Orlando Ribeiro: “Para quê?”

A semente de nossas principais insanidades reside nesta fantasiosa necessidade que todos nós cultivamos de… criar novas necessidades. Nunca nos basta o que temos, queremos sempre mais e, o que é pior, nos apegamos às coisas de maneira tal que os objetos, os carros, as propriedades passam a valer muito mais do que valem.

Estamos subjugados ao mundo da matéria. Miramos o conforto, a boa comida, a roupa bonita, a jóia que enfeita, ou seja, temos sido mais matéria do que espírito, mais carne do que alma, mais terra do que ar. Zapeando o controle remoto da TV, observamos que existem canais que transmitem (inclusive, ao vivo) cirurgias plásticas. Puxa, que impressionante, não basta, para alguns, submeter-se à uma cirurgia estética, é preciso assistir a operação nos outros. Para quê? Será que é para comparar – “a minha ficou melhor”, o
u para programar a próxima “bisturizada”?
Você quer investir suas economias?Abra uma academia ou uma clínica de cirurgia plástica. A ordem do dia aponta no sentido de que nunca se cultivou tanto a forma física. Nada contra se a questão é a saúde, o problema é que não é isso para a grande maioria. O que as pessoas querem mesmo é se artificializar. Tudo está virando postiço, enxertado. Peitos, bundas, panturrilhas, lábios. Adolescentes aos quinze anos turbinando seus corpos, submetendo-se aos traficantes de horrores, que vendem anabolizantes para meninas e meninos, causando-lhes danos quase sempre irreparáveis à saúde. A juventude acaba se tornando mais efêmera do que já é. Serás que essa garotada vai chegar aos 50?
Até quando?Será que a religião, com este sem número de seitas e templos, não conseguirá mostrar para todos nós, que não somos matéria. Este corpo que tanto cultuamos vai morrer um dia, será enterrado ou cremado, e o nosso espírito, nossa alma, vai voltar de onde veio, porque material somos por um tempo e espiritual, seremos eternamente. É preciso valorizar os bens terrenos com equilíbrio e não ser escravos deles. Vencer na vida não pode ser mais importante que vencer a vida. Desprender-se do dinheiro e do poder do mundo é conseguir libertar-se de si próprio. Despir-se da vaidade, das raças, dos cargos, das posições, da importância que lhe dão no mundo. O que temos de fazer é viver no mundo, sem ser do mundo, sair da vida melhor do que chegou. Senão, não valerá a pena ter vivido.

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