Pai faz campanha no Facebook para conseguir doadoras de leite materno

Lívia tem apenas cinco dias de vida e já mobiliza uma rede de mães dispostas a doar leite materno. Ela nasceu na última quinta-feira, 13, às 9h30. Sua mãe, a empresária mirassolense Meire Marques Mazoli Miranda, 32 anos, passou mal na noite daquele dia e precisou ser transferida da Maternidade da cidade para o Hospital de Base de Rio Preto. Com diagnóstico de AVC, a mulher foi submetida a cirurgia e não resistiu. Morreu no sábado, 15. O pai de Lívia, o empresário Fábio Damasceno Miranda, 32 anos, está fazendo campanha no Facebook e conta com a ajuda de amigos para mobilizar mães que possam doar leite materno para sua filha.

Cem mulheres já procuraram o Banco de Leite Humano de Rio Preto. Mesmo assim, Lívia ainda está sendo alimentada com o leite industrial Aptamil. É que o leite materno doado precisa passar por análises e depois é pasteurizado no próprio Banco. As amostras são enviadas ao Instituto Adolfo Lutz para exame bacteriológico e, somente após os resultados, o leite é liberado para o consumo dos bebês. O produto tem validade de seis meses após congelado. “Fico preocupado com a saúde dela, porque sei a importância do leite materno nos primeiros meses de vida.

Ela está tomando Aptamil e vitaminas para suplementar, até que possa receber o leite doado”, disse o pai. A previsão é que no final da semana que vem a menina já possa ser beneficiada com as doações. Lívia é amamentada com 50 mililitros de leite, de 3 em 3 horas. Diariamente, nos primeiros meses, ela vai precisar de 400 mililitros. Por isso, é importante que as mulheres doadoras se dirijam até o Banco de Leite e informem que a doação é para Lívia Marques Miranda. Quem não puder ir até ao local, basta ligar no (17) 3214-3422, que uma equipe vai até a mãe doadora fazer a coleta.

“Fico muito aliviado toda vez que recebo ligação de uma mãe dizendo que está doando. Esse é um problema que muitas pessoas não sabem que podem ajudar. O leite materno é um produto que não se compra em prateleira de loja”, disse Fábio, que agora encontra forças nas filhas Lívia e Lorena, de 2 anos, para seguir em frente. “Ela tinha o sonho de ir para a Disney com as meninas, espero poder fazer isso para homenageá-la.” O leite materno é considerado o alimento mais completo para o bebê e deve ser oferecido de forma exclusiva até os seis meses.

Nele estão contidos todas as proteínas, vitaminas, gorduras, água e outras substâncias necessárias ao seu desenvolvimento. “Contém ainda o colostro, anticorpo rico que protege contra infecções do trato respiratório e intestinal, além de outros anticorpos e glóbulos brancos, essenciais para proteger o bebê das doenças”, disse o pediatra Jorge Haddad. O médico afirma também que a amamentação com leite materno contribui para a prevenção de doenças futuras. “Estudos revelam que quem é alimentado com leite materno tem menos propensão quando adulto de desenvolver doenças metabólicas como diabetes, obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares.”

Quem pode doar?

Mulheres que estejam amamentando, tenham leite excedente e estejam em boas condições de saúde podem ser doadoras. Segundo a Secretaria de Saúde, todo o leite doado é submetido a exames específicos, como, por exemplo, valor calórico e acidez. O telefone para informações é o (17) 3214-3422. O Banco de Leite Humano fica na avenida dos Estudantes, 1.886, no Jardim Aeroporto, Rio Preto, e funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 16 horas e aos sábados das 8 às 13 horas. Em Mirassol, será montado um posto para coleta de doação, com envio do material para Rio Preto.

saiba mais

 

  • O consumo exclusivo de leite materno nos primeiros seis meses de vida garante o bom desenvolvimento da criança
  • Protege o bebê contra a infecção respiratória e intestinal
  • Reduz os riscos de mortalidade infantil
  • Reduz o desenvolvimento de diabetes, obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares
  • Reduz o risco de o bebê desenvolver asma, anemia e artrite reumatoide
  • Fácil de ser digerido, provoca menos cólicas nos bebês
  • A sucção ajuda no desenvolvimento da arcada dentária do bebê
  • Aumenta o vínculo entre mãe e filho e colabora para que a criança se relacione melhor com outras pessoas
  • Ajuda no desprendimento da placenta, contribuindo para a volta do útero ao tamanho normal. Com isso, também evita o sangramento excessivo e, consequentemente, que a mãe sofra de anemia. Tatiana Pires/Diário da Região

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