanduva, ele fala pouco sobre o que passou no ano passado. Pelo contrário, prioriza enaltecer o seu bom momento no futebol e a alegria familiar.

Ao desembarcar no aeroporto de Rio Preto, a tatuagem no lado esquerdo do pescoço, indica a grande vitória do ano: o nascimento do primeiro filho, Lian, ocorrido no último dia 3 de julho. Aliás, o jogador tem tatuagem por quase todo o corpo. O ex-padastro Irineu Perpétuo Beltrame foi quem fez os primeiros desenhos no jogador. Em maio de 2012, Irineu foi baleado após perseguição policial em Elisiário. “Hoje, a família está tranquila, está tudo acertado e superado”, disse Wesley.

Hospedado no hotel Michelângelo, Wesley recebeu a visita da mãe, Amélia, irmão e amigos, ontem à noite. A mãe levou até uma marmita com uma comida caseira e doces. “É muito bom jogar perto de casa. Tomara que seja mais uma noite vitoriosa. O grupo sabe da responsabilidade desse jogo, precisamos continuar ganhando para dar continuidade ao bom momento do Palmeiras, que briga pelo acesso à Serie A a cada rodada”, falou o jogador.

Depois de uma ótima fase no Santos, campeão paulista e da Copa do Brasil, Wesley não vingou no futebol alemão. O Palmeiras até criou uma campanha na internet e, com a ajuda de investidores, conseguiu tirá-lo do Werder Bremen. O jogador estreou no Verdão dia 28 de março, contra o Paulista, no estadual do ano passado e, quatro jogos depois, machucou o joelho direito diante do Guarani. Ficou sete meses fora dos gramados. Nesse tempo, em maio do ano passado, Wesley recebeu a notícia sobre o falecimento do padastro.

Usuário de drogas, Irineu estava separado de sua mãe, quando conduzia um Gol, acompanhado de uma adolescente de 17 anos. Durante blitz na vicinal Chafik Saab, que liga Catanduva a Elisiário, ele não obedeceu ordem de parada e disparou em velocidade. Dos quatro tiros, um acertou a veia femural.

Hoje, como segundo volante Wesley tem números superiores ao do meia Valdivia: com seis gols e oito assistências. O chileno deu sete assistências e fez quatro gols. Somente Leandro supera os dois: com 14 gols e seis assistências.

Sergio Isso
Gilson Kleina diz que é sempre recebido com carinho no Interior

Kleina completa 70 jogos no Verdão

Entre contestações e elogios, o técnico Gilson Kleina fará o seu 70º jogo no comando do Palmeiras, hoje, diante do Oeste, às 21h50, no Teixeirão. São 34 vitórias, 16 empates e 19 derrotas. Na última vez que esteve na região, Kleina quase perdeu o cargo, depois de ser goleado pelo Mirassol por 6 a 2, dia 27 de março, no estádio José Maria de Campos Maia, pelo Paulistão.

Uma noite em que o comandante quer esquecer, porém, ainda é questionado sobre o que aconteceu com o Palmeiras no Maião. O Mirassol fez os seis gols no primeiro tempo e a torcida já gritava “olé”. “Já demonstramos ser um outro Palmeiras depois daquele resultado. Entendemos como aquilo aconteceu e os problemas que vinham passando. Hoje é um outro momento”, disse Kleina.

No entanto, a região também traz boas recordações. Contra o próprio Oeste, o Palmeiras venceu por 3 a 1, em janeiro, também pelo Paulistão. “A gente sempre foi bem recebido em Rio Preto e na região. É uma torcida muito carinhosa. O Palmeiras tem um apelo grande da torcida, é uma equipe de ponta e queremos contribuir fazendo a nossa parcela, correndo dentro de campo”, falou Kleina.

Carismático e atencioso com os torcedores, Kleina foi o último a entrar no ônibus após o desembarque em Rio Preto. O carinho foi valorizado pelos torcedores. “O Valdivia foi um ignorante, não quis falar, mas tudo bem se ele fizer gol amanhã. Já o Gilson Kleina é muito gente boa, um técnico carismático e humilde”, diz o torcedor Alison Segantini, de 14 anos.

Depois do jogo de hoje, o Verdão fará mais cinco partidas longe da Capital. Punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), ontem à noite, a diretoria escolheu o estádio do Café, em Londrina, para cumprir a perda de mando de campo contra Guaratinguetá e Figueirense. O Alviverde só volta ao Pacaembu contra o São Caetano no dia 26 de outubro. A punição ocorreu em razão de brigas entre torcedores das organizadas do clube.

Segurança conta com 207 policiais

A Polícia Militar irá enviar 207 policiais para garantir a segurança no Teixeirão, hoje à noite, durante o duelo entre Oeste e Palmeiras, pela Série B do Brasileiro. De acordo com o tenente-coronel Afonso César Evaristo dos Santos, responsável pela operação, 172 farão a segurança na parte interna do estádio e outros 35 nos arredores.

No primeiro confronto entre Oeste e Palmeiras, em janeiro deste ano pelo Campeonato Paulista, também no Teixeirão, com mais de 11 mil pagantes, não houve nenhuma ocorrência. Apesar de não haver rivalidade entre as torcidas dos oponentes desta noite, o coronel garante que a maior precaução dos militares é coibir a “pertubação da ordem pública”. “Nesse tipo de ocorrência há um conceito amplo, desde crimes, como furtos, até invasão de campo”, explicou o tenente-coronel.

O torcedor pode conferir na arte ao lado uma lista com o os objetos proibidos pela PM no estádio. “O rádio, por exemplo, é permitido apenas aquele pequeno. Já o portátil, não. O tablet já entra no conceito do celular. E ambos são permitidos”, afirmou o comandante. Por outro lado, mesmo com a previsão de chuva para Rio Preto a qualquer hora do dia, equipamentos de proteção como guarda-chuva e guarda-sol também são proibidos.

Guilherme Baffi
Ex-treinador do Mirassol, Ivan Baitello (esq) comanda a equipe de Itápolis; Revelado pelo Rio Preto, Bruno Nunes fica no banco do Oeste hoje

Velhos conhecidos defendem o Oeste

A região de Rio Preto já é área conhecida de muitos jogadores que hoje defendem o Oeste contra o Palmeiras, assim como o técnico Ivan Baitello, mirassolense de nascimento e que até maio comandou o Mirassol na elite paulista. “A vida é feita de desafios. No Mirassol, quando cheguei, muitos achavam que eu não ficaria dois jogos e fiquei cinco campeonatos, um trabalho de três anos. Lógico que esperava um fim de Paulistão melhor (o Leão foi rebaixado à Série A-2), também passei pelo Botafogo (Ribeirão Preto) e o trabalho nos credenciou para hoje estar numa Série B, em uma equipe de visibilidade que é o Oeste”, afirmou Baitello.

A seu favor, o retrospecto. Em oito jogos à frente do time de Itápolis conseguiu três vitórias, três empates e sofreu duas derrotas. Somou 12 dos 24 pontos que disputou. “É um aproveitamento de 50%. Se fosse assim desde o início do campeonato estaríamos na 7ª colocação”, destaca o comandante.

Em Itápolis o treinador reencontrou alguns atletas que o serviu nos três anos que esteve no Mirassol. Casos do goleiro Fernando Leal, do lateral direito Eric e do zagueiro Dezinho. “Talvez até mesmo por influência deles estou aqui. Eles já sabem o método que trabalhamos, o nível de cobrança dentro de campo, isso facilita muito”, emendou Baitello.

A recordação é muito boa para Baitello quando o assunto é jogar frente ao Palmeiras. No Paulistão, apesar do rebaixamento deste ano, o seu time protagonizou uma das maiores surpresas do futebol na atual temporada. O Mirassol goleou por 6 a 2, numa noite histórica. “É difícil ganhar de um grande clube, se não me engano o Oeste ainda não ganhou jogando o Estadual. Por aquele placar então, foi uma noite iluminada de três, quatro jogadores, tudo deu certo e fizemos seis gols em um tempo só. Não é normal, mas não é impossível, aconteceu.”

No banco de reservas, Baitello tem o artilheiro do time na Série B, o atacante Bruno Nunes, autor de cinco gols. O atacante de 23 anos foi revelado pelo Rio Preto, que ainda detém 50% dos seus direitos econômicos. “É minha função, em campo vou sempre buscar o gol. Não vai ser diferente contra o Palmeiras”, disse Bruno, casado com a rio-pretense Elaine e com quem tem a filha Ana Carolina.

“Estou em casa, a família da minha esposa é daqui, minha filha, já sou quase um rio-pretense”, brincou o pernambucano de Petrolina. Bruno Nunes ganhou projeção em 2011 quando foi artilheiro da Série A-2 pelo Rio Preto, com 15 gols. Depois, defendeu a Ponte Preta em 2012, comandada por Gilson Kleina. Jogando no Maião, contra o Mirassol de Baitello, Bruno deixou sua marca duas vezes no empate de 3 a 3. “O importante é a equipe vencer, não importa quem faça os gols”, disse.

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