Pai é preso após manter filha em cárcere privado por um ano

Um homem foi preso na última terça-feira, 30, após manter a filha em cárcere privado por um ano. Pai e filha foram encontrados em um cortiço na Vila Maceno, em Rio Preto. O montador de móveis Adão Correia de Brito, 37 anos, é acusado de sequestrar a filha, que hoje tem 8 anos. O crime aconteceu em julho do ano passado, em Marília. Na época, a amante de Adão também sequestrou o filho, mas se arrependeu. Segundo o delegado seccional de Marília, Luís Fernando Quinteiro, Adão pegou a filha na casa da ex-mulher na manhã do dia 12 de julho de 2014 e deveria, pelas regras de visitação, devolver até as 19h do mesmo dia, o que não aconteceu.

Segundo as investigações, Adão e a filha percorreram quase 3 mil quilômetros em um ano. O trajeto que foi rastreado pelos policiais aponta que eles saíram de Marília e foram para o Paraguai (uma viagem de aproximadamente 700 quilômetros). Em seguida, Adão teria viajado com a filha para Santa Catarina, percorrendo cerca de 940 quilômetros.

O terceiro destino foi Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul (mais mil quilômetros de estrada). Finalmente, os dois chegaram a Rio Preto, depois de viajar mais 275 quilômetros. A polícia ainda investiga se eles fizeram outros trajetos durante esse tempo. Segundo vizinhos, os dois se mudaram para a pequena casa de três cômodos da rua Alberto Sufredine, na Vila Maceno, há dois meses. No local, há quatro casas: três pequenas, na frente, e uma maior no fundo. Nas três casas da frente, segundo os vizinhos, moram apenas homens e a rotatividade de locatários é grande.

“A menina era bem quieta, mas parecia feliz. Ela ficava bastante na sala vendo televisão. Ele também era fechado. Disse para meu marido que ela ia começar a ir à escola, mas não falou em qual, nem o período. Disse também que a filha morava com ele porque era maltratada pela mãe. Nunca desconfiamos de nada”, conta a dona de casa Sara Neires Almeida dos Santos, 23 anos.

Segundo sequestro

É a segunda vez que Adão sequestra a filha. Na época do desaparecimento da menina, a mãe contou à imprensa de Marília que, em outra ocasião, Adão ficou dois meses desaparecido com a filha, mas a devolveu. Da primeira vez, a guarda da criança era compartilhada pelo casal, e Adão só foi descoberto quando matriculou a menina em uma escola de São Bernardo do Campo. Depois disso, a mãe da menina conseguiu a guarda da criança e o pai tinha direito de visitas aos sábados. Ele pegava a menina às 8h e tinha de devolver às 19h.

“Ela não foi matriculada em nenhuma escola desde que foi sequestrada. Durante o dia, ficava trancada no quarto enquanto o pai trabalhava. Por isso, ele vai responder por subtração de incapaz, desobediência e cárcere privado”, explica o delegado Quinteiro. A menina resgatada passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) e por avaliação psicológica em Marília. Ela foi entregue para a mãe ainda na terça-feira.

Casal planejou a ação

O sequestro da filha de Adão Correia de Brito, 37 anos, em julho do ano passado, teria sido uma ação planejada entre ele e a amante Cláudia Matame. No mesmo dia, Adão e Cláudia tiveram direito de visitar os filhos de cada um deles, uma menina de 7 anos na época  e um menino de 9 anos, respectivamente. O casal, entretanto, não devolveu as crianças na data estipulada pela Justiça.

O ex-marido de Cláudia e a ex-mulher de Adão se conheceram na delegacia, enquanto registravam boletim de ocorrência de desaparecimento. Foi então que a polícia começou a relacionar os dois sequestros ocorridos quase que simultaneamente. Depois de grande repercussão da mídia local e nacional e de apelos dos outros filhos nas redes sociais, Cláudia teria se arrependido e voltou, 20 dias depois, para devolver o filho e se entregar à polícia.

“A gente percebe que os dois planejaram o sequestro para o dia de visitas. A diferença é que a mulher, 20 dias depois, se arrependeu, voltou e devolveu o menino para o pai. Já o Adão sumiu”, conta o delegado. Na época, Cláudia não informou à polícia onde ela e Adão tinham ido após sequestrarem os filhos e disse que não sabia onde o companheiro estava. A mulher já responde na Justiça pelos crimes de subtração de incapaz e desobediência. Maria Stella Calças/Diário da Região

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