O município de Cardoso virou um dos pontos centrais de uma grande investigação sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas forças de segurança e no próprio Poder Judiciário. A cidade foi alvo de mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira, dia 9 de junho, durante a deflagração da “Operação Infiltrados”, liderada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A ação em Cardoso incluiu buscas direcionadas inclusive contra um policial penal, suspeito de colaborar com o esquema criminoso.
A operação, que além de Cardoso também movimentou a cidade de Campinas, resultou na prisão temporária de três pessoas: um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um advogado que atuava como estagiário dentro do Ministério Público. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), os suspeitos usavam seus cargos públicos para vazar informações sigilosas à facção e participavam de um plano ousado para assassinar um promotor de Justiça do próprio Gaeco, além de extorquirem criminosos de alto poder aquisitivo.
As investigações apontam que o ex-estagiário do MP se infiltrou propositalmente em uma Promotoria Criminal para acessar o banco de dados do governo. Com a ajuda do ex-policial civil e do policial penal alvo das buscas em Cardoso, ele identificava grandes traficantes e cobrava subornos em dinheiro em troca de “proteção” ou para não repassar provas aos promotores. Em um dos casos descobertos, o grupo chegou a exigir R$ 500 mil de um empresário ligado ao PCC para esconder dados de um inquérito.
O trabalho do Gaeco também revelou que, na véspera de uma grande operação realizada no ano passado, o chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas se reuniu secretamente com o criminoso encarregado de executar o atentado contra o promotor de Justiça, levantando a suspeita de que o policial vendeu detalhes da operação.
Ao todo, a Justiça expediu três mandados de prisão e dez de busca e apreensão, mobilizando as Corregedorias das polícias Civil e Penal para garantir a transparência dos trabalhos e a punição dos agentes públicos envolvidos. Em nota oficial, o Ministério Público destacou que a união das forças de segurança é essencial para limpar as próprias instituições, garantindo que os servidores que se aliaram ao crime organizado sejam identificados e devidamente punidos.












