Pai desconfia de cárcere privado da filha morta pelo namorado

O pai da estudante Evelyn Janaina Cordeiro de Oliveira, Eder Mendes, diz que a filha era mantida distante da família pelo namorado, o eletricista José Emídio Pereira Júnior, no bairro Zé Menino, em Rio Preto. Acredita, inclusive, que ele a mantinha trancada em casa. O rapaz de 21 anos é suspeito de ter matado a jovem de 17 anos na residência do casal, após uma briga na quinta-feira, dia 9. O corpo dela foi sepultado na tarde de sexta-feira, dia 10, no Cemitério de São João Batista em meio a clima de desespero e revolta.

O trágico destino da adolescente é mais um capítulo na rotina de violência vivida por mulheres em Rio Preto, agredidas ou ameaçadas por atuais ou ex-companheiros. De 1º de janeiro até 10 de março deste ano, 311 vítimas de violência doméstica buscaram socorro no Centro de Referência de Atendimento às Mulheres (CRAM). Muitas destas mulheres, foram mantidas trancadas em casa ou proibidas de conviver com os familiares.

Somente este ano, a Justiça concedeu 56 medidas protetivas para mulheres que correm o risco de serem mortas pelos companheiros. Segundo Eder, desde quando a filha foi morar com o namorado, ele raramente conseguia se comunicar com ela. O celular da jovem foi desligado e a jovem só atendia as ligações no telefone do namorado.

“Eu só podia falar com a minha filha quando ele chegava em casa. Na última conversa com Evelyn, eu estranhei porque ela terminou a conversa dizendo duas vezes “eu te amo, pai”. Parecia que ela queria dizer algo, mas não podia. Fiquei preocupado, mas não imaginava que ela estava correndo risco”, diz o homem, que é separado da mãe da menina e mora em Belém (PA).

O pai diz ainda que na segunda-feira, 6, a filha pediu dinheiro para ir visitá-lo. Ele queria comprar a passagem com cartão de crédito, mas ela pediu que ele depositasse o dinheiro na conta dela. Segundo o pai, Evelyn namorava José Emídio havia três anos, mas o rapaz não gostava de frequentar a casa da família.

 

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“Eu tentei me aproximar dele. Levei para comer uma pizza, mas ele quase não conversava. Também tentei ajudá-lo, chamando para vir trabalhar comigo, mas ele não quis. Só aceitava esse namoro porque minha filha dizia estar feliz”, afirma o pai. A morte da estudante comoveu os funcionários do Cemitério de São João Batista, porque a mãe da jovem e mais duas tias faziam parte da equipe de limpeza do local.

A morte de Evelyn está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher. O laudo do Instituto Médico Legal que vai apontar a causa da morte ainda não foi divulgado. O namorado confessou em depoimento na Delegacia da Mulher que teria agredido a companheira com socos e com um cabo de rodinho antes de sair para trabalhar de manhã. E que a encontrou morta quando voltou no final da tarde. Ninguém do lado do suspeito foi encontrado para falar do assunto.

A psicóloga Jéssica Oliveira afirma que os familiares precisam estar atentos aos sinais de que ela é vítima de violência. “Para esconder as agressões, o homem tranca a mulher em casa ou proíbe ela de frequentar a casa dos pais ou receber visitas. Quando acontece isso, os parentes precisam denunciar o caso à polícia, antes que ela seja morta”, aconselha Oliveira.

Marco Antonio dos Santos – diarioweb.com.br

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