Número de meninas no tráfico de drogas quadruplicou em Rio Preto

Os números da criminalidade envolvendo menores aumentaram em proporções que assustam até as autoridades na região noroeste paulista. Um dos índices que mais chama a atenção vem do Conselho Tutelar: em dois anos, o número de meninas que trabalham no tráfico de drogas quadruplicou em São José do Rio Preto (SP). Em 2011, foram registrados 343 casos de jovens envolvidas com o tráfico de drogas. No ano passado, esse número subiu para 1.320.

“Esse número se deve a três fatores: falta de políticas públicas, como escolas em tempo integral, para tirar as adolescentes da rua; o segundo fator é a desestruturação familiar, que terceiriza a educação para as escolas. Os pais acham que hoje a escola deve dar educação aos filhos. O terceiro fator é o uso da droga em si, que tem crescido muito pela falta dos outros dois fatores”, afirma Estela Atanásio, coordenadora do Conselho Tutelar de Rio Preto.

Uma jovem, que prefere não se identificar, só tem 13 anos de idade e um passado recente marcado pelo crime. Ela conta que, aos 9 anos, começou a usar crack, foi embora da casa dos pais e em pouco tempo já estava nas ruas traficando. “Comecei a usar drogas e depois de um bom tempo eu comecei a vender. Eu vendia, ficava na rua, e voltava para casa, depois saía vendendo de novo e voltava para casa. Essa era a minha vida”, afirma a jovem.

Para o Ministério Público, a falta de uma unidade feminina da Fundação Casa na região colabora para essa situação. O promotor José Heitor dos Santos já instaurou inquérito civil contra o Governo do Estado e aguarda uma resposta. “As meninas, adolescentes, que são apreendidas por tráfico, homicídio, roubo, são soltas pela polícia ou Justiça porque não tem onde colocá-las, não tem unidades no interior. Se o governo disser que não vai fazer a unidade, a promotoria vai ajuizar uma ação civil pública contra o estado pedindo a construção de uma unidade na região”, afirma o promotor.

A Fundação Casa respondeu, em nota oficial, que não tem intenção de construir uma unidade feminina no noroeste paulista porque, segundo a fundação, não existe demanda. A fundação disse ainda que apenas nove adolescentes do noroeste paulista estão internadas na Capital, números que não batem com os registros do Conselho Tutelar de Rio Preto.

 

G1

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password