O janeiro mais quente, mais seco e mais ardido

As chuvas não vieram e o sol brilhou como nunca. Resultado: Rio Preto teve, em 2014, o mês de janeiro mais quente, mais seco e mais ardido dos últimos seis anos.

 

Os termômetros registraram as temperaturas máximas médias mais altas para o período e os raios ultravioletas (UV) foram os mais fortes. A situação foi ainda pior em relação às chuvas: foi a menor quantidade em 25 anos, nas médias de janeiro.

A temperatura máxima média do mês foi de 33,3 graus, o que significa 2,5 graus mais quente do que o mesmo período de 2013. Os raios ultravioletas chegaram a registrar índice de 57 watts por metro quadrado. Já as chuvas resultaram em apenas 87,4 milímetros cúbicos, menos da metade da quantidade registrada em 2013, que foi de 211,6. A falta de chuva foi a grande vilã para as altas temperaturas. “Como tivemos apenas chuvas isoladas e muito abaixo da média, as temperaturas subiram”, disse o meteorologista Eduardo Gonçalves, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru. A quantidade de chuva prevista para a época ficava entre 200 e 300 milímetros cúbicos.

“A seca ocorreu devido a bloqueios atmosféricos que seguraram as frentes frias no Sul do País. Só o calor e a umidade na atmosfera não tiveram força suficiente para provocar as chuvas generalizadas,” explica Gonçalves. A média mínima da umidade relativa do ar foi de 41% para o mês. A temperatura mais alta foi registrada no dia 4, com 35,9 graus. Com tanto calor, não há quem resista. A universitária Eduarda Peres Bucater, 20 anos, é fã de sorvetes. Mas, para manter a forma, ela se refresca com a delícia apenas uma vez por semana. “Um sorvete sempre vai bem no verão. Chocolate é o meu sabor preferido”, contou enquanto degustava uma banana split.

Quem está com o sorriso no rosto são os donos de sorveterias. Segundo Ednéia Maria Capachutti Leme, as vendas neste mês aumentaram cerca de 50% comparadas com o mesmo período do ano passado. “Lembro que choveu muito no começo de 2013. Isso fez diminuir o movimento. Por causa da seca e do calor deste mês, a sorveteria fica lotada o dia todo”, contou.

Previsão

De acordo com os meteorologistas, a primeira quinzena de fevereiro deve manter as médias baixas de chuvas e, consequentemente, as altas temperaturas. “A previsão é de algumas pancadas de chuvas isoladas, o que não modifica o panorama. Na segunda metade do mês, já na reta final do verão, as chuvas estão previstas com mais frequência e a temperatura vai cair,” explica Gonçalves.

Dados

O recorde pode ser ainda maior, no caso da temperatura e dos raios UV, já que o levantamento leva em conta apenas dados colhidos diretamente em Rio Preto pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O início da medição foi em junho de 2008. Em Catanduva, por exemplo, onde existe medição do Inmet desde 1961, apenas dois anos registraram temperaturas médias maiores que as rio-pretenses, 1969 com 33,6 graus e 1971, 33,7 graus.

Outros lugares

As altas temperaturas surpreenderam até os meteorologistas. O IPMet de Bauru registrou o mês de janeiro mais quente desde que a medição foi iniciada, em 1996, com temperaturas máximas médias de 32,8 graus. Na cidade de São Paulo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este janeiro foi o mês mais quente dos últimos 71 anos, ou seja, desde que a série histórica começou a ser feita. A Capital registrou temperatura máxima média de 31,7 graus. Porto Alegre também registrou a maior média desde o início das medições, 33,1 graus.

Sergio Isso
Eduarda Bucater é fã de sorvetes, para alegria das sorveterias: aumento de 50% no movimento

Vale tudo para driblar calor, mas cuidado com radiação

A empresária Emanuella Paloma Alves Jardim, 24 anos, é apaixonada pelos dias quentes e com as altas temperaturas do mês, aumentou a frequência de mergulhos na piscina de casa. “Geralmente eu ia só uma vez por semana. Agora com esse calor vou pelo menos três,” disse. Emanuella pensa na saúde e não descuida da prevenção. Além de evitar o sol nos horários mais quentes, ela se protege. “Sei que os níveis de raios ultravioletas estão muito altos. Por isso, passo protetor solar no corpo e uso um protetor especial nos cabelos. Não pode descuidar”, contou. E ela tem razão.

Com temperaturas acima da média e o céu pouco nublado devido à ausência de chuvas, a incidência dos raios ultravioletas (UVA) também foi maior neste último mês, em relação ao mesmo período dos últimos seis anos. A preocupação é maior, já que eles podem causar câncer de pele. De janeiro de 2009 a novembro de 2013, 1.785 pessoas foram internadas em Rio Preto devido à doença.

“Além do câncer, os raios podem causar ainda eritema ou queimadura, elevação da temperatura da pele, espessamento, fotoenvelhecimento e um conjunto de doenças dermatológicas chamadas de fotodermatoses,” afirma a dermatologista Geysa Regina Canarim Pin. “Para diminuir os efeitos, o recomendado é a combinação do maior número possível de medidas. Entre elas, evitar a exposição ao sol das 10 às 15 horas e usar protetor solar.”

Em janeiro, a incidência média de radiação, segundo a Cetesb, foi de 1.048 watts por metro quadrado. “É o mesmo que, em um quadrado de um metro, tivessem 11 lâmpadas de 100 watts,” explica José Mario Ferreira de Andrade, engenheiro da agência. Desse montante, 57 watts por metro quadrado são de raios UVA. “O watt é a unidade de medida da luz, é a potência desse raio,” diz o engenheiro Paulo José de Figueiredo.

Buno Ferro diarioweb.com

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